Greve de trabalhadores deixa França paralisada

As greves na França contra o projeto de Reforma Trabalhista do governo de Hollande se estenderam a vários setores

Déficit da previdência social é farsa!

Com argumentos incontestáveis, Denise Gentil destroça os mitos oficiais que encobrem a realidade da Previdência Social no Brasil

Sindicalistas de todo o país aderem à Unidade Popular

Em um ato público realizado em Maceió, Alagoas, sindicalistas de vários estados aderiram ao Partido Unidade Popular pelo Socialismo

PL\4330 volta à pauta no Congresso Nacional

O movimento sindical deve colocar a luta contra o PL 4330 como uma batalha de vida ou morte para a classe trabalhadora.

Apesar de comum, assédio sexual no trabalho é pouco denunciado no Brasil

Vergonha, medo e dificuldade de provar a agressão levam as vítimas a preferir o silêncio.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rendimento médio do trabalhador cai pelo 8º mês, aponta Dieese



O rendimento médio real dos ocupados (descontada a inflação) caiu 0,5% no país em junho, chegando a R$ 1.356. Já o dos assalariados ficou em R$ 1.409. Esta é a oitava queda mensal consecutiva, segundo pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em sete regiões metropolitanas e divulgada nesta quarta-feira (31).

Na análise por região metropolitana, o rendimento médio dos ocupados reduziu-se em três dos sete locais. A maior redução foi apurada em Belo Horizonte, com queda de 3%, para R$ 1.355. Porto Alegre e São Paulo também tiveram queda; de 0,8%, para R$ 1.402, e 0,5%, para R$ 1.460, respectivamente.

A remuneração média dos ocupados subiu em Fortaleza (1%, a R$ 902), Recife (1%, a R$ 986), Distrito Federal (0,8%, a R$ 1.941) e Salvador (0,5%, para R$ 1.052).

"A queda no rendimento médio coloca em dúvida toda a robustez econômica conquistada em 2010. Sazonalmente no segundo semestre a tendência é de alta do emprego e da remuneração, mas não podemos dizer o que vai acontecer neste ano", analisa Patrícia Costa, técnica do Dieese.

Segundo a técnica, como 2010 foi um ano atípico, de forte crescimento, este ano pode ser de ajuste. "Por isso não é possível prever ainda como será. Há uma insegurança que pode influenciar em investimentos dos setores e, consequentemente, nas contratações."

12 MESES

Entre junho de 2010 e junho de 2011, o rendimento médio real cresceu 0,5% para os ocupados, e 0,3% para os assalariados, segundo a pesquisa.

Regionalmente, no mesmo período, o rendimento teve retração em Belo Horizonte (7,4%), Salvador (6,7%), Distrito Federal (3,6%). Houve crescimento no rendimento dos ocupados em: Recife (7,5%), São Paulo (3,5%),Porto Alegre (1,4%), Fortaleza (1,1%).

Segundo a Seade e o Dieese, a população ocupada exclui os trabalhadores assalariados e os empregados domésticos que não tiveram remuneração no mês, além dos trabalhadores familiares sem remuneração e os trabalhadores que ganham exclusivamente em espécie ou benefício.

Maíra Teixeira
De São Paulo
Fonte: FSP

Mentiras do governo de Minas sobre os professores




Sind-UTE/MG avalia o pronunciamento do Governo feito hoje à imprensa

O Governador do Estado convocou uma coletiva com a Imprensa para às 10 horas desta segunda-feira (29/8). Na verdade, não foi uma coletiva e sim um pronunciamento, uma vez que os jornalistas não tiveram o direito de fazer nenhuma pergunta. No pronunciamento, o Governador abordou questões que não significaram nenhuma novidade como as questões abaixo:

Anúncio do Governador: 62% da categoria optou pelo subsídio
Observação do Sind-UTE/MG: dos 398 mil cargos da educação, apenas 200 mil tiveram o direito de opção entre as formas de remuneração. Destes, 153 mil saíram do subsídio. Portanto, não se pode afirmar que 62% optaram pelo subsídio, porque o Estado não deu o direito de opção a todos os servidores da educação.

Anúncio do Governador: A decisão do STF não muda em nada a nova sistemática de remuneração em Minas Gerais
Observação do Sind-UTE/MG: o Estado de Minas não paga o Piso Salarial Profissional Nacional determinado pela Lei Federal 11.738/08. Conforme julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), publicado no dia 24/08, "é constitucional a norma geral federal que fixou o Piso Salarial dos professores do ensino médio com base no vencimento e não na remuneração global." O Subsídio, forma de remuneração implantada em Minas Gerais, não é Piso Salarial, mas remuneração global, conforme descrito nos artigos 2º e 3º da Lei Estadual 18.975/10.

Anúncio do Governador: O Sindicato reivindica 300% de reajuste
Observação do Sind-UTE/MG: A reivindicação da categoria é o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional, instituído pela Lei Federal 11.738/08. O governador não recebeu reivindicação de 300% de reajuste e sim de cumprimento da Lei do Piso.

Anúncio do Governador: A adesão à greve é de 20%
Observação do Sind-UTE/MG: A greve atinge 50% do Estado. A estratégia de minimizar o movimento não é o melhor instrumento para resolver o conflito em questão.

Anúncio do Governador: Pedirá ao Ministério Público que agende nova reunião para dialogar com o Sindicato.
Observação do Sind-UTE/MG: Estamos abertos ao diálogo. Na semana passada, antecedendo à Assembleia Estadual do dia 24/08, o Sindicato procurou diversas vezes o Ministério Público, sem conseguir o agendamento de reunião.

Anúncio do Governador: Os alunos não serão prejudicados
Observação do Sind-UTE/MG: Se o governo acha que contratar pessoas sem formação para responder pelo processo de ensino aprendizagem dos alunos não traz prejuízo ou que 83 dias de greve já não causou enorme prejuízo a todos, não sabemos o que, na visão do governo, causaria prejuízo.

Nesta segunda-feira o Sind-UTE/MG entrega um dossiê da educação mineira e das relações de trabalho a representantes da Organização Internacional de Trabalho (OIT).

Nova assembleia da categoria acontecerá no dia 31/08, 14 horas, no pátio da Assembleia Legislativa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Metalúrgicos param fábrica em Mário Campos - MG


Vídeo da paralisação na empresa Aquasolis promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Mário Campos, Brumadinho, Rio Manso, Crucilândia e Bonfim, no dia 17/08/2011. No vídeo fala o presidente do sindicato, Leonardo Zegarra.

A paralisação teve início às 06:30h da manhã, com a participação de mais de 90% dos trabalhadores da produção. Em assembléia por volta das 11h, os trabalhadores decidiram por unanimidade continuar parados até o dia seguinte.

Patrões agridem presidente do Sindmetal



Lacaios do patronato agridem presidente do Sindmetal e esbravejam ameaças ao verem frustrados seus planos de transformar a empresa em uma senzala. Leia mais no boletim abaixo.

Clique aqui para fazer o download do panfleto.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Prodemge é condenada a pagar PLR aos seus trabalhadores



A Juíza da 22a. Vara do Trabalho condenou a PRODEMGE, em Ação de Cumprimento ajuizada pelo SINDADOS, a pagar a todos os seus empregados a Participação nos Lucros e Resultados, prevista nas Convenções Coletivas dos últimos cinco anos. (Veja a Sentença)


Campanha Salarial Data-base Setembro\2011 dos Trabalhadores de Informática em MG



Atenção, trabalhadores e trabalhadoras em empresas de informática e processamento de dados de Minas Gerais! A campanha salarial de 2011 - data-base setembro - já teve início para os trabalhadores das empresas privadas e da PRODEMGE.

A pauta de reivindicações está sendo construída com as propostas enviadas ao sindicato pelos trabalhadores, e a assembléia para sua aprovação será no dia 18 de agosto (quinta-feira), às 19hs na sede do sindicato - Rua David Campista, 150, Floresta.

As sugestões também podem ser enviadas para o e-mail do sindicato, mas atenção: é imprescindível sua presença na assembléia!

Acesse o site do SINDADOS-MG para mais informações: http://www.sindados-mg.org.br

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sindmassas denuncia exploração e baixos salários



O Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias de Massas Alimentícias e Biscoitos de Contagem - Sindmassas - vem denunciando os baixos salários, as péssimas condições laborais e a extenuante jornada de trabalho a que estão submetidos os trabalhadores nas indústrias de massas de Contagem.

Em seu último boletim o sindicato também informou à categoria o apoio que vem recebendo do Deputado Federal Padre João.

Para ler melhor o boletim você pode baixar o PDF clicando aqui.


Como enriquecer honestamente no capitalismo


A charge abaixo revela o segredo para que o operário possa se enriquecer honestamente - sem explorar o trabalho alheio - no capitalismo. Traduzida de Sidewalk Bubblegum.


Fonte: O Marxista-Leninista

Sindmetal em campanha salarial unificada



O Sindicato dos Metalúrgicos de Mário Campos, Brumadinho, Rio Manso, Crucilândia e Bonfim - Sindmetal - está participando da campanha salarial unificada dos metalúrgicos em MG.

Clique aqui para fazer o download do panfleto em PDF.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Exploração no capitalismo


O quadrinho abaixo ilustra o processo de exploração no capitalismo - a extração de mais-valia dos trabalhadores. Clique na imagem para ampliar e salvar.



É hora de fortalecer a greve!





Panfleto lançado pelo MLC em apoio à greve dos professores em MG. Você pode baixar o PDF para ler melhor clicando aqui.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A cada minuto, uma criança sofre acidente de trabalho, diz OIT



Relatório da OIT relativo ao Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil mostra que, por ano, mais de 500 mil acidentes envolvem crianças, ou 1.400 por dia

Por: Por Bianca Pyl, do Repórter Brasil

São Paulo – Em todo o mundo, a cada minuto uma criança em regime de trabalho infantil sofre um acidente de trabalho, doença ou trauma psicológico, de acordo com o relatório "Crianças em trabalhos perigosos: o que sabemos, o que precisamos fazer", da Organização Internacional do Trabalho (OIT). São mais de 1.400 acidentes por dia e um total de quase 523 mil por ano. O relatório foi divulgado nesta sexta (10), como parte das atividades para lembrar o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, 12 de junho.

Para Renato Mendes, coordenador do Programa para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC, pela sigla em inglês) da OIT, esse número é preocupante principalmente porque ele é silencioso. "O Brasil e o mundo não despertaram para esse problema ainda", disse o coordenador do IPEC.

O trabalho infantil perigoso (tratado no Decreto nº 6481 de 2008, que regulamenta o Convenção 182 da OIT sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil) afeta cerca de 115 milhões de crianças em todo o mundo. A OIT estima que haja cerca de 215 milhões de trabalhadores infantis no mundo, dos quais mais da metade estão em trabalhos perigosos.

No Brasil, estima-se que o número seja de 4,2 milhões de crianças trabalhando, sendo que mais da metade executa atividades perigosas. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, em 2011 foram afastadas 3,7 mil crianças e adolescentes do trabalho . No ano passado, 5.620 crianças e adolescentes foram resgatados desta situação.

Dacordo com Renato Mendes, o trabalho infantil não é apenas um desafio educacional. É necessário encará-lo como um problema de saúde pública, já que estas crianças se tornarão adultos doentes, o que, consequentemente, impactará na Previdência Social. "O Brasil não está preparado para enfrentar esta questão", avalia.

O número de acidentes entre crianças e adolescentes também é mais elevado do que entre adultos. As crianças não têm a visão periférica formada, e a falta de visão lateral, explica Renato Mendes, facilita acidentes. "Além disso, a pele da criança é mais fina, facilitando intoxicações ou mesmo queimaduras", afirma o coordenador do IPEC.

Piores formas

O Brasil ratificou a Convenção 182 da OIT com a Lei 6.481, que Lista as atividades consideradas as Piores Formas de Trabalho Infantil, e que são proibidas para pessoas com menos de 18 anos. As cinco principais atividades - sendo três delas atividades ilícitas (trabalho análogo ao de escravo, tráfico de drogas e exploração sexual) - que empregam mão-de-obra infantil no Brasil são agricultura familiar e prestação de serviços, como trabalho doméstico, tanto no meio urbano quanto no rural, e comércio informal.

"Na agricultura familiar se utiliza agrotóxicos de uma forma menos organizada do que em um emprego formal. Para as crianças, o uso desses defensivos trás riscos imediatos de contaminação e até envenenamento porque a pele da criança é mais fina e o batimento cardíaco mais acelerado, fazendo com que o veneno chegue a corrente sanguínea mais rápido", explica o coordenador do IPEC.

Embora o número total de crianças entre 5 e 17 anos em trabalhos perigosos diminuiu entre 2004 e 2008, o número de adolescentes entre 15 e 17 anos nestas atividades teve um aumento real de 20% no mesmo período, passando de 52 milhões para 62 milhões. Mais de 60% das crianças em trabalhos perigosos são meninos.

O problema das crianças em trabalhos perigosos não se limita aos países em desenvolvimento, de acordo com o estudo. Existem evidências de que nos Estados Unidos e na Europa também há uma elevada vulnerabilidade dos jovens para acidentes de trabalho.

Crise econômica

No ano passado, o Relatório Global da OIT sobre trabalho infantil advertiu que os esforços para eliminar as piores formas de trabalho infantil foram abrandados, e expressou a preocupação de que a crise econômica global poderia colocar "mais freio" no progresso em direção à meta de eliminá-las em 2016.

Um ano depois, a crise econômica mundial teve um impacto direto no combate ao trabalho infantil, segundo Renato Mendes, e continua preocupante. No mundo inteiro houve uma redução nas ações. Apesar de os números do trabalho infantil continuarem caindo, o ritmo da queda foi menor do que nos dez anos anteriores. "Se continuarmos nesse ritmo, a tendência é estabilizar e até aumentar o número de crianças trabalhando", lamenta Renato.



Trabalhadores do Mineirão decidem continuar em greve



Presidente do sindicato disse que proposta "mais pareceu uma ofensa"

Trabalhadores querem aumento salarial e melhorias nas condições de trabalho (Foto: Hoje em dia\ Folhapress)

São Paulo – Os operários que trabalham na reforma do estádio Mineirão, em Belo Horizonte, decidiram manter a greve iniciada na quarta-feira (15). Após reunião para tentar chegar a um acordo sobre a paralisação, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Belo Horizonte e região, Osmir Venuto, chegou a dizer que a proposta de representantes do consórcio responsável pelas obras "mais pareceu uma ofensa".

As reivindicações dos trabalhadores consistem na elevação do piso salarial de R$ 926 para R$ 1.250, recebimento de uma cesta básica de 35 quilos, participação nos lucros ou resultados (PLR) e pagamento de hora extra a 100%, e não 60%, como é feito atualmente.

De acordo com Venuto, os representantes do consórcio apenas ofereceram uma cesta básica no valor de R$ 60. "Ainda disseram para voltarmos ao trabalho hoje (quinta-feira). Então, se voltássemos, daqui a dez dias iriam apresentar outra proposta. Soou como ofensa para nós." O consórcio responsável pela obra no estádio, que visa à Copa do Mundo em 2014, é o Minas Arena, composto pelas empresas Egesa, Hap e Construcap.

O governo mineiro, por meio da Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), informou, em nota, que "acompanha o processo e aguarda solução rápida para a paralisação parcial, que atinge cerca de 40% da obra". A Secopa ainda garantiu que a paralisação não influenciará no prazo de entrega do Mineirão, que está prevista para dezembro de 2012.


Venezuelanos marcham por controle operário



No último dia 26 mais de 2.000 trabalhadores marcharam rumo à Assembléia Nacional, em Caracas, pelo aumento do controle operário. Entregando um documento com mais de 45 mil assinaturas, os trabalhadores exigiram que o legislativo aprove a Lei Especial para os Conselhos Socialistas de Trabalhadores e iniciem uma discussão imediata por uma "nova e revolucionária" Lei Orgânica do Trabalho (LOT). Ambas as demandas foram enviadas sob o artigo 240 da constituição venezuelana, a qual permite ao povo o direito de legislar.

"Estes são dois instrumentos legais que os trabalhadores estão exigindo. São essenciais para o avanço do processo de acumulação de forças que permitirá aos trabalhadores realizar seu papel de protagonista na construção de uma nova sociedade", disse Douglas Gomez, do Partido Comunista Venezuelano (PCV).

Convocado pelo Movimento pelo Controle dos Trabalhadores, pelos Conselhos Socialistas de Trabalhadores, pela União Nacional dos Trabalhadores (UNETE), pela Corrente Classista de Trabalhadores e centenas de sindicatos por todo o país, a marcha foi celebrada como um sucesso tanto pelos trabalhadores quanto pelos organizadores.

"Queremos que os trabalhadores sejam a força dirigente por trás do controle da produção nas fábricas, de forma que os produtos não sejam vendidos por preços especulativos nas ruas, e isso será alcançado através do controle operário e do contrato coletivo", disse Felix Martinez, Secretário-Geral do MMC (Novas Gerações dos Trabalhadores da Mitsubishi Motors) em Anzoátegui.

Fernando Soto Rojas, presidente da Assembléia Nacional, prometeu uma rápida resposta às exigências dos trabalhadores, a qual incluirá a divulgação de uma agenda para o debate público sobre as leis antes do recesso parlamentar no dia 15 de agosto.

Conselhos Socialistas de Trabalhadores

A Lei Especial de Conselhos Socialistas de Trabalhadores foi originalmente apresentada à Assembléia Nacional em 2007 pelo Partido Comunista Venezuelano e apoiado pelo presidente Chávez. O presidente pediu aos trabalhadores para se organizarem como uma "força revolucionária" dentro dos locais de trabalho, assim como nas comunidades.

Apesar dos conselhos socialistas de trabalhadores terem sido criados, eles só se tornaram legalmente reconhecidos depois de grandes mobilizações dos trabalhadores e da aprovação da Lei Orgânica do Poder Popular, em dezembro de 2010.

Independente de sindicatos, os conselhos são organizações populares de poder que permitem aos trabalhadores participar nos processos produtivos, administrativos e gerenciais em seus locais de trabalho. Através da Lei Especial dos Conselhos Socialistas de Trabalhadores, os conselhos se tornarão um mecanismo legal através dos quais os trabalhadores poderão desempenhar um "papel protagonista" no desmantelamento das relações capitalistas de exploração e avançar no projeto de controle operário.

A legislação também propõe consolidar os conselhos de uma perspectiva legal para fortalecer sua posição contra esforços contra-revolucionários que visam minar o movimento.

Reuniões regionais dos conselhos socialistas de trabalhadores aconteceram em fevereiro deste ano, e o primeiro encontro anual dos conselhos foi convocado em maio.

Uma lei trabalhista revolucionária

Os manifestantes também exigiram discussão imediata de uma nova e revolucionária lei trabalhista para substituir a existente. Propostas para rever completamente a Lei Orgânica foram inicialmente colocadas em 2003, mas as discussões não aconteceram na Assembléia Nacional Venezuelana.

De acordo com o porta-voz do movimento de trabalhadores, a nova legislação tem que garantir emprego e direitos coletivos e individuais para os trabalhadores. Deve também estabelecer uma estrutura legal para gerenciamento democrático, participativo e coletivo dos trabalhadores.

"Os trabalhadores são o motor da mudança histórica e da transformação social, e por essa razão, uma nova e revolucionária lei que esteja de acordo com a constituição da República Bolivariana da Venezuela é necessária", explicou Rosso Grimau, porta-voz dos Conselhos Socialistas de Trabalhadores.

Os trabalhadores juraram se manter em estado de "mobilização permanente" para vencer a oposição, e uma delegação será enviada para a Assembléia Nacional no dia 9 de agosto para assegurar que o Comitê Nacional Eleitoral recebeu as exigências, assim como para obter detalhes da agenda de debates públicos sobre as duas leis.


Por Rachael Boothroy
Tradução de Glauber Ataide
Fonte: Venezuelan Analysis

Luta de classes pra que?


Essa charge mostra por que não é possível a conciliação de classes entre proletariado e burguesia. Traduzida de Sidewalk Bubblegum.



Economia Marxista - Breve Introdução


O texto abaixo foi redigido apenas para guiar a parte expositiva de um curso de introdução sobre Economia Marxista. Mas apesar de não ter sido escrito para ser lido de forma independente, creio que possa, mesmo assim, ser de alguma utilidade.

Breve histórico da Economia Marxista

Assim como aconteceu em relação à Filosofia clássica alemã e ao socialismo e à historiografia franceses, que foram a base do pensamento marxista, a economia do marxismo também se baseou no que já havia sido desenvolvido até seu tempo.

Marx desenvolveu, corrigiu e aperfeiçoou a economia clássica inglesa.

Por que justamente a economia inglesa, e não a francesa ou a alemã? Porque a Inglaterra era o país capitalista mais desenvolvido.

Marx adotou a tese central da economia política clássica: a de que a troca se baseava numa equivalência (uma comparação) das quantidades de trabalho contidas na mercadoria.

Essa teoria, chamada de valor-trabalho, já havia sido expressa no século XII por Tomás de Aquino e seu mestre, Alberto, o Grande, e foi refinada por William Petty no século XVII. Recebeu sua forma definitiva com Adam Smith no século XVIII e David Ricardo, no século XIX.

Esses economistas conseguiam descrever corretamente alguns fenômenos do capitalismo, mas ficavam estacionados à beira de um conhecimento mais profundo e racional.

Algumas limitações dos economistas burgueses:
  • O valor para eles era simplesmente um instrumento de medida, um numerário que permitia reduzir a um único fator os diferentes elementos do custo das mercadorias. Não disseram qual era a natureza, a essência desse valor.
  • Isso levou Adam Smith a um raciocínio circular: Para ele o valor é determinado pelo trabalho, isso é correto. Mas o valor do trabalho é determinado pelo salário. E agora o impasse: mas o que então determina o valor do salário (ou seja, dos meios de subsistência que o operário compra com seu salário, do arroz, do feijão, etc)?
  • A economia capitalista é vista como sendo estática, visando sempre a “busca do equilíbrio”. As únicas perturbações de equilíbrio consideradas são aquelas oriundas de uma concorrência imperfeita.
  • Além disso, apesar de ser objetiva e descritiva em relação ao capitalismo, quando se chegava à questão da luta operária e da organização operária, ela voltava a ser normativa, subjetiva e moralizadora.

Condenava as organizações e lutas operárias como “entraves à liberdade”, “obstáculos à concorrência”, “conspirações”, “utopias contrárias a leis econômicas (leis de mercado) inexoráveis”, “atentados contra a ordem pública”, etc.

Principais características do capitalismo

1) Produção de mercadorias

No capitalismo se produz antes de tudo mercadorias. A mercadoria não é um produto qualquer, mas um produto que se destina ao mercado.

Um produto não é uma mercadoria, desde que seja feito para atender à própria necessidade.

O capitalismo tende a transformar tudo em mercadoria (educação, cultura, arte, relacionamentos descartáveis, etc), assim como o Rei Midas transformava tudo em ouro.

Midas era um rei grego que, certa vez, acolheu o pai de Baco, um velho bêbado que havia entrado em seu reino. Midas lhe reconheceu e o levou de volta a Baco, que agradecido, disse a Midas que pudesse fazer qualquer pedido.

Ganancioso, Midas pensou em inúmeras riquezas, jóias, etc. Mas lhe veio a ideia “genial” de que tudo o que ele tocasse se transformasse em ouro. Baco disse que era não era boa ideia, mas Midas insistiu e Baco atendeu. Midas agradeceu e foi dar um abraço em Baco, que se afastou e foi embora apenas acenando de longe.

Ao chegar em casa Midas tentou comer, mas a comida se transformavam em ouro na sua boca. Quando sua esposa chegou contou-lhe orgulhosamente que agora era o rei mais poderoso da terra, e pediu-lhe um abraço. Sem desconfiar de nada, a esposa lhe abraçou e imediatamente se transformou em ouro.

Midas percebeu então a sua miséria.

Depois aparece seu cunhado, que veio lhe pedir dinheiro emprestado, como sempre. Midas tocou em seu ombro, que se tranformou em ouro, e lhe disse: nunca mais vai precisar pedir nada. Então seu cunhado saiu contente e foi se vender.

Midas tentou beber água, que desceu por sua garganta como um líquido quente e espesso, e caiu como chumbo em seu estômago. Ele se ajoelhou, invocou a Baco e pediu que desfizesse seu pedido.

2) Monopolização dos meios de produção pela classe capitalista

Os meios de produção são propriedade de uma classe pouco numerosa. As fábricas, as terras, as máquinas, etc, pertencem à classe dos capitalistas.

De outro lado, uma classe muito numerosa não tem nenhum meio de produção, e é obrigada a vender sua força de trabalho para essa classe que a explora.

3) Trabalho assalariado

Antigamente, no sistema escravista, o homem era vendido por inteiro. Seu corpo, sua carne, seu sangue, enfim, sua própria pessoa era vendida.

Em Roma o escravo era uma simples coisa. Os meios de produção eram divididos em “instrumentos de trabalho mudos” (as coisas, o arado, a carroça, etc), “instrumentos de trabalhos semi-mudos” (os animais de carga, carneiros, vacas, bois, etc) e “instrumentos falantes” (os escravos, os homens).

No capitalismo o que é vendido é a força de trabalho. O operário assalariado, pessoalmente, é livre; o fabricante não pode espancá-lo nem vendê-lo ao vizinho, nem trocá-lo por um cão de caça como acontecia no tempo da servidão.

O operário estaria supostamente em “pé de igualdade”: “Se não quiseres, não trabalhes, ninguém te obriga a trabalhar.”

Mas no capitalismo a escravidão não é tão aparente por não ser “política” ou jurídica, como era na servidão. Não existe um “contrato” ou nenhuma lei que afirme isso. A escravidão é econômica.

Rosa Luxemburgo afirma que nas sociedades anteriores o antagonismo de classes encontrava expressão em relações jurídicas bem determinadas, mas hoje a situação é bem diversa. O proletariado não é obrigado por nenhuma lei a submeter-se ao jugo do capital. Ele é obrigado a tal através da miséria, pela falta de meios de produção.

Eles são acorrentados ao capital pela fome.

4) Anarquia da produção

Cada fabricante produz não para outros produtores, mas para o mercado. Ele simplesmente não sabe quem lhe comprará a mercadoria. Mas mesmo assim, os homens trabalham uns para os outros.

5) Exploração da força de trabalho

Por que os fabricantes contratam os operários? Não é porque desejam sustentar os operários esfomeados, mas sim porque querem tirar lucro deles.

Não se produz para satisfazer necessidades, mas para obter lucros. É o desejo do lucro junto com a anarquia da produção. Muitos capitalistas dedicam sua vida à fabricação de aguardente, por exemplo, que é socialmente prejudicial. Mas por que muitos capitalistas investem nisso? Porque é possível lucrar com a embriaguez do povo.

6) Principais contradições do sistema capitalista

  • Vimos que no capitalismo a produção não é planejada. Cada um produz o que quer, na quantidade que quer. A “mão invisível” do mercado é quem supostamente regularia o deus mercado. Por isso, às vezes produz-se em excesso, gerando crises de superprodução.
    Ao mesmo tempo em que há superprodução, a classe operária, empobrecida, não consegue consumir estes produtos que ela própria gera porque seu salário não é suficiente.

  • O trabalho é social, mas a apropriação deste trabalho é privada. Ou seja, produz-se coletivamente, mas apenas o capitalista, sozinho, se apropria da produção.

    Marx afirma no Manifesto:

    “O capital é um produto coletivo e só pode ser colocado em movimento pela atividade comum de muitos membros da sociedade e mesmo, em última instância, pela atividade comum de todos os membros da sociedade.

    “O capital, portanto, não é uma potência pessoal; é uma potência social. Assim, se o capital é transformado em propriedade comum pertencente a todos os membros da sociedade, não é uma propriedade pessoal que se transforma em propriedade social. Transforma-se apenas o caráter social da propriedade. Ela perde seu caráter de classe.”

Alguns conceitos da Economia Marxista

Valor
  • O que determina o valor é a quantidade de trabalho socialmente necessário para produzir determinada mercadoria.

  • Esse “socialmente necessário” significa o tempo de trabalho utilizado em média pelos vários produtores, e que portanto cada mercadoria deveria ser considerada como um exemplar médio de sua espécie.

  • Por exemplo: o valor de um par de sapatos seria equivalente ao tempo de trabalho que em média os dez, vinte, cem ou mil fabricantes de sapatos necessitam para produzi-los, e não ao tempo de trabalho necessário para produzir este ou aquele par.

  • Seria ilícito portanto argumentar que um par fabricado por um sapateiro preguiçoso, porque demandaria mais tempo para ser produzido, teria maior valor do que o fabricado por um sapateiro diligente.

  • Dois aspectos fundamentais do valor: valor de uso e valor de troca: diferença entre qualidade e quantidade.

  • Uma coisa pode ter valor de uso sem ter valor. É o caso sempre que sua utilidade não é mediada pelo trabalho. Ex: ar, terra virgem, florestas não plantadas, etc.

  • Valor de troca: quantidades definidas de “tempo de trabalho congelado”.

  • A lei do valor foi uma descoberta fundamental de Marx, que superou dificulades que a lei da oferta e da procura não conseguia responder.

  • A lei da oferta e da procura, que produz oscilações de preços, só explicam se o equilíbrio entre oferta e procura for atingido ou não, mas não explica como os valores são determinados.

  • Exemplo: Se em uma determinada sociedade tanto os pães quanto os aviões tiverem a mesma oferta e a mesma procura, eles terão o mesmo valor? Claro que não, pois mesmo que as pessoas estivessem passando fome e os pães fossem muito necessários, os aviões requerem muito mais trabalho socialmente necessário para sua produção do que os pães.

  • Importantíssimo: a única coisa que gera valor é o trabalho.

Mais-valia
  • É o trabalho excedente do operário. Durante um dia de trabalho o operário produz mais do que ele recebe de volta em forma de salário.

  • O operário trabalha parte do dia para pagar seu salário e a outra parte de graça para sustentar o capitalista.

  • O capitalista tem duas formas de aumentar a mais-valia: a mais-valia absoluta e a mais-valia relativa.

  • Mais-valia absoluta: pode ser obtida através da extensão da jornada de trabalho ou do aumento da intensidade do trabalho.

  • Mais-valia relativa: pode ser obtida através do aumento da produtividade, de melhorias nas técnicas, no maquinário, etc.
Mercadoria

  • Produto destinado ao mercado, não à satisfação humana. Nem todo produto é uma mercadoria.

  • Um produto não é uma mercadoria, desde que seja feito para atender à própria necessidade.

Força de trabalho

  • O trabalhador não vende o seu trabalho, mas a sua força de trabalho.

  • É uma mercadoria da qual o único reservatório é a carne e o sangue do homem.

  • É a única mercadoria que gera todas as outras – a única que gera valor.

  • É o segredo do lucro do capitalista. A força de trabalho gera valor além daquilo que recebe de volta em forma de salário.

Salário

  • Como se determina o salário?

  • “... o valor da força de trabalho é determinado pelo valor dos artigos de primeira necessidade exigidos para produzir, desenvolver, manter e perpetuar a força de trabalho.” (Marx)

  • “É a parte mínima indispensável do produto, tanto quanto o trabalhador precisa para subsistir como trabalhador, não como homem, e para originar a classe aprisionada dos trabalhadores, não a humanidade.” (Marx)

  • “Assim como um cavalo, [o trabalhador] deve receber somente o que precisa para ser capaz de trabalhar. A economia política não se ocupa dele no seu tempo livre como homem, mas deixa este aspecto para o direito penal, os médicos, a religião, as tabelas estatísticas, a política e o funcionário de manicômio”. (Marx)

  • Os preços do trabalho são mais constantes que os preços dos meios de subsistência.

  • Característica interessante do salário:

  • No sistema de trabalho assalariado, até o trabalho não pago parece trabalho pago. No sistema de escravidão, até o trabalho pago parece ser trabalho não pago.

  • Parte do trabalho do escravo era necessário para cobrir os custos de sua própria moradia, alimentação, saúde, etc. Mas esse aspecto é obscurecido, e parece que o escravo não recebia nada pelo que fazia.

  • No capitalismo tem-se a impressão de que todo o trabalho do operário lhe é retornado em forma de salário, mas isso é uma grande ilusão.
Capital

  • Não é “riqueza acumulada”, como vulgarmente se define e às vezes se atribui a Marx. Nem tampouco “qualquer meio para aumentar a produtividade do trabalho”.

    Um chimpanzé usando um pedaço de pau para pegar bananas mais facilmente não foi o primeiro capitalista da história. Também não seria “acumular capital” uma comunidade tribal querendo aumentar sua riqueza através da pecuária ou da irrigação da terra.

  • O capital pressupõe o seguinte:

    Que os bens não são produzidos para consumo direto, mas são vendidos como commodities (mercadorias);

    Que o potencial total de trabalho da sociedade foi fragmentado em trabalhos privados conduzidos independentemente uns dos outros;

    Que as mercadorias são dotadas de valor;

    Que esse valor é realizado através da troca com uma mercadoria especial chamada dinheiro;

  • A lógica interna do capital é sempre aumentar o grande capital, levando à formação de grandes monopólios, e eliminar o pequeno.

    O capitalista, por ter capital para iniciar um negócio privado, passa pelo seguinte processo:

    D – M – D',

    onde D (dinheiro) é trocado por mercadoria (M) que, por sua vez, gera uma quantidade D' de dinheiro superior à primeira.

  • Já o trabalhador segue o seguinte ciclo:

    M – D – M,

    onde M é a força de trabalho (mercadoria, no capitalismo), que se tranforma em dinheiro utilizado para comprar meios de subsitência (arroz, feijão, moradia, etc).

    Assim, o operário nunca consegue acumular no capital.


Lutas e Heróis do Povo : A Mina de Morro Velho, uma experiência de poder operário e popular


A mina de ouro de Morro Velho localiza-se no município de Nova Lima (MG), que hoje compõe a região da Grande Belo Horizonte. Sua exploração começou em 1725, passando, em 1834, a ser propriedade da Companhia inglesa Saint John d'El-Rey Mining Company. Daí em diante, teve crescimento ininterrupto. Em 1940, a mina respondia por 90% do ouro produzido em Minas Gerais. Os ingleses venderam-na em 1960 para a Hanna Company, empresa dos EUA, país que, desde o fim da 2ª Guerra Mundial, superara a Inglaterra como maior potência imperialista do planeta.

O sangue dos operários

No período que vamos conhecer (1930-1964), a mina chegou a ter oito mil trabalhadores. Dez por cento dos operá-rios trabalhavam na superfície, em tarefas auxiliares, e 90% no fundo da mina, diretamente no processo produtivo. Eram os mais sofridos, as maiores vítimas, viviam em estado de insatisfação generalizada. O trabalho era tão arriscado e penoso que, ao sair de casa "o pai, filho ou esposo não sabiam se voltavam; ia-se para uma viagem cujo final podia ser a morte". Eram constantes as mortes por desabamento, explosões e outros tipos de acidente, bem como por tuberculose pulmonar.

Os trabalhadores da Morro Velho sempre lutaram por seus direitos, especialmente a partir do início do século 20, quando seu maior contingente era de imigrantes espanhóis. Mas o período de maior mobilização e organização começou em 1930, com a chegada de três militantes do Partido Comunista do Brasil (PCB): dois operários, que foram trabalhar na mina, e um artesão, assistente, que foi prestar serviços aos ingleses.

Eles começaram a conhecer a realidade e a despertar a consciência dos operários, por meio de conversas informais na entrada da mina, nos intervalos do trabalho, nas festas, nos locais de diversão, nas casas. Os temas eram os assuntos da vida diária, do trabalho à família; falavam da exploração a que eram submetidos e das diferenças de classe.


A partir de um paciente trabalho de base, os operários mais interessados começaram a se reunir à parte e fundaram, no dia 13 de maio de 1934, com a participação de 447 associados (número elevado em cinco meses para 3.386) a União dos Trabalhadores da Morro Velho e Classes Conexas. Depois da legislação trabalhista imposta pelo Estado Novo, a entidade passou a chamar-se Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração do Ouro e Metais Preciosos de Nova Lima.

A organização das comissões de luta

Os ativistas organizaram-se em comissões, de acordo com as reivindicações e problemas dos operários. Havia comissão de salário, de benefícios, de salubridade, de adicional, de abono, e a Cipa. Se as reivindicações apresentadas pela Cipa não fossem atendidas, a massa pressionava. Entre outras conquistas, conseguiram sanitários nas minas, escoramentos, capacetes, botas, máscaras, luvas, lanterna e forno elétrico.

As comissões criaram associações por profissão ou setor existente na mina, visando a uma maior participação dos trabalhadores e aprofundamento dos problemas específicos, inclusive as de encarregados e feitores, pois muitos deles se engajaram na luta. As comissões de luta eram mediadoras entre o Sindicato e o movimento gerado pelas associações, que eram informais e independentes. Por isso, nos períodos em que o Sindicato esteve sob intervenção, a luta dos mineiros continuou com a mesma força.

Combatendo o elitismo e a burocracia

A primeira diretoria do Sindicato renunciou ao seu direito de liberar-se para a atividade sindical. Decidiu permanecer na produção, exemplo que foi seguido pelas diretorias seguintes, até 1964. As assembleias eram mensais. Nelas, as comissões prestavam contas da sua atuação e planejava-se o mês seguinte. O presidente do Sindicato abria a assembleia e pedia que o plenário escolhesse um companheiro para coordená-la, havendo sempre um rodízio. Era uma forma de todos exercitarem essa tarefa de conduzir reuniões, e o presidente não se sentir, nem ser visto, como autoridade. Havia rotatividade na diretoria: em geral, cumpria-se apenas um mandato, para ninguém se perpetuar em cargos, evitando a formação de uma elite de sindicalistas. O Partido não fazia questão de ter um militante na presidência, fato que só ocorreu em três mandatos, num período de 30 anos (1934-1964). "É um erro pensar que o Sindicato liderava os movimentos dos mineiros. A luta sempre partia de fora para dentro do Sindicato".

Organização do movimento popular

A mobilização e a organização não se limitaram à mina. Foram criadas associações de moradores, movimentos contra a carestia, comissões de rua ou ligadas aos problemas e necessidades do local: comissão do calçamento, da água, da luz, etc. No meio popular, a força principal eram as mulheres, que acabaram conquistando espaço no Sindicato, onde se fundou um departamento feminino.

Atividades recreativas e culturais também se desenvolveram. Clubes de futebol, carteado, jogos, torneios, festas nas casas dos operários, tudo era espaço para discutir problemas, reivindicações, avançar a consciência comunitária e de classe. A partir das "peladas" das crianças e adolescentes, surgiram as células de jovens.

Os comunistas souberam trabalhar também com os religiosos, chegando a ter uma célula de 30 membros dentro de um centro espírita. Estavam presentes em grupos católicos conservadores, como Filhas de Maria, São Vicente de Paula e Congregação Mariana, bem como nas entidades assistenciais.

Entre as prostitutas, o trabalho político teve tanto êxito que metade delas se tornaram amigas do Partido. Colaboravam financeiramente, davam assistência a companheiros doentes que não tinham parentes na cidade e colhiam informações dos policiais e dos chefes da Companhia.

A luta sob a ditadura

Apesar de dar continuidade às lutas operárias e populares, o núcleo comunista de Nova Lima não foi atingido pela repressão desencadeada pela ditadura de Getúlio Vargas, que prendeu, torturou e matou comunistas e opositores em todo o país.

O Partido atuava clandestinamente. Os seus membros não se apresentavam à massa como comunistas. Para um ativista ingressar na organização interna, passava-se muito tempo observando seu interesse, sua dedicação às tarefas do movimento, suas relações pessoais e familiares. "O processo durava anos, às vezes. Em Nova Lima, o PC tinha, de fato, raízes na classe operária. Construiu-se de dentro, e de baixo para cima.

Os militantes eram orientados a uma ação sem pressa, com os pés na terra. Tudo era pensado, tudo era discutido nas bases". "O Partido da Morro Velho era mesmo a própria massa dos mineiros. Ele era parte de cada mineiro, vivendo sua vida, seus problemas, seus interesses. Assim, as coisas nasciam e cresciam da própria massa. Partia-se do real e não de palavras de ordem".

No Governo Municipal

Com o fim da ditadura varguista, o PCB se legalizou e adotou como prioridade a conquista de posições no Parlamento, pregando a construção de "alianças com a pequena burguesia e com a parcela progressista e democrática da burguesia nacional".

O efeito imediato da legalização foi positivo. Pela primeira vez, comemorou-se o 1º de Maio em praça pública, reunindo uma verdadeira multidão em Nova Lima. Abriu-se a sede do Partido, e várias lideranças assumiram publicamente sua condição de comunistas. Nas eleições de janeiro de 1945, para governador do Estado e Câmara Estadual, o PCB obteve 19% dos votos no município, ficando em segundo lugar, o que animou a militância para o pleito municipal de novembro do mesmo ano. Nessas eleições, o Partido já tivera seu registro cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, e inscreveu seus candidatos no PSD, elegendo o vice-prefeito, o juiz de paz e quatro vereadores, operários mineiros. Como a sede do Partido havia sido fechada, os vereadores comunistas abriram os "escritórios do povo".

Perseguições e mortes

Se, por um lado, a legalização permitiu ao Partido tornar-se mais conhecido e utilizar tribunas até então restritas à classe dominante, como a Câmara de Vereadores, por outro, identificou os militantes mais aguerridos e queridos do povo e os expôs à sanha dos seus inimigos: a companhia inglesa e o vigário da paróquia. O vigário começou a fazer campanha aberta contra os comunistas, e a companhia fortaleceu um grupo de operários adesistas, transformando-os em seus capangas.

Em 1948, o Comitê Estadual (CE) decidiu que, em virtude da força do Partido em Nova Lima, o aniversário da Revolução Russa, no dia 7 de novembro, deveria ser comemorado publicamente. Os representantes da mina argumentaram que isso não era sensato, tendo em vista o clima pesado criado na cidade. O CE manteve a decisão. Durante o ato, os capangas da companhia dissolveram a manifestação a tiros e facadas e mataram dois operários, um dos quais o conhecido líder operário e vereador William Dias Gomes, membro dos Comitês Municipal e Estadual do Partido.

No dia seguinte, desencadeou-se violenta repressão, com a prisão de vários mineiros e fechamento dos "escritórios do povo". A morte dos operários, as prisões e toda a repressão foram utilizadas pela burguesia local para atemorizar o povo e afastá-lo dos comunistas. A companhia ofereceu, ainda, inúmeras vantagens aos trabalhadores que a apoiassem. No dia 17 de junho de 1949, outro militante muito influente no meio popular foi assassinado na calada da noite.

Todos esses acontecimentos foram deixando a população realmente atemorizada. Na mina, a desarticulação completou-se com a demissão por justa causa, homologada na Justiça do Trabalho, de 51 operários comunistas. O processo foi in-teiramente político, e na sentença o próprio juiz deixa isso claro, ao dizer que os operários foram "autores de um movimento de caráter comunista, tendente à paralisação dos serviços da mina, visando a afetar a economia nacional".

União do povo retoma o Sindicato e a luta

A atuação dos comunistas enfraqueceu-se, mas novas lideranças surgiram, em duas vertentes: uma, ligada à juventude operária católica (JOC), e outra, independente, isto é, nem ligada aos comunistas nem aos cristãos. Estes não tinham ligação com o vigário, integrando o movimento da Ação Católica Brasileira, que compreendera ser a luta de classes uma necessidade provocada pelo capitalismo e não uma invenção dos comunistas. Os três grupos se aliaram.

A união de forças retomou o Sindicato, possibilitando a realização de grandes greves e outras mobilizações nas décadas de 1950 e 1960, obtendo conquistas como a taxa de insalubridade.

A resistência ao Golpe Militar

O 1º de abril de 1964 encontrou a mina de Morro Velho paralisada, em defesa da democracia. Ao apelo do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) por uma greve geral de resistência ao golpe, só houve duas respostas positivas: a dos ferroviá-rios da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, e a dos operários da mina de Morro Velho, em Minas Gerais. Quando os mineiros se preparavam para uma passeata e concentração, a cidade foi ocupada pelas forças policiais. Com o Sindicato fechado, os líderes detidos e a cidade militarizada, eles voltaram ao trabalho no dia seguinte.

Inúmeros operários tiveram suas casas invadidas e metralhadas. Mais de cem foram presos e processados com base na famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN). Uma longa noite de silêncio e terror caiu sobre a mina, a cidade e todo o país. Toda essa rica experiência tem muito a nos ensinar. Aprendamos com as lições da Mina de Morro Velho!

Os trechos entre aspas são depoimentos de velhos militantes comunistas da Morro Velho e foram dados a Yonne de Souza Grossi, em 1978, e estão no livro Mina de Morro Velho - A extração do homem

Publicado em A Verdade n 128

A Jornada de Trabalho - Karl Marx


Texto retirado do capítulo 8 do livro O Capital de Karl Marx

O capitalista compra a força de trabalho pelo valor diário. Seu valor de uso lhe pertence durante a jornada de trabalho. Obtém, portanto, o direito de fazer o trabalhador trabalhar para ele durante um dia de trabalho.

Mas o que é um dia de trabalho?

Será menor que um dia natural da vida. Menor quanto?

O capitalista tem seu próprio ponto de vista sobre essa extrema, a fronteira necessária da jornada de trabalho. Como capitalista apenas personifica o capital. Sua alma é a alma do capital. Mas o capital tem seu próprio impulso vital, o impulso de valorizar-se, de criar mais valia, de absorver com sua parte constante, com os meios de produção, a maior quantidade possível de trabalho excedente.

O capital é trabalho morto que como um vampiro se reanima sugando o trabalho vivo e quanto mais o suga mais forte se torna. O tempo em que o trabalhador trabalha é o tempo durante o qual o capitalista consome a força de trabalho que comprou. Se o trabalhador consome em seu proveito o tempo que tem disponível, furta o capitalista. O capitalista apóia-se na lei de troca de mercadorias. Como qualquer outro comprador procura extrair o maior proveito possível do valor de uso de sua mercadoria.

Mas, subitamente levanta-se a voz do trabalhador que estava emudecida no turbilhão do processo produtivo:

A mercadoria que te vendo se distingue da multidão das outras porque seu consumo cria valor e valor maior que seu custo. Este foi o motivo por que a compraste. O que de teu lado aparece como aumento de valor do capital, é do meu lado dispêndio excedente de força de trabalho. Tu e eu só conhecemos, no mercado, uma lei, a da troca de mercadorias. E o consumo da mercadoria não pertence ao vendedor que a aliena, mas ao comprador que a adquire. Pertence-te assim a utilização de minha força diária de trabalho. Mas, por meio de seu preço diário de venda, tenho de reproduzi-la diariamente para poder vendê-la de novo. Pondo de lado o desgaste natural da idade etc., preciso ter amanhã, para trabalhar, a força, saúde e disposição normais que possuo hoje. Estais continuamente a pregar-me o evangelho da parcimônia e da abstinência.

Muito bem. Quero gerir meu único patrimônio, a força de trabalho, como um administrador racional, parcimonioso, abstendo-me de qualquer dispêndio desarrazoado. Só quero gastar diariamente, converter em movimento, em trabalho, a quantidade dessa força que se ajuste com sua duração normal e seu desenvolvimento sadio. Quando prolongas desmesuradamente o dia de trabalho, podes num dia gastar, de minha força de trabalho, uma quantidade maior do que a que posso recuperar em três dias.

O que ganhas em trabalho, perco em substância. A utilização de minha força de trabalho e sua espoliação são coisas inteiramente diversas.

Se um trabalhador, executando uma quantidade razoável de trabalho, dura em média 30 anos, o valor da força de trabalho que me pagas por dia é de 1 / 365 x 30 ou 1/10.950 de seu valor global. Se a consomes em 10 anos, pagas-me diariamente 1/10.950 e não 1/3.650 de seu valor global, portanto, apenas 1/3 de seu valor diário, e furtas-me assim diariamente 2/3 do valor da minha mercadoria.

Pagas-me a força de trabalho de um dia, quando empregas a de três dias. Isto fere nosso contrato e a lei de troca de mercadorias. Exijo, por isso, uma jornadad e trabalho de duração normal, e sem fazer apelo a teu coração, pois quando se trata de dinheiro não há lugar para bondade. Podes ser um cidadão exemplar, talvez membro da sociedade protetora dos animais, podes estar em odor de santidade, mas o que representas diante de mim é algo que não possui entranhas. O que parece pulsar aí é o meu próprio coração batendo.

Exijo a jornada normal, pois exijo o valor de minha mercadoria como qualquer outro vendedor.

Vemos que, abstraindo de limites extremamente elásticos, não resulta da natureza da troca de mercadorias nenhum limite à jornada de trabalho ou ao trabalho excedente. O capitalista afirma seu direito, como comprador, quando procura prolongar o mais possível a jornada de trabalho e transformar, sempre que possível, um dia de trabalho em dois. Por outro lado, a natureza específica da mercadoria vendida impõe um limite ao consumo pelo comprador, e o trabalhador afirma seu direito, como vendedor, quando quer limitar a jornada de trabalho a determinada magnitude normal.

Ocorre assim uma antinomia, direito contra direito, ambos baseados na lei de troca de mercadorias. Entre direitos iguais e opostos decide a força. Assim, a regulamentação da jornada de trabalho se apresenta, na história da produção capitalista, como luta pela limitação da jornada de trabalho, um embate que se trava entre a classe capitalista e a classe trabalhadora.

Professores na luta em MG



Os protestos foram programados para serem realizados no mesmo dia da primeira reunião do Comitê de Negociação Sindical do Estado de Minas Gerais (Cones), cuja pauta é política salarial do funcionalismo público. De acordo com o Sindicato do Fiscais de Minas Gerais (Sindifisco-MG) o Cones foi estabelecido pelo governo por meio de decreto, depois de debate com as entidades sindicais, O objetivo do comitê é estabelecer um espaço permanente de negociação entre as entidades representativas dos servidores públicos estaduais e o governo. Porém, os sindicatos acham a criação do comitê não irá resolver os problemas do funcionalismo.

Em greve desde o último dia 8, os professores pedem o cumprimento da Lei Federal 11.738, que institui o piso salarial profissional nacional de R$ 1.597,87, para 24 horas semanais, nível médio de escolaridade. Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), o piso salarial da categoria em Minas é de R$ 369. Na segunda-feira, o sindicato protocolou no Ministério Público Federal uma representação para cobrar a regulamentação do piso.

De acordo com o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol-MG), representantes dos policiais civis e do governo se reuniram no dia 13 para discutir as reivindicações da categoria, mas nenhuma nova proposta foi apresentada, segundo o sindicato.