segunda-feira, 29 de julho de 2013

Eletricitários terceirizados fazem greve por tempo indeterminado em Minas Gerais


Após 1 ano e 7 meses tentando negociar melhores condições de trabalho e salários com os donos da empresa ECEL, contratada pela CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais) que atua na região de Ipatinga/Vale do Aço, quase a totalidade dos mais de 100 trabalhadores decidiram cruzar os braços e voltar a trabalhar somente quando alguns anseios inadiáveis forem atendidos.

A empresa não paga as horas-extras dos trabalhadores. Quando os serviços acumulam, ela paga os trabalhadores apenas a produtividade, desconsiderando o tempo de prorrogação da jornada de trabalho. Os trabalhadores também acham um absurdo receberem por produtividade, pois trabalham em atividade de risco e atrelar o salário à quantidade de serviços executados é uma ação criminosa e imoral da empresa. Os trabalhadores tem que produzir na correria, o que aumenta os riscos de acidente.

A empresa também não paga o tíquete alimentação há 15 dias. Os salários são irrisórios: a maioria dos trabalhadores recebe salário mínimo, 4 a 6 vezes menos do que um eletricista do quadro próprio da CEMIG.

Alguns companheiros estão sofrendo assédio moral na empresa e os trabalhadores, de maneira solidária e comovente, colocaram este como um dos principais itens da pauta.

Hoje (19) pela manhã esses eletricitários se reuniram na portaria da CEMIG e protestaram, impedindo a saída dos veículos. Depois, entraram em contato com órgãos de imprensa local e deram entrevistas, saindo em seguida pelas ruas da cidade panfletando e denunciando suas mazelas.

O mais surpreendente é que essa greve está ocorrendo quase que de maneira isolada pelos trabalhadores, apenas com apoio do Sindieletro – Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais, que não detém a representação legal dos terceirizados, mas entende que esses trabalhadores fazem parte da mesma categoria. Os trabalhadores também reivindicam que a empresa reconheça a representação do Sindieletro.

A ECEL se reuniu com advogados e pretende impetrar ações para prejudicar os grevistas, mas os trabalhadores estão dispostos a continuar a greve na semana que vem, até a vitória!

“Se a ECEL não pagar, a luz vai acabar”, é o grito de ordem.

Diego Palmares

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