sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Greve na Eletrobrás dobra governo e arranca conquistas para os eletricitários de todo o país



Após 24 dias de intensa mobilização e greve em todo o país, os mais de 27 mil trabalhadores das empresas pertencentes a Eletrobrás, arrancaram do governo um ganho real no salário de 2,5%, além de impedirem retrocesso em seus direitos garantidos por acordos coletivos de anos anteriores.

Desde o mês de maio o Comando Nacional dos Eletricitários (CNE) se encontrava em campanha salarial discutindo com a direção da Eletrobrás o acordo coletivo da categoria em todo o país. Falta de diálogo e pouca intenção de avançar nos direitos dos trabalhadores marcaram as pouquíssimas mesas de negociação da CNE com a empresa. Três meses se passaram e apenas três mesas de negociação foram realizadas..

Boa parte das ações da Eletrobrás encontram-se privatizadas desde os anos 90. A dependência da empresa ao capital internacional, que tem influência grande de um grupo de especuladores, como a J.P.Morgam e fundos internacionais, que exigem remessas de lucros cada vez maiores, impossibilitou o avanço das negociações com os trabalhadores, não restando aos mesmos outra alternativa a não ser a deflagração da greve, que teve início no dia 15 de julho tendo adesão de 90% da categoria.

Numa clara demonstração de submissão aos interesses desse setor de especuladores, a estatal, após 8 dias de greve, entrou com ação na Justiça do Trabalho pedindo a ilegalidade da greve tentando criminalizar o movimento paredista. Fato que foi bastante repudiado pelo movimento, visto que tal ação não acontecia há mais de 23 anos, onde nem mesmo o famigerado governo anti-povo de FHC, sob pressão de greves e mobilizações, teve a coragem de fazer.

O tiro saiu pela culatra! A greve foi considerada legítima pela Justiça que se negou a declarar a ilegalidade do movimento. O movimento grevista atingiu as 14 empresas estatais ligadas a Eletrobrás, dentre elas: a CHESF, Eletronorte, Eletrosul, Furnas, entre outras.

Mesmo com a intransigência do governo que se negava a negociar, ameaçando a retirada de conquistas garantidas por acordos anteriores e ainda discriminar trabalhadores recém ingressos dos antigos, o movimento, após 2 semanas de impasse, acatou solicitação do ministro do TST para que houvesse a suspensão do movimento e, assim, se retomassem as mesas de negociação.

A boa intenção dos trabalhadores não foi capaz de sensibilizar a estatal e o governo, que chegaram ao ponto de se retirarem da mesa de negociação. E novamente os trabalhadores retomaram o caminho da greve conseguindo arrancar, no dia 7 de agosto, a reposição salarial de 6,49%, equivalente a inflação anual medida pelo IPCA, que representa pra categoria um ganho real de 0,8% retroativo a maio, assim como a correção da inflação no salário para o ano de 2014 com ganho real de 0,7% em janeiro e mais 1% em setembro do ano que vem. A categoria pedia 11,5% de reajuste como sugerido pelo DIEESE no início da campanha salarial.

“O CNE e os sindicatos saem com a certeza de que essa categoria está preparada para enfrentar qualquer desafio. Foi assim nos anos 90, no auge dos governos liberais, e se repete agora, com a nova geração de companheiros (as) que foram à luta em defesa de uma Eletrobrás fortalecida e que valoriza seus trabalhadores” afirma nota da Federação Nacional dos Urbanitários. Dentre essa nova geração encontramos o presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba que parabenizou os trabalhadores da CHESF pela disposição de luta e afirmou que "a luta não é só do sindicato, e sim de toda categoria, que entendeu que sem luta não há vitória".
Os trabalhadores saem fortalecidos por somar forças na luta contra a precarização do trabalho que tem sido atacado com as terceirizações no setor e o conjunto de demissões imposto pela empresa que já atinge 20% da categoria. Sem falar na luta pelo cancelamento dos leilões de privatização de usinas hidrelétricas previstas para ocorrerem em dezembro deste ano.

Emerson Lira 

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