segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Assédio Moral: Tão Antigo Quanto o Trabalho


“O negócio mais lucrativo do mundo é o resultado de um modo de vida que gera ansiedade, solidão e angústia na vertigem de uma competição impiedosa, onde o êxito de poucos implica o fracasso de muitos.”
Eduardo Galeano

O Assédio Moral é fruto de uma discussão atual, embora o fenômeno seja tão antigo quanto o próprio trabalho. Em nosso país  a primeira matéria referente ao tema foi publicada no jornal folha de São Paulo em 25 de novembro de 2000, em uma dissertação de mestrado realizada por Margarida Barreto, assim como o primeiro livro, também escrito no mesmo ano, intitulado Dando a Volta Por Cima. No livro o autor retrata as várias faces da opressão de quem é alvo de assédio, as estratégias do opressor, os danos que podem prejudicar a saúde, a vida psíquica, familiar e social. Já o primeiro Estado ao adotar legislação específica sobre o assunto foi o Rio de Janeiro em 2002.

Mas o que é mesmo Assédio Moral?

Segundo Margarida Barreto pode ser conceituado como uma conduta abusiva (gestos, palavras, comportamentos, atitudes...) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa, trazendo como consequência, a degradação do ambiente de trabalho, a vulnerabilidade e desequilíbrio da vítima, dentre outras.

Este tipo de opressão  não está isolada na sociedade, é fruto de um conjunto de fatores, tais como, a globalização que visa somente à produção e o lucro, incentivando a competição opressora através do medo, violência psicológica, humilhação e constrangimento.

Reforçando o título deste texto, infelizmente, isso não é algo novo na vida dos trabalhadores, é o reflexo do que acontece cotidianamente na sociedade capitalista: o patrão sempre querendo ter benefícios próprios sem pensar na coletividade e rebaixando o trabalhador. Essa é exatamente a lógica do sistema- a luta de classes- caracterizando-se pelo antagonismo entre opressores e oprimidos, uma batalha permanente que às vezes é visível ou camuflada.

Acreditamos que a mudança dessa realidade histórica somente será modificada com a união dos trabalhadores, na luta pelo seus direitos em busca de uma nova sociedade, com igualdade, justiça e solidariedade.

Este texto reflexivo contempla o testemunho de três Trabalhadoras em Educação do RS cuja luta recente no “chão da escola”, contra uma direção autoritária e opressora, venceram o medo e a tensão e deram o exemplo que não podemos aceitar injustiças.

Denise Pianetti (1), professora de matemática “ Há pouco tempo eu e algumas colegas, mais especificadamente Odete Brauner e Fátima Magalhães passamos por uma situação de Assédio, onde , onde entre tantas coisas foi colocada a prova nossa integridade moral. Durante toda nossa luta percebi que fibra e garra foi o que não nos faltou. Todas lutamos por justiça e conseguimos vencer o assédio moral. Justiça foi mostrar que assédio é crime. Justiça é mostrar que todo ser humano merece respeito.

Jussara Moura (2), professora de CAT “Essas mulheres fizeram-se notórias e aguerridas em nossa caminhada contra o Assédio Moral. Com união vencemos montanhas e a prática da justiça prevaleceu.”
Odete Brauner (3) monitora “Lutei pela justiça e pelo respeito  dos professores, funcionários e alunos para que esta escola viva dias melhores e sem opressão.”

Fátima Magalhães e Lorena Teixeira Gomes - MLC e Movimento de Mulheres Olga Benário

0 comentários:

Postar um comentário