Greve de trabalhadores deixa França paralisada

As greves na França contra o projeto de Reforma Trabalhista do governo de Hollande se estenderam a vários setores

Déficit da previdência social é farsa!

Com argumentos incontestáveis, Denise Gentil destroça os mitos oficiais que encobrem a realidade da Previdência Social no Brasil

Sindicalistas de todo o país aderem à Unidade Popular

Em um ato público realizado em Maceió, Alagoas, sindicalistas de vários estados aderiram ao Partido Unidade Popular pelo Socialismo

PL\4330 volta à pauta no Congresso Nacional

O movimento sindical deve colocar a luta contra o PL 4330 como uma batalha de vida ou morte para a classe trabalhadora.

Apesar de comum, assédio sexual no trabalho é pouco denunciado no Brasil

Vergonha, medo e dificuldade de provar a agressão levam as vítimas a preferir o silêncio.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Trabalhador e Subjetividade


As dinâmicas sociais, políticas, ideológicas e culturais que se iniciaram pela crise mundial da década de 70, com a desregulamentação do sistema monetário internacional, os choques petrolíferos, fim da paridade do dólar com o ouro, desemprego, alta de preços e as históricas derrotas sindicais e políticas dos trabalhadores, por exemplo, nas eleições que levaram ao poder Margaret Thatcher em 1979, Ronald Regan nos EUA, os golpes militares na América Latina e no Brasil a eleição de Fernando Collor em 1989 são o ponto inicial dessa análise. 
Em 1989, após 200 anos dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da revolução francesa, vem abaixo o muro de Berlim, maior símbolo da divisão de poder da guerra fria, como consequência da política de Michail Gorbachov  na União Soviética, provocadora de grandes  mudanças no quadro geopolítico mundial, preparando o terreno para implantação de um novo modelo econômico.
Ainda em 1989, “coincidentemente”, acontece o Consenso de Washington, um conjunto de medidas, formulado por economistas do FMI,  Banco Mundial e Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que se tornou a política oficial do FMI Internacional em 1990, para promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em desenvolvimento que passavam por dificuldades, confirmando a partir daí a hegemonia norte americana, iniciada com a força das armas na segunda guerra mundial.
A partir da composição desse cenário, aliado às novas tecnologias, intensifica-se a ofensiva do capital, impondo processos de reestruturação produtiva nas grandes empresas, caracterizados pela desregulamentação e flexibilização do trabalho, tendo como medidas, por exemplo, a terceirização, redução de custo e postos de trabalho.

Um novo modelo de gestão de pessoas com planos de demissões, incentivos a aposentadorias, readequação de quadro, disponibilidade, transferência compulsória, nova nomenclatura no plano de carreira, etc., é imposto aos trabalhadores. O discurso muda. Não se diz mais trabalhadores assalariados, mas funcionários, escriturário, gerentes disso e daquilo, assistentes, colaboradores, etc., esvazia-se o discurso de classe. Exige-se do trabalhador atitudes proativas e propositivas capazes de torná-lo membro da equipe que visa a cumprir metas, “enquadrando-o” dentro de uma estrutura de dominação que o subjetiva, transformando-o num componente desumanizado de um organograma, transformando seu trabalho vivo em trabalho mercadoria, dando-lhe uma nova identidade, um crachá, um pertencimento, passando a empresa a ser o elo mais significativo, a acompanhar e ditar sua vida como um todo, corroendo sua autoestima e personalidade, reconstruindo novas formas de consentimento e passividade, tornando-o mais suscetível às imposições do capital, desviando sua percepção de classe (dessubjetivação) como trabalhador assalariado. Permitindo como contrapartida ao cumprimento de metas, na maioria das vezes abusivas, a participação no lucro e outros benefícios que não integram o salário para a aposentadoria e auxílio doença, por exemplo.

Observa Eric Hobsbawn, “a destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos que vinculam nossa experiência pessoal às das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX.” Na verdade, a reestruturação capitalista, ocorrida no bojo da crise estrutural do capital, operou a destruição do passado implodindo a memória coletiva – e diga-se de passagem, coletivos sociais constituídos no decorrer das lutas de classes do tempo passado. Prossegue “quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem.” Por isso, a luta contra o capital é a luta contra o esquecimento.

Não se pode perder o senso de pertencimento, como na história do pastor que contratou um hipnotizador, fazendo com que suas ovelhas acreditassem ser outro animal, esquecendo sua consciência de classe, para que não resistissem quando o pastor levava uma de suas iguais para o matadouro. “Não sou ovelha”, diziam.

É difícil para o trabalhador, imerso nesse modelo de gestão, no dia-a-dia de uma empresa, perceber a subjetivação que o conforma, mas ao menos deve estreitar suas relações, buscar uma identificação com os seus, começando pela sindicalização.

Milton Porto - Espírito Santo

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Greve na construção de Caruaru conquista aumento de salário e café regional


Parou tudo! Os trabalhadores das empresas Cidade Alta, J.D Lira, CPs, Brapo, Celi, Comello, Cinzel e Venâncio pararam com uma adesão impressionante muita disposição de luta para garantir os nossos direitos.

Nestes dois dias de greve não teve construção de casas, prédios, de faculdade, escolas e nem de hospital. De fato nada foi construído!

Os dias 3 e 4 de dezembro de 2013 entraram para história como a maior greve dos trabalhadores da construção civil de Caruaru, organizada pelo Sintracon e o Movimento Luta de Classes, onde foram contabilizados mais de 4.600 trabalhadores em greve.

As principais avenidas da cidade ficaram paradas pra ver passar a enorme passeata com centenas de trabalhadores gritando “Trabalhador na rua, a greve continua”, e “trabalhador na rua, patrão a culpa é sua”, com faixas, cartazes, panfletos e dois carros de som denunciando para a população os motivos da greve.

Os patrões até tentaram impedir, mas a nossa força e a nossa união foi maior que a pressão patronal e eles não tiveram outra saída e se apressaram em solicitar uma nova rodada de negociação e dessa vez os donos das maiores empresas foram obrigados a vir negociar pra resolver a situação e as obras paradas.

Foram horas de negociação e muita pressão dos trabalhadores que lotaram o auditório do Ministério do Trabalho e no final pode em assembleia, avaliar junto com toda diretoria do Sindicato e votar garantindo as melhores conquistas para os trabalhadores da construção, foi acordado: 9% de aumento, café da manhã regional, o feriado da terça-feira de carnaval que em Caruaru tinha sido trocado pelos vereadores da cidade pelo dia de São Pedro e o abono dos dias da greve.

Após dois dias de luta era visível a felicidade de cada trabalhador ao perceber que o fruto da sua organização foi o aumento da nossa união, a demonstração de força para os patrões e o exemplo a ser seguido por outras categorias, mais um vez fica a lição: TRABALHADOR UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO!

Samuel Timoteo, Caruaru

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

MLC realiza curso de formação sindical em Alagoas


Sábado, 7 de dezembro, foi um dia de muita discussão e formação política na sede do Sintufal. Sindicalistas ligados ao Movimento Luta de Classes e diretores do Sintufal, SAE-AL e Sindsuper se reuniram para debater conjuntura e a luta sindical.
Emerson Oliveira, coordenador geral do Sintufal e anfitrião do evento, compôs a mesa e saudou a todos os presentes afirmando a importância de realizar momentos como esse. “A conjuntura de crise do capitalismo, avanço das desigualdades e tentativas de retirada de direitos dos trabalhadores aumenta a responsabilidade dos sindicalistas em lutar por outra realidade social”, afirmou Oliveira.
Pela manhã, Magno Francisco, coordenador do MLC, fez uma exposição sobre a conjuntura brasileira em 10 anos de governo do PT e as eleições em 2014. “A crise econômica aponta a falência do capitalismo. O momento é de intensificação da luta de classes em todo o mundo. No Brasil a realidade não é diferente. No próximo ano o cenário é de intensificação das mobilizações", afirmou Magno.
Lucas Barros, economista e funcionário do IBGE, expôs o quadro de miséria em Alagoas face os 10 anos de governo do PSDB em Alagoas. “Temos a pior educação, IDH e taxa de homicídios do país. Isso é resultado de uma política voltada para garantir os interesses das elites. E mais, os escândalos da Assembleia Legislativa demonstram que, muito mais do que a sigla a que os políticos representam, defendem o interesse econômico dos capitalistas”, afirmou Barros.
No período da tarde, Ésio Melo, Daniel Calisto e Emerson Oliveira fizeram a apresentação da história do movimento sindical, sua atualidade e o debate de o porquê um movimento sindical classista. “É preciso construir na luta sindical uma alternativa de sociedade para os trabalhadores. Chega de fome e exploração, só o socialismo pode acabar com a miséria, a carestia e o desemprego”, afirmou Calisto.
O evento encerrou por volta das 17 horas, contou com a presença de 20 trabalhadores de 7 categorias diferentes. No encerramento, Jeamerson Santos, coordenador do Sintufal e também do MLC, convocou aos presentes aumentarem o estudo, a formação política e a luta dos trabalhadores em cada categoria. Ao mesmo tempo, convidou a todos para se engajarem na construção do 2º Congresso Estadual do MLC que será realizado no primeiro semestre de 2014.

Texto: Ésio Melo
Foto: Vanessa Sátiro

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Cerca de 400 trabalhadores da construção civil fazem protestos em BH


Mais uma vez, trabalhadores da construção civil fizeram manifestações em Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira (4). Os protestos acontecem no bairro Nova Granada, na região Oeste da capital, no Barro Preto e na avenida Afonso Pena, no hipercentro da capital. Manifestantes começaram a se dispersar por volta de 16h30.


De acordo com a Polícia Militar, aproximadamente 100 manifestantes estiveram na avenida Silva Lobo e os outros 300 na rua Barbacena. Os atos aconteceram de forma pacífica. Por volta do meio dia, os manifestantes deslocaram da avenida Afonso Pena com Curitiba para a Olegário Maciel com rua Bernado Guimarães. Por volta das 15h, eles ocupavam a rua Timbiras entre Bias Fortes e São Paulo. De acordo com o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, por volta de 16h30 os manifestantes liberaram as vias.

Há quase duas semanas, a categoria reivindica melhorias salariais, melhorias nos alojamentos, fim da terceirização nos canteiros de obras, almoço e café em todos os canteiros de obras e melhorias das condições de trabalho, com adoção de medidas coletivas e individuais de segurança.

Nessa terça-feira (3), o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) informou, por meio de nota, que "continua em negociações abertas com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Belo Horizonte (STIC-BH), tratando da proposta para reajuste dos salários, a constar da Convenção Coletiva de Trabalho 2013/2014.
O Sinduscon-MG reitera que está buscando um entendimento alinhado com realidade e com a conjuntura econômica nacional e do setor da Construção, que deve registrar crescimento abaixo dos 2% neste ano.

Quebradeira

Nesta quarta-feira, denúncias davam conta de que os trabalhadores promoveram uma quebradeira na região da Pampulha, onde outro grupo de manifestantes protestava contra a falta de diálogo entre a categoria e o sindicato patronal. A reportagem de O TEMPO entrou em contato com representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Belo Horizonte (STIC-BH) e do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Pesada (Marreta), que afirmaram desconhecer a confusão.

Fonte: O Tempo

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Altamiro Nobre, do Sintufal, fala sobre a experiência da participação no 9º ELACS no México


Entre os dias 4 e 6 de outubro, ocorreu na Cidade do México (MEX) o 9º Encontro Latino Americano e Caribenhos de Sindicalistas – ELACS. Evento que reuniu lideranças do movimento sindical do México e de mais seis países.
A direção colegiada do Sintufal, fruto de um debate sobre a importância da formação política no movimento sindical, enviou o seu coordenador Altamiro Nobre e apoiou a ida de outra liderança sindical, Magno Francisco  do Movimento Luta de Classes, para representar Alagoas.
Altamito Nobre é coordenador de patrimônio e secretaria, trabalha há 30 anos no setor de manutenção do HU e desde que entrou na UFAL participa do movimento sindical. Já participou representando a base de diversas atividades da FASUBRA, Marchas e Comandos de Greve.
Questionado sobre a experiência de ter ido a outro país a serviço da luta dos trabalhadores, afirmou: “Essa foi uma oportunidade única que tive. Pela primeira vez na história, o Sintufal enviou um diretor que cruzou as fronteiras para trocar experiências sindicais e participar de um evento tão importante. Fiz questão de levar comigo a bandeira do Sintufal e fazer ser conhecida dos outros países e outros estados as nossas lutas, compartilhamos conhecimentos. Fico orgulhoso de finalmente termos hoje no sindicato pessoas que se identificam com movimento sindical e sabe o que é investir na formação política”.
Com o tema, “As lutas e perspectivas dos diversos setores de trabalhadores frente à crise”, o 6º ELACS serviu para debater a situação do capitalismo no mundo e a ofensiva da classe dominante e de seus governos em retirar direitos históricos dos trabalhadores. “Os problemas sociais que vivemos e estão se agravando é consequência da crise econômica que os países vêm passando, imposta pelo capitalismo e os Estados Unidos. Os povos estão sendo massacrados, as industrias estão demitindo e os direitos estão sendo cortados, assim como, os investimentos em saúde, educação e saneamento básico”, completou o sindicalista.
As lutas dos trabalhadores em diversos países têm sofrido retaliações e perseguições aos grevistas. “O governo tenta aprovar a lei de greve para impedir a luta do movimento sindical que a cada dia mais cresce, é vergonhoso ver um governo dito de esquerda cortar ponto de servidores públicos em luta”, disse Altamiro que compreendeu que essa não é uma realidade exclusiva do Brasil.
“Rafael Correia, presidente do Equador, pôs na cadeia sindicalistas e lideranças dos movimentos sociais que estavam à frente de mobilizações contra o governo. Essa é uma tática usada para tentar frear a luta dos trabalhadores em todo o mundo”, completou.
Altamiro defendeu a importância da união e da conscientização no evento. “Precisamos urgentemente educar todas as categorias, inclusive os técnicos administrativos para ter mais força e enfrentar o governo sabendo o que realmente a gente está fazendo. A experinecia de nossa últimas greves demonstram que quanto mais conscientização e engajamento mais direitos são conquistados, agora, quando a categoria está desunida e não participa agente sai da greve com quase nada”, ressaltou Nobre.
Os problemas e perspectivas de como construir o movimento sindical esteve sempre como foco do evento. O coordenador Altamiro Nobre relatou que seu pronunciamento no evento foi para denunciar a ação daqueles que não constroem as lutas e se colocam contra ações que conscientizam de transformações.
“Está sendo muito difícil haver um enfrentamento dos sindicatos com o governo. Existe gente que se infiltra dentro dos sindicatos e não carregam a bandeira como um sindicalista deve fazer, o interesse dele é outro. A gente tem que educar mais, fazer cursos de capacitação e política sindical, para que a categoria se conscientize que tem haver mudanças e até uma revolução se for preciso para que se mude esse quadro”, finalizou o coordenador do Sintufal.

Projeto de Lei (PL) 4330 quer ampliar a superexploração dos trabalhadores.


A crise econômica mundial desespera os ricaços do mundo. Após organizarem guerras para dominar o petróleo de países como Iraque, Palestina, Líbia e Síria, querem aumentar os lucros a todo custo. As medidas são agressivas: depor representantes que vacilem em aplicar a política de diminuição de custos do estado; zerar os gastos sociais em saúde, educação, moradia e transportes; aumentar a jornada de trabalho, a rotatividade no emprego, o tempo para aposentadoria, diminuição dos salários, precarização das condições de trabalho, dos preços e dos gastos com exército e polícia.

Em tempos de crise a terceirização é um objetivo fundamental para os capitalistas. Trata-se da legalização das piores condições de trabalho, conhecida no sistema capitalista, a partir do século 18. Segundo matéria de A Verdade (edição de Julho/2012), pesquisas do DIEESE, opiniões de entidades sindicais e da experiência prática, vivemos o aumento das doenças e mortes do trabalho.

O mito da Atividade-fim

Com objetivo de diminuir os gastos com os direitos dos trabalhadores, foi desenvolvida a política de contratar outra empresa para prestar serviços auxiliares - “Atividade meio” -  à produção central, isto é, a terceirização. Entretanto, sabemos que não é possível produzir um carro sem manutenção das máquinas, limpeza da fábrica e portaria, por exemplo. Este ataque foi vitorioso e está consolidado na sociedade. O próximo passo agora é terceirizar a “atividade-fim”.

Em tramitação no Congresso

O deputado do PMDB-GO Sandro Mabel, é o autor do PL 4330, que visa viabilizar a terceirização da “atividade-fim” flexibilizando as leis trabalhistas, segundo o deputado isso é “modernizar as relações de trabalho”. A verdade é que esse objetivo não é moderno, o de garantir o super lucro e a saída da crise através da superexploração dos trabalhadores.


O Movimento Luta de Classes soma forças nessa luta, faz um chamado a todas as centrais sindicais do país a se unirem e organizarem grandes greves para derrubar esse ataque e defender conquistas históricas dos trabalhadores que só foram possíveis graças a luta de morte de várias gerações do povo brasileiro.