quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Tese do MOVIMENTO LUTA de CLASSES – MLC – ao XIV Congresso do SEPE


POR UM SINDICALISMO CLASSISTA, EM DEFESA DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES E DO SOCIALISMO!
            “A história de toda a sociedade até hoje é a história da luta de classes.”
(K. Marx e F. Engels, Manifesto do Partido Comunista)
A pátria das manifestações ¹
“Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem”. B. Brecht


As grandes manifestações que tomaram as ruas do País em junho assustaram tanto a direita quanto algumas forças políticas da esquerda.
Centenas de balas e de bombas foram atiradas nos manifestantes. No total, mais de 1.000 pessoas foram presas e centenas foram feridas e hospitalizadas. A repressão foi tão feroz que nem mesmo repórteres dos jornais que clamaram por mais violência foram poupados.
Diante da brutal selvageria da polícia, a luta contra o aumento das passagens transformou-se em luta política contra a repressão e pela liberdade de expressão e de manifestação. Os protestos cresceram e se espalharam pelo país afora, impulsionados também pela realização dos jogos da Copa das Confederações em estádios caríssimos construídos com dinheiro público, enquanto hospitais, postos de saúde e escolas se encontram em péssima situação, como denunciaram criativos cartazes com os dizeres: “Queremos saúde e educação padrão Fifa”.
O tiro saiu pela culatra, e também as balas de borracha e as bombas de lacrimogêneo. A direita e seus meios de comunicação ficaram encurralados. Em todas as capitais, mas também em cidades do interior, os estudantes foram às ruas exigir redução dos preços das passagens, passe livre, denunciar os gastos com a Copa da Fifa, o descaso com a saúde e a educação, desafiar o poderoso aparelho de repressão. Uma manifestação no Rio chegou a reunir mais de 1 milhão de pessoas e calcula-se que mais de dois milhões de brasileiros foram às ruas em três semanas.
Como não conseguiram deter as manifestações com a repressão, as classes dominantes passaram a afirmar nos seus meios de comunicação que grupos de vândalos estavam saqueando lojas e depredando o patrimônio público e privado. É claro que elementos ligados ao tráfico de drogas se aproveitaram da situação para roubar algumas lojas. Mas assaltos a restaurantes, arrastão e roubos ocorrem com ou sem manifestações. A bem da verdade se for realizada uma análise rigorosa, ver-se-á que durante as manifestações houve uma redução da criminalidade.
Ademais, as depredações que porventura ocorreram, foram, sem dúvida, bem menores do que a causada pela realização da 11º rodada de leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP), um prejuízo calculado em R$ 1,5 trilhão, sem contar a afronta à soberania nacional.
Aliás, há saque maior que gastar metade do Orçamento da União, do Governo Federal, para pagar juros aos banqueiros e especuladores da divida pública? E o que dizer de entregar bilhões para as montadoras de automóveis e nada investirem para melhorar o transporte público, num país onde a imensa maioria da população usa ônibus, trem ou metrô?
Há vandalismo maior que exibir sem nenhum pudor, na TV, milionários em carros luxuosos, bebendo champanhe em taça de ouro, gastando R$ 700 mil em joias e colocando seus cães em creches com aulas de natação, como faz o programa Mulheres Ricas, da TV Bandeirantes, quando a imensa maioria da povo brasileiro faz apenas uma refeição por dia e vive na pobreza? E o que dizer da violência de um sistema econômico que eleva os juros para aumentar os preços e, assim, impedir que o povo compre o que ele precisa.
Lições das ruas
Não há porque desconfiar ou temer a juventude. Toda a história da humanidade e do nosso próprio país revela que a juventude é uma força progressista e revolucionária. Esteve à frente de todos os grandes movimentos da luta pela nacionalização do petróleo, pelo fim da ditadura etc. Não será agora que ela irá desapontar os trabalhadores e a nação. Não, isso não ocorrerá, principalmente, se não a abandonarmos às balas e às bombas dos fascistas comandantes da Policia Militar. De toda maneira, vale a pena lembrar aqui as palavras de Emile Zola:
“Aonde vão vocês, jovens, aonde vão, estudantes, que correm em bandos pelas ruas manifestando vossas cóleras e entusiasmos, sentindo a imperiosa necessidade de lançar publicamente o grito de vossas consciências indignadas? Vão a busca da humanidade, da verdade, da justiça!” (Carta à Juventude).
Conjuntura Internacional: ²
Passados cinco anos desde a explosão da atual crise econômica do sistema capitalista, seus efeitos continuam presentes nos distintos países do planeta, com maior ou menor intensidade em uns e outros.
O que mais se destaca dela, nos últimos meses, é a resposta dada pelos trabalhadores, a juventude e os povos às medidas econômicas implementadas pelos governos burgueses e pelos organismos financeiros internacionais com o suposto afã de superá-la. Para a burguesia, fica cada vez mais difícil descarregar a crise sobre os ombros dos trabalhadores porque estes têm uma melhor compreensão que a crise deve ser paga por aqueles que a provocaram.
            A Europa é um exemplo vivo da enorme e constante mobilização social contra os programas econômicos neoliberais; nela, a classe operária e a juventude desempenham papéis memoráveis. Entretanto, o velho continente não é o único ponto do planeta onde os governos de plantão e as classes dominantes no poder são alvos de protesto: o Norte da África, Ásia e América Latina são também cenários de importantes lutas.
            A luta dos povos árabes tem adquirido particular importância. Combativas demonstrações de força derrubaram odiosas tiranias aliadas ao imperialismo, a exemplo da Tunísia e do Egito, e foram o estopim de ações combativas das massas trabalhadoras em outros países da região, como o Bahrein, Iêmen, Jordânia, Marrocos e Argélia.
Na América Latina, após um período de inflexão da luta social produzido particularmente nos países governados por regimes qualificados de “progressistas”, assistimos a um novo despertar da luta das massas trabalhadoras que ultrapassa as fronteiras nacionais e anima a luta dos povos irmãos. Combatem por salários dignos, educação, saúde, pelo pão, por democracia, direitos políticos, em defesa da soberania, dos recursos naturais, contra a corrupção, enfim, batalham pela vida, por liberdade!
Nestas contendas coincidem os povos dos países nos quais a burguesia abertamente neoliberal ainda se mantém no poder, assim como os regidos pelos denominados governos “progressistas”. Em uns e outros governos, além das óbvias diferenças que não podemos perder de vista, há também muitos aspectos coincidentes. É difícil diferenciar, por exemplo, a Lei de Segurança Cidadã colombiana da sua similar equatoriana ou das reformas ao Código Integral Penal deste mesmo país, que penalizam o protesto social; pouco ou nada destoam as reformas trabalhistas de evidente conteúdo neoliberal aplicadas no México com as existentes no Brasil, ou as denominadas leis antiterroristas que são executadas na Argentina, no Peru, etc.
Tanto os governos “progressistas” como os neoliberais apostam no extrativismo (saque dos recursos naturais) como via de desenvolvimento, de progresso e bem estar, mas que bem ensina a história é o caminho para a consolidação da dependência estrangeira, da pauperização dos povos e da irremediável destruição da natureza. Concordam também esses governos no impulso de reformas jurídicas e institucionais em prol de uma dinamização da institucionalidade burguesa, necessária para os novos processos de acumulação capitalista e, além disso, orientadas ao controle social e à criminalização dos protestos populares.
A partir de concepções políticas distintas, mas não irreconciliáveis, as facções burguesas à frente destes governos concorrem a processos de modernização do capitalismo, com o que aspiram provocar maiores níveis de acumulação para as oligarquias nativas e melhores condições para participar no mercado capitalista mundial.
As mudanças que se desenvolvem na América Latina e no Caribe não são outra coisa que um desenvolvimento do capitalismo. Em alguns casos são uma superação ao neoliberalismo, mas de nenhuma maneira uma negação do sistema imperante, pois não põem fim à propriedade privada sobre os meios de produção, não acabam com o domínio dos banqueiros, empresários e latifundiários.
            Contra as intervenções militares do Imperialismo no oriente médio e à Autodeterminação dos povos!           
            Desde o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 (com a anuência da Companhia Central de Inteligência – CIA), os EUA começaram uma nova escalada de guerras e terror pelo oriente médio. Já se passaram mais de 12 anos e a única coisa que ficou claro aos olhos do mundo é que as guerras, ora provocadas pelos EUA, ora pelos irmãos siameses da Europa, tornou-se uma guerra por recursos naturais. Especialmente por petróleo.
            A mais recente investida do império norte americano é a Síria, onde mundialmente a imprensa, hegemonizada pela CNN e suas reprodutoras de notícias nos distintos países, chama exércitos mercenários de rebeldes, financiados e armados pelos EUA e treinados por Israel e pela Al-Qaeda, tentam de toda forma tomar o poder e entregar os recursos naturais daquele país aos países imperialistas que já tentam garantir sua fatia do bolo.
            Por isso, nós, do Movimento Luta de Classes – MLC, erguemos bem alta a bandeira do internacionalismo entre os trabalhadores, contra a espoliação das riquezas naturais e pelo direito a autodeterminação dos povos
Conjuntura Nacional: ³
            Com a eleição de Dilma (PT) para a presidência do Brasil em 2010, continuidade do Governo Lula eleito em 2002, perpetua a decisão de não realizar nenhuma ruptura com o sistema imperialista, nem reestatizar as estatais privatizadas, e ainda garantir os privilégios ao grande capital financeiro e livre ação para os monopólios internacionais na economia brasileira. Nesse período se constatou um impressionante processo de desnacionalização e de desindustrialização da economia brasileira.
            Números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDIC) revelam que na lista das 50 maiores exportadoras, 22 são empresas de alimentos (grãos, carnes, suco de laranja, açúcar), combustíveis (etanol), insumos (sementes), produtos como celulose e papel, entre outros, e, pela primeira vez desde 1978, a exportação de produtos básicos (commodities) superou a exportação de manufaturas.
Outra comprovação da desindustrialização da economia brasileira é revelada no aumento do déficit industrial: entre 2005 e 2010 este déficit passou de US$ 31 bilhões para US$ 34 bilhões de valor negativo. No total, o déficit no comércio exterior de bens industriais alcançou US$ 65 bilhões. (Luiz Gonzaga Belluzo e Júlio de G. de Almeida, Carta Capital).
 Tal fenômeno levou alguns economistas da Comissão Econômica para a América Latina da ONU (Cepal), a denominarem esse processo de “reprimarização” da economia, isto é, retorno ao modelo que caracterizou a exploração do Brasil e demais países latino-americanos durante o período colonial.
Governo Dilma dá continuidade ao pagamento da dívida, às privatizações e aos leilões do petróleo.
            Em 2012, o Governo Federal gastou R$ 753 bilhões com juros e amortização da  dívida pública, o que totaliza R$ 45 bilhões a mais do que 2011 e atingiu o impressionante valor de R$ 2.8 trilhões e consome 44,93% dos recursos do Orçamento da União, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida do Brasil.
            Seguindo a lógica do neoliberalismo, que na era FHC foi responsável pelo maior roubo da história do Brasil, o governo Dilma, ao invés de reestatizar, continua privatizando.
            A dilapidação do patrimônio público é regra, vamos citar como exemplos nossos aeroportos e o nosso petróleo.
O governo vai entregando nosso espaço aéreo "passo a passo" através do programa de concessão de aeroportos à iniciativa privada, sem freios a privatização vai além de Guarulhos, Viracopos (SP), Brasília, Galeão (RJ) e Confins (MG). A estratégia entreguista do governo é tirar a importância da estatal Infraero, que controlava o setor até o ano passado, e torná-la anã no setor, cuidando apenas dos aeroportos de menor importância.
Já no que diz respeito ao petróleo, segundo o próprio governo estamos diante da maior entrega do nosso patrimônio, um crime lesa-patria, quando sabemos que se trata de fonte de energia escassa e a mais estratégica para o futuro, segue declaração do Ministro Pimentel em entrevista à BandNews FM.
 "O governo colocou em oferta pública o maior pacote de concessões na história do Brasil. Nem no tempo do Império, da Colônia, houve uma oferta tão grande. Então o objetivo nosso aqui é mostrar isso ao investidor americano, às grandes empresas, aos grandes bancos e fundos",
Só numa estimativa inicial o Campo de Libra teria 12 bilhões de barris, que renderiam a preços de hoje, logo estimativa subvalorizada, dado ao aumento progressivo pela escassez, algo em torno de U$$ 1,5 trilhões.
A saída para a crise
Nesse cenário, vastos setores da classe trabalhadora, dos povos e da juventude buscam alternativas e caminhos. Aos revolucionários, socialistas e suas entidades de classe cabe jogar um papel mais dinâmico, denunciar a natureza da opressão e da exploração, esclarecer a natureza de classe dos conflitos, a traição da burocracia sindical, da aristocracia operária, e a ação dos oportunistas.
Nesse processo, é indispensável desenvolver o sindicalismo classista, a unidade do movimento operário e sindical, a unidade na ação e no programa. Devemos trabalhar pela unidade do movimento popular, pela incorporação à luta das massas camponesas, da juventude e dos povos oprimidos. Em uma só frente, devemos enfrentar o capitalismo e o imperialismo e levantar a bandeira do Socialismo.
Nosso norte deve ser o Socialismo! Por um verdadeiro processo revolucionário, apoiado na unidade dos trabalhadores, dos camponeses, da juventude, das mulheres, e na tradição libertária dos povos. Esse deve ser o nosso compromisso.
Contra à violência a mulher!
As mulheres estão submetidas tanto em nosso país, como em grande parte do mundo, a uma violenta opressão e exploração. Somente em nosso país 5.700 mulheres são assassinadas por ano. Mais de 50.000 foram vítimas de estupros em 2012 e cerca de 300 morrem em decorrência de abortos mal sucedidos. A violência nas escolas atinge diretamente as mulheres, já que estas são a maioria dos trabalhadores da educação básica.
O tráfico de mulheres é cada vez maior e, ainda, sofre com a exploração, abusos e assédio dos patrões e todo o mesquinho e pesado trabalho doméstico. Desse modo, a propaganda de que as mulheres têm plenos direitos e, esta é emancipada, não passa de uma grande mentira da burguesia e de seus meios de comunicação.

Abaixo a violência econômica!

Hoje, além de assumirem todo o trabalho de casa como: cuidar dos filhos, fazer comida e a limpeza; as mulheres trabalham fora de casa, recebendo salários menores que os dos homens, aumentando a discriminação econômica. A inexistência de creches, lavanderias e restaurantes coletivos, aumentam a pesada jornada de trabalho.
As professoras tem que trabalhar em várias escolas para poder sobreviver. As merendeiras, por exemplo, são bastante exploradas tendo que carregar panelas pesadas por não ter funcionários suficientes para dividir as funções, assim como as funcionárias da limpeza.
O SEPE, um sindicato que tem uma base composta majoritariamente por mulheres, deve garantir maior debate das pautas especificas. Implementar um efetivo combate ao machismo e todos os tipos de assédio que ocorrem no interior das escolas. Construindo a emancipação da mulher, não apenas do machismo, mas de todas as formas de exploração do homem pelo homem.

A Meritocracia e o Culto ao Individualismo!
Vivemos em uma sociedade cujo princípio moral é “Primeiro cuida de ti, para depois pensar nos outros”. Todo nosso sistema econômico é baseado na exploração do homem pelo homem, tornando impossível a melhoria da vida de todas as pessoas. Assim, para manter a ilusão nesse regime econômico, a burguesia procura convencer a maioria explorada de que o segredo do sucesso é “não se importar em pisar nas outras pessoas nem com o sofrimento de ninguém”.
Variadas são as formas, tais como filmes, novelas, canções, revistas e jornais, escolas e universidades, que a burguesia utiliza para propagandear essa sua moral. Vejamos o exemplo claro dessa ideologia sendo propagada na educação pública no estado e município do Rio de Janeiro.
O prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral, ambos do PMDB, a fim de melhorar o índice de avaliação da educação a qualquer custo são responsáveis por bônus e gratificações aos professores que mais atingirem as metas de aprovação em conjunto com entrega de laptops e etc... para aqueles estudantes que mais se destacam. Criando uma divisão entre os professores e os estudantes.
Mas o que é real?
A situação que atravessa a educação no Rio de Janeiro e Brasil, não é nova. Violência física e verbal contra professores, funcionários das escolas e estudantes; baixos salários, jornadas extensas de trabalho; superlotação de salas de aula; falta de material pedagógico; autoritarismo de algumas direções; inexistência de planos de carreira e de concursos públicos; grades e mais grades, que fazem das escolas espaços não agradáveis, mas espaços que mais se parecem com prisões. Estes são alguns dos problemas que enfrenta a escola pública atualmente.
O que observamos é que, tanto no Estado, como no país, prevalece uma lógica economicista e empresarial a fim de aumentar a produtividade das escolas, aumentar a aprovação e reduzir os custos. Ao mesmo tempo em que os governos promovem o sucateamento da educação, a iniciativa privada invade as escolas públicas, transvestidas de “parceiros da educação”. Pois, o dinheiro deve sobrar para ser investido em outras áreas em que prevalece o interesse dos empresários.
Mas por que as coisas são assim?
Investir em educação não parece ser, como mostram os dados, interesse do Estado. Como bem escreveu Lênin, no livro O Estado e a Revolução, o Estado é o aparelho de dominação de uma classe sobre a outra. Desta maneira, vivendo sob o capitalismo, o Estado é o aparelho de dominação da burguesia sobre os trabalhadores. A burguesia utiliza-se das mais variadas formas de oprimir e explorar os trabalhadores para conseguir se manter no poder e uma dessas formas é o que faz com a educação pública.
Uma juventude que receba uma educação de qualidade, na qual aprenda a pensar criticamente, a questionar a situação na qual vive, não é o interesse dos patrões. Imaginem se todos os trabalhadores se dessem conta de que, enquanto recebem míseros salários, seus patrões enriquecem às suas custas? Imaginem se os jovens aprendessem na escola toda a história de luta de nosso povo contra as injustiças; toda a história de luta da juventude?  Por isso não é natural encontrarmos a educação nesta situação. É intencional privilegiar o interesse de meia dúzia de capitalistas e reservar pouquíssimo do orçamento público para a educação. É intencional que tenhamos milhares de analfabetos e jovens abandonado os bancos escolares.
A resposta dos professores!
Milhares de professores, trabalhadores de escolas e estudantes foram às ruas protestar contra essa situação, dando uma verdadeira aula a todos aqueles que dizem que nosso povo é acomodado.
Suas salas de aulas foram transferidas para as avenidas de mais de uma dezena de capitais brasileiras e não apenas os estudantes, mas todos os trabalhadores brasileiros puderam aprender a lição que tinham para ensinar: a educação pública está mal e somente à luta pode salvá-la. Essa lição foi ensinada sem giz e com muita combatividade.
Os Estados do Ceará, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Sergipe, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Paraná, Rio de Janeiro, Amapá e Pará realizaram greves em 2011. Isso sem falar nas inúmeras paralisações e manifestações não apenas nestes, mas em praticamente todos os Estados brasileiros.
Os profissionais de Educação do município do Rio de Janeiro, que não faziam greve há muitos anos, conseguiram adesão de mais de 80% da rede. Realizaram grandes assembleias e passeatas, chegando a ter até 20 mil profissionais marchando pelas ruas da cidade.
Lutamos por educação pública e gratuita
A educação pública precisa de mais investimentos. Portanto, apenas dizer que se defende 10% do PIB para educação não ajuda. É preciso que se mostre de onde esses recursos devem ser retirados e como serão utilizados. Ou seja, da enorme fatia que vai para o pagamento da dívida pública, para o pagamento de juros a bancos e grandes empresas. Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, em 2010, enquanto 44,93% do PIB brasileiro foi utilizado para o pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da dívida pública, apenas 2,89% foram destinados à educação
Além disso, os professores, todos os trabalhadores da escola, comunidade e os estudantes são quem devem decidir como a escola deve ser. Como querem aprender e o que necessitam aprender e ensinar.
Por tudo o que foi dito a luta não é e não pode ser apenas dos trabalhadores da educação. A luta em defesa da educação pública é a luta contra as privatizações. É a luta pelo direito à greve. É a luta pelo direito que os milhões de jovens têm de receber uma educação de qualidade e os educadores de ter condições dignas para realizar tal tarefa. É a luta em favor de que o dinheiro público, o dinheiro que é fruto da riqueza produzida por trabalhadores e trabalhadoras, seja usufruído por estes e utilizado em suas necessidades básicas, como saúde e educação.
Pelo respeito à vontade da maioria!
No atual regime proporcional, a composição da diretoria do SEPE/RJ estabelece uma gestão composta por membros de todas as chapas e, a divisão de cargos é realizada de acordo com os percentuais obtidos por cada grupo concorrente. Desta maneira, se uma chapa obtém 50% dos votos válidos, ocupará 50% dos cargos de diretoria.
Dessa forma não é possível identificar claramente os responsáveis pela condução politica, administrativa e financeira do sindicato.
A Majoritariedade determina que a chapa vitoriosa do processo eleitoral, isto é, a que obtiver o maior número de votos dentre as participantes, ocupará, em sua totalidade, os cargos e responsabilidades da diretoria, sendo a única responsável por construir a gestão.
O Movimento Luta de Classes – MLC defende a majoritariedade nas eleições para a diretoria por entender que é necessário responsabilizar as lideranças pelas posições que levam a categoria ao sucesso ou a derrota. Acreditamos que as divergências devem ser tratadas em seus respectivos fóruns, apresentando à categoria o que houver de melhor em suas formulações para que a categoria unida, soberana e democraticamente decida qual o rumo da luta.
Chega de engessamento interno no SEPE! A base tem que ter confiança em seu sindicato, e isso pressupõe o respeito à vontade da maioria!
Pelo direito a memória, verdade e Justiça!
Não a criminalização dos Movimentos Sociais!
Esse ano que se inicia completará dois anos da instalação da Comissão da Verdade Nacional. Nesse período avanços positivos foram notados, porém ainda está longe de cumprir com seu papel. E, parte fundamental, deve-se ao movimento sindical que pouco participou e ajudou avançar na luta política pela elucidação dos crimes da ditadura Civil-Militar, que assolou nosso país por 21 anos.
            Recentemente, em meios às manifestações de junho um caso de desaparecimento veio a tona, o do operário da construção civil Amarildo. Após, mais de dois meses de investigação e apuração dos fatos, constatou-se a verdade. Amarildo foi torturado e morto, nas dependências da UPP da rocinha, comunidade onde morava.
            Para nós do Movimento Luta de Classes – MLC, a elucidação, julgamento e prisão dos torturadores da ditadura não são apenas para que estes paguem por seus crimes, mas, que também, essa prática hedionda seja abolida de nossa sociedade. Pois, como podemos observar a prática da tortura continua viva e matando trabalhadores até o dia de hoje.
Para que não se esqueça! Para que nunca mais aconteça!
                                   Venha para o MOVIMENTO LUTA de CLASSES !
                                               Basta de exploração, vamos à luta!
            O Movimento Luta de Classes (MLC) surgiu da necessidade dos trabalhadores lutarem por seus direitos e, hoje, está organizado em vários estados. Nossa tarefa principal é transformar o sonho dos trabalhadores de viver num país honesto e justo. Para isso, é necessário que o MLC cresça; seja implantado em diversas categorias e se fortaleça o mais rápido possível como uma corrente de pensamento e ação no movimento sindical brasileiro, construindo um sindicalismo classista capaz de obter vitórias na luta por uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, a Sociedade Socialista.
            Esse trabalho adquire uma importância ainda maior hoje, quando atravessamos a pior crise do capitalismo, período este que os patrões utilizam para retirar direitos conquistados por décadas de luta pelos trabalhadores. Por isso, é preciso a organização dos trabalhadores na defesa de seus direitos contra os exploradores e seu modelo econômico que garante fortunas para os capitalistas e desemprego e baixos salários para os trabalhadores.
            Portanto, é preciso se organizar e lutar, lutar e se organizar!
            Para colocar essas ideias e propostas em ação, convidamos você e seus companheiros de trabalho a ingressarem e construírem, junto conosco, esta corrente de ação sindical com o objetivo de contribuir na luta para transformar o Brasil numa nação digna e soberana.
Viva a luta dos trabalhadores! Abaixo o capitalismo! VIVA o SOCIALISMO!
¹A pátria das manifestações”(Texto de Luiz Falcão – Jornal A Verdade)
²Avaliação da Conferência “Problemas da revolução na América Latina”. Quito, Equador, julho de 2013.
³ Programa do PCR para a Revolução Socialista brasileira. Edições Manoel Lisboa, 2013.
Assinam essa Tese a Coordenação Nacional do Movimento Luta de Classes (MLC), e os militantes da base da educação estadual e municipal do Rio de Janeiro.



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