quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Trabalhadores da Schin fazem paralisação contra demissões


Os cerca de 70 empregados da cervejaria Schin, responsáveis pela distribuição da bebida em todo o Litoral paraibano, cruzaram os braços durante toda a última quarta-feira, 6. O protesto foi organizado pelo SINDMAE (Sindicato dos Motoristas e Ajudantes de Entrega) e pelo Movimento Luta de Classes (MLC) contra as demissões em massa e o desrespeito da empresa aos direitos trabalhistas.

A paralisação iniciou às seis da manhã, com os trabalhadores organizando um piquete em frente à empresa. Nenhum caminhão entrou ou saiu da garagem da cervejaria. O clima logo se tornou tenso, com a administração da Schin solicitando a presença da Polícia Militar e utilizando de seguranças armados para intimidar os grevistas.

Mas a categoria manteve-se firme e não recuou. Em assembleia geral, a base aprovou a pauta de reivindicações, que foi entregue à administração da empresa e protocolada na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRT) e ao Ministério Público do Trabalho.

Vendo que não adiantava ameaçar os trabalhadores, sofrendo com um dia inteiro de prejuízo, a direção da Schin resolveu negociar. No dia seguinte convocou a direção do movimento para uma reunião e atendeu a maioria das reivindicações, com exceção das demissões que a empresa alegou está em crise financeira e não ter condição de manter o quadro total de funcionários.

Foi acordado: o abono do dia de paralisação; pagamento em 15 dias do retroativo do vale-alimentação dos motoristas referente à data-base 2013; começar a zerar em 20 dias o banco de horas, concedendo folgas aos trabalhadores que têm horas-extra acumuladas; reconhecimento da liberdade de associação dos trabalhadores, com o desconto da mensalidade sindical em favor do SINDMAE; entre outras reivindicações.

Esta já a segunda paralisação na base do SINDMAE (Sindicato dos Motoristas e Ajudantes de Entrega da Paraíba) em cerca de dois meses. No dia 3 de junho, cerca de 100 funcionários da Refresco Guararapes, empresa responsável pela distribuição da Coca-Cola em todo o Litoral paraibano, iniciaram uma paralisação em repúdio ao acordo rebaixado assinado pelo Sindicato dos Motoristas, que formalmente negocia em nome da categoria, apesar de não possuir um único filiado na base.

Para Marco Antônio, presidente do Sindmae, “mobilizações como estas demonstram que a categoria dos motoristas e ajudantes de entrega não aguenta mais ser explorada pelos patrões com a conivência do Sindicato dos Motoristas. Estamos demonstrando na prática qual é o verdadeiro sindicato da categoria”.
Segundo Radamés Cândido, dirigente do Movimento Luta de Classes, o clima na categoria é de alegria. Após a paralisação todos os trabalhadores se filiaram ao Sindmae.

Clodoaldo Gomes, João Pessoa - PB

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