Greve de trabalhadores deixa França paralisada

As greves na França contra o projeto de Reforma Trabalhista do governo de Hollande se estenderam a vários setores

Déficit da previdência social é farsa!

Com argumentos incontestáveis, Denise Gentil destroça os mitos oficiais que encobrem a realidade da Previdência Social no Brasil

Sindicalistas de todo o país aderem à Unidade Popular

Em um ato público realizado em Maceió, Alagoas, sindicalistas de vários estados aderiram ao Partido Unidade Popular pelo Socialismo

PL\4330 volta à pauta no Congresso Nacional

O movimento sindical deve colocar a luta contra o PL 4330 como uma batalha de vida ou morte para a classe trabalhadora.

Apesar de comum, assédio sexual no trabalho é pouco denunciado no Brasil

Vergonha, medo e dificuldade de provar a agressão levam as vítimas a preferir o silêncio.


segunda-feira, 30 de março de 2015

Stiupb começa a Campanha Salarial 2015 na Cagepa


A campanha salarial dos trabalhadores e trabalhadoras da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), em 2014, confirmou-se como uma das mais difíceis dos últimos anos. Contudo, 2015 já começou com mobilizações construídas pelo Sindicato dos Urbanitários da Paraíba (Stiupb), desde fevereiro, a partir de reuniões com os diretores regionais e delegados sindicais. Assim, desde o dia 25 de março, assembleias estão sendo realizadas em todo o Estado, como em Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras, Monteiro, Guarabira e Picuí.

“Estamos felizes com a participação da categoria, sinalizando com um bom grau de maturidade de classe. Neste ano, estamos lutando por 13% de reajuste salarial, tíquete-alimentação de R$ 800,00 e diminuição do valor que os trabalhadores pagam para ter direito ao plano de saúde”, declarou Wilton Maia, presidente do Stiupb.

Neste ano, o tema da campanha é “Agora é a nossa vez! Vem pra luta”, em referência às mobilizações populares que têm ocorrido no país desde 2013. “Agora, é hora de os cagepeanos levantarem suas bandeiras e exigirem que suas reivindicações sejam atendidas. Os direitos não são dados, mas conquistados com a unidade da categoria, que decide coletivamente suas ações”, finaliza Wilton.

Redação PB

terça-feira, 24 de março de 2015

Arrocho para os trabalhadores e bondades para os banqueiros


Em discurso na 1ª reunião ministerial do seu segundo mandato, a presidenta Dilma Roussef justificou as novas medidas econômicas do governo afirmando que a economia brasileira sofreu com um choque externo e com um choque interno; disse a presidenta: “Nós reduzimos nosso resultado primário para combater os efeitos adversos desses choques sobre nossa economia e proteger nossa população. Agora, atingimos um limite para isso”.

No mesmo sentido, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, que, devido à redução dos preços das commodities (produtos agrícolas e minérios que o Brasil exporta), o processo de criação de empregos e de inclusão social começou a desacelerar nos últimos dois anos, e que “para ter investimento é preciso ter confiança. Por isso, tomamos a decisão de adotar medidas para aumentar a confiança na economia”.

Mas, apesar da retórica da presidenta Dilma e do ministro da Fazenda para explicar as medidas adotadas visando a garantir um superávit primário de 1,2% do PIB para pagar a dívida pública, a realidade insiste em mostrar que, em vez de melhorar, a vida dos trabalhadores e do povo, o ajuste fiscal vai agravar a crise na economia brasileira.

Com efeito, os preços dos alimentos e dos combustíveis e as tarifas de água e de eletricidade continuam subindo e causando a diminuição real dos salários e do poder de compra das massas trabalhadoras. Além disso, o desemprego está crescendo; no ano passado, a indústria demitiu 216 mil operários, e a construção, 73 mil, e, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o número de famílias endividadas já é de 57,8%. O próprio ministro Joaquim Levy declarou, dessa vez em Nova Iorque, no dia 18 de fevereiro, diante de uma plateia de 185 investidores estrangeiros, que o crescimento econômico de 2014, que tinha sido anunciado de 0,2%, pode ter sido negativo, isto é, não houve crescimento nenhum.

Como é sabido, o objetivo do chamado ajuste fiscal é economizar R$ 66,3 bilhões. Porém, a estratégia do governo para obter essa economia não foi cortar aquela que é a sua principal despesa: o pagamento de juros aos donos dos títulos da dívida pública, e sim reduzir direitos e benefícios dos trabalhadores brasileiros, como deixam claro as Medidas Provisórias 664 e 665, que mudam as regras do seguro-desemprego, do abono salarial, de pensão e o auxílio-doença, além de cortes nos orçamentos de vários ministérios.

Rotatividade

Com a nova regra, o trabalhador, para ter direito ao seguro-desemprego pela primeira vez, terá de comprovar que trabalhou 18 meses, já para a segunda solicitação, um mínimo de 12 meses. Somente na terceira vez, a carência voltará a ser de seis meses.

Ora, uma das principais características do mercado de trabalho no Brasil é exatamente a grande rotatividade, pois os patrões têm por política demitir para, em seguida, contratar outro trabalhador com um salário menor. De fato, estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, de cada 100 trabalhadores, 55 não chegam a completar nem um ano com o mesmo empregador. Portanto, mais da metade dos trabalhadores jovens que ingressarem no mercado de trabalho perderão direito ao seguro desemprego, e passarão a viver à mingua até conseguirem um novo emprego. Tal política, sem dúvida, economizará alguns poucos bilhões ao governo, mas tornará ainda mais difícil a vida da juventude trabalhadora brasileira.

Porém, se quisesse, o governo poderia seguir outro caminho. De acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, o Orçamento Federal reserva para o pagamento da dívida R$ 1,356 trilhão, ou 47% de tudo que o Brasil arrecada. Bastaria, por exemplo, reduzir em dois pontos percentuais a taxa básica de juros, a Selic, para se ter uma economia de R$ 60 bilhões, o que tornaria dispensável qualquer ajuste fiscal à custa dos trabalhadores. Em vez disso, entretanto, o Banco Central eleva seguidamente os juros favorecendo ao Bradesco ter um lucro de R$ 15,8 bilhões e o Itaú de mais de R$ 20 bilhões em 2014, e, assim, transferindo renda dos mais pobres para os mais ricos.

Também, se tivesse coragem para enfrentar as classes ricas, o governo poderia fazer valer a Constituição brasileira e regulamentar o Imposto sobre as Grandes Fortunas.

Na realidade, o governo tornou-se completamente submisso ao capital financeiro. A própria nomeação do ministro da Fazenda mJoaquim Levy, só ocorreu após reuniões e contatos com grandes empresários e, em particular, com o dono do Bradesco, Lazaro Brandão. Porém, pior que nomeá-lo foi levar à prática a receita neoliberal de austeridade fiscal: reduzir direitos dos trabalhadores; aumentar os juros para diminuir o consumo da população e endividá-la ainda mais e diminuir os investimentos sociais, tudo para obter um superávit primário e atender à vontade da oligarquia financeira.

Portanto, embora o governo arrecade dinheiro principalmente da população trabalhadora e não dos ricos, destina a maior parte desses recursos para proteger a burguesia¹. Prova disso é que centenas de grandes empresas de 56 setores da economia foram beneficiadas, nos últimos anos, com o não pagamento de impostos, embora tal privilégio não tenha sido dado a nenhum trabalhador. As montadoras de automóveis, por exemplo, receberam, entre 2008 e 2012, cerca de R$ 11,3 bilhões em renúncia fiscal (direito para não pagar impostos). Mesmo assim, como estamos vendo, demitem milhares de trabalhadores.

Pobreza e condições de vida

Para a população pobre, a grande maioria dos brasileiros, sobra um pequeno percentual do total arrecadado pelo governo. Com certeza, somente em 2014, o governo entregou R$ 251,1 bilhões aos credores da dívida pública, e com o Bolsa Família gastou apenas R$ 25,2 bilhões.

A situação da saúde pública é grave em todo o país; hospitais públicos com doentes amontoados nos corredores e pacientes morrendo por não conseguir realizar uma cirurgia. Na educação, o corte de verbas já afeta nas universidades federais serviços como os de segurança, limpeza e transporte, além de atraso de salários de trabalhadores terceirizados e das bolsas estudantis.

O próprio salário mínimo, mesmo com o aumento real de 73% nos últimos 12 anos, é de R$ 788,00, valor muito abaixo das necessidades de um trabalhador e de sua família. Na América Latina, embora seja um salário maior que o pago no Peru (R$ 643,36) e na Colômbia (R$ 685,61), é menor que o do Chile (R$ 938,21) e o da Argentina (R$1.438,85).
Apesar de toda a propaganda sobre milhões de famílias que saíram da pobreza, temos muitos mais milhões de pessoas morando precariamente, se alimentando mal e sem direito à cultura e ao lazer. Resultado da grave crise social que o Brasil vive, os presídios estão abarrotados com mais de 600 mil presos amontados em condições desumanas e imorais.

Infelizmente, graças às novas medidas econômicas, esse quadro vai se agravar, pois um dos objetivos do chamado ajuste fiscal é diminuir o consumo da população e gerar desemprego para tornar a força de trabalho do operário brasileiro mais barata, e dessa forma aumentar o lucro dos capitalistas.

Em outras palavras, a crise que atravessa a economia brasileira não é consequência do aumento do consumo, como quer dar a entender o governo com as seguidas altas dos juros realizadas pelo Banco Central. Pelo contrário, o que entrava a economia são os baixos salários, são milhões de trabalhadores excluídos do mercado formal de trabalho ou sem carteira assinada, e, principalmente, o fato de todas as riquezas produzidas no campo e na cidade serem apropriadas e servirem ao enriquecimento de uma pequena minoria². Reduzir salários, desempregar trabalhadores, eliminar direitos e aumentar juros, em vez de ampliar os investimentos na economia, irá diminuí-los, pois os capitalistas só investem para ter lucro, e, para ter lucro, necessitam, além de explorar o operário, vender as mercadorias produzidas.

Ora, segundo o IBGE, 44,8% das famílias brasileiras, isto é, 108 milhões de brasileiros, sobrevivem com até um salário mínimo per capita, e 72% dos trabalhadores ganham até dois salários mínimos. Acontece que grande parte desse salário está comprometido com aluguel e alimentos, com o que é necessário para sobreviver, e, ainda, com o pagamento de dívidas. Assim, vive-se um esgotamento, pois o salário tem seu limite e o endividamento da população também. Mas trata-se de um esgotamento relativo, pois, se os salários fossem maiores, se poderia consumir mais. Logo, era preciso aumentar os salários, reduzir a jornada de trabalho para 40 horas, congelar os preços dos alimentos, reestatizar todos os setores estratégicos da economia, como água, energia, transportes, minérios e petróleo, enfim, ter como prioridade ampliar os direitos e melhorar as condições de vida da população.

Acontece que a classe dominante, a burguesia que controla o Congresso Nacional e também o governo, resiste a qualquer medida que signifique elevar o poder de compra dos trabalhadores porque isso significa reduzir a taxa de exploração, a mais-valia, e, consequentemente, seu lucro.
Concentração da riqueza

Como os capitalistas resistem a essas mudanças e usam de todos os meios que possuem para impedi-las, as crises econômicas nunca são resolvidas profundamente no capitalismo, e provocam uma enorme destruição das forças produtivas, falência de milhares de empresas e demissão de milhões de trabalhadores; a economia é mergulhada na recessão.

Tal situação é cíclica e ocorre em qualquer país capitalista, seja ele muito ou pouco desenvolvido, imperialista ou dependente. Prova disso é a atual crise que vivem os países capitalistas europeus, os próprios Estados Unidos e até a China, que, depois de décadas seguindo o caminho de “enriquecer é glorioso”, começa a enfrentar o esgotamento característico do modo de produção capitalista. Em resumo, não existe crescimento sustentável ou duradouro no capitalismo; sempre após um período de crescimento, vem um período ainda maior de crise, de desemprego, de inflação, de arrocho salarial e fechamento de indústrias e lojas.

Em outras palavras, o objetivo principal numa economia capitalista não é satisfazer as necessidades da população e sim garantir que a classe capitalista, a classe dos donos dos meios de produção, tenha lucro e acumule capital. Para obtê-lo, o capitalista precisa pagar ao trabalhador um salário menor do que o valor da mercadoria que ele produz e vender o que foi produzido. Só que, para vendê-las, é preciso ter compradores, e com os salários baixos que as massas consumidoras recebem não é possível, muitas vezes, adquirir até mesmo um quilo de carne ou uma roupa nova para o filho.

Vejamos dois exemplos. Segundo a União Brasileira de Avicultura (Ubater), o consumo do brasileiro de carne de frango caiu de 45 quilos por habitantes em 2012, para 41,8 quilos em 2013. As montadoras de automóveis, um dos setores da economia que mais recebeu benesses do governo, vão produzir, este ano, 5,6 milhões de unidades, mas a demanda prevista é de apenas três milhões. Isto significa que o setor terá 53% de sua capacidade ociosa. O limite, portanto, não é do governo, mas do povo.

Portanto, para resolver os problemas de uma economia capitalista, é necessário resolver as contradições do sistema capitalista, em particular, a principal contradição existente, a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações de produção capitalistas, isto é, estabelecer a propriedade coletiva dos meios de produção em vez da propriedade privada, retirar o poder das mãos da burguesia e substituir o capitalismo pelo socialismo.

Por isso, ou os trabalhadores se organizam para lutar por seus direitos e para pôr fim ao atual sistema econômico e político ou continuarão sofrendo uma brutal exploração e opressão.

Ademais, diferente do que pregam alguns economistas pequeno-burgueses, a burguesia não quer o fim do seu Estado, mas que ele a sirva com exclusividade. Por isso, exige e reclama a todo momento para que o Estado implemente políticas em seu favor – aumente impostos pagos pelos trabalhadores e lhe dê isenção fiscal, corte benefícios dos trabalhadores, como o seguro-desemprego, privatize as empresas que são lucrativas, e flexibilize as leis trabalhistas, enfim, luta para o Estado proteger seus interesses. Por isso, não vimos na atual crise mundial nenhum burguês propor que o Estado acabasse, mas sim que os recursos públicos fossem usados para salvar monopólios e grandes bancos. Chegaram ao ponto de aplaudir a estatização de algumas empresas e bancos porque elas eram essenciais para evitar uma quebradeira generalizada, como ocorreu em 1929.

Mas, para esconder esse real objetivo das medidas econômicas do governo, as autoridades usam da eloquência e de pomposas palavras, como “reduzimos nosso resultado primário para combater os efeitos adversos” ou “para ter investimento é preciso ter confiança”.

Qual a saída para a crise?

Desse modo, embora a proposta de realizar uma reforma política tenha um caráter progressista, ela é insuficiente para resolver a atual crise que vive o Brasil. Na realidade, é um desserviço ao desenvolvimento da consciência das massas trabalhadoras, e em particular, da classe operária, propagar que uma reforma, por mais importante que seja, vai salvar o povo e a nação, mantendo, entretanto, a posse dos meios de produção, das fábricas, da terra, das máquinas, dos bancos, e até do governo, nas mãos da grande burguesia e do capital financeiro. Antes de tudo, é necessário deixar claro que, para solucionar verdadeiramente seus problemas, os trabalhadores brasileiros necessitam realizar uma autêntica revolução popular, conquistar o poder político e transformar profundamente a estrutura econômica do país. Dito de outro modo, a contradição existente na sociedade brasileira não é nem nunca foi entre uma elite má e uma burguesia nacional do bem, mas entre, de um lado, a grande burguesia nacional e estrangeira, que se apossou do conjunto dos meios de produção, e, de, outro, os trabalhadores, a classe operária e os camponeses, verdadeiros produtores das riquezas do país, mas que nada possuem, além do miserável salário que recebem.

Dizem que a revolução é uma palavra de ordem muito radical e que não temos correlação de forças para realizá-la já, e, assim, temos que ter uma tática que nos permita alcançar o que é possível, pois a direita está na ofensiva. Ora, a direita cresceu exatamente devido a essa tática do “fazer o que é possível” e por partidos ditos de esquerda passarem a se comportar da mesma forma que os partidos de direita, receberem generosos financiamentos das grandes empresas capitalistas, seus quadros criarem escritórios de consultoria para receber milhões dos capitalistas e pregar que o capitalismo interessa tanto ao empresário quanto ao operário, que não é possível crescer sem investimento privado ou estrangeiro no país e fazer reforma da previdência em vez da reforma agrária³. Mas também por afirmar na campanha eleitoral que não vai privatizar e depois privatizar aeroportos, rodovias, realizar leilões do nosso petróleo; permitir que o capital estrangeiro compre hospitais e forme empresas na área da Saúde e tenha participação acionária no Banco Brasil ou anunciar que vai privatizar parte das ações da Caixa Econômica Federal. Como se não bastasse, entregar todos os ministérios importantes ao comando de banqueiros e da grande burguesia agrária e adotar um pacote de medidas econômicas contrárias aos interesses dos trabalhadores.

Por fim, o fato de ainda não termos correlação de forças para realizar uma revolução não dá o direito a ninguém de deixar de dizer qual é a verdadeira solução para a crise que vive o nosso país desde o golpe militar de 1964, pois, como disse o comandante Che Guevara, “a melhor maneira de educar um povo é fazê-lo entrar em revolução”.

Lula Falcão, membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário – PCR

Notas
¹ Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os 10% mais pobres do Brasil pagam 44% mais impostos do que os 10% mais ricos.

²De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Brasília  (Incra), apenas 2,3% dos proprietários rurais controlam 47,2% de todas as terras existentes no Brasil e números da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) apontam que 0,9% mais ricos do País detêm entre 59,90% e 68,49% da riqueza dos brasileiros.

³Nas palavras de Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, a maneira de receber dinheiro das grandes empreiteiras que tinham contratos milionários e superfaturados na Petrobras, como a UTC, a OAS, a Odebrecht, a Queiroz Galvão, entre outras, funciona assim: “As empresas estão ganhando dinheiro. Ninguém precisa corromper ninguém. Funciona assim: ‘Você está ganhando dinheiro? Estou. Você pode dar um pouquinho do seu lucro para o PT? Posso, não posso.’ É o que espero que ele (João Vacari Neto, tesoureiro do PT) tenha feito”.



terça-feira, 17 de março de 2015

Ato em BH destacou defesa de direitos e necessidade de ampliar unidade popular


Dia 13 de março foi marcado por uma grande manifestação que reuniu pelo menos 5.000 pessoas na região central de Belo Horizonte. O ato convocado pela CUT, CTB, MST, entre outras entidades, apresentou como pauta a necesssidade de uma reforma política, o fim das Medidas Provisórias 664 e 665 – que retiram importantes direitos dos trabalhadores, a defesa da Petrobrás. Também foram alvo dos manifestantes o combate à corrupção e a defesa da democracia, numa clara referência aos setores de direita que defendem o Impeachment da presidente Dilma Roussef.

As manifestações começaram desde cedo, quando um grupo de trabalhadores petroleiros, em conjunto com integrantes do Movimentos dos Atigindos por Barragens (MAB) promoveram ato em frente à Refinaria Gabriel Passos (Regap) da Petrobrás, na cidadede Betim, região metropolitana de Belo Horizonte.

Às 16 horas, a Praça Afonso Arinos, em frente à Faculdade de Direito da UFMG, foi sendo ocupada por manifestantes que seguiram em passeata até a Praça Sete. O ato mesclou momentos de defesa aberta do governo Dilma e de combatividade, com palavras de ordem e canções de protestos, destacando a pauta apresentada pelos sindicatos e movimentos sociais.

Durante a manifestação a presidente da CUT, Beatriz Cerqueira, cobrou dos parlamentares da base do governo presentes “que tenham compromisso e não votem em favor da retirada de direitos dos trabalhadores”. Além disse, Beatriz foi enfática ao falar a todos os que ocupam cargos públicos nos governos federal e estadual, numa referência direta ao governo de Minas Gerais (hoje governado por Fernando Pimentel, do Partido dos Trabalhadores), para que não percam os rumos nem adotem políticas contrárias aos interesses populares. Entre as dezenas de lideranças que se pronunciaram esteviram Leonardo Pericles, que falou em nome da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Leonardo destacou a importãncia de se fazer mudanças estruturais no pais, como a Reforma Agrária, suspensão do pagamento da dívida, prisão para empresas corruptoras e políticos corruptos, a reestatização de todas empresas estatais privatizadas, a Petrobrás 100% pública, entre outras medidas necessárias para o avanço econômico do Brasil. Já Mariana Ferreira, da AMES-BH, falou que o governo federal não deve retirar recursos da educação para financiar banqueiros e exigiu a cadeia para todos os que cometeram crimes durante a ditadura militar.

Para grande parte dos presentes na manifestação é preciso manter as mobilizações de rua e reforçar a construção uma unidade de forças populares mais à esquerda, consequente e combativa em defesa do Brasil, das liberdades democráticas e dos direitos.

Fernando Alves, Minas Gerais

Sindicalistas de todo Brasil aderem à Unidade Popular em Alagoas


Em um ato público, realizado na manhã da última sexta (13), no Teatro Linda Mascarenhas em Maceió, Alagoas, cerca de 100 sindicalistas de vários estados do Brasil aderiram ao Partido Unidade Popular pelo Socialismo – UP. A nova organização é uma ferramenta para avançar a luta da classe trabalhadora pelo socialismo.

Esteban Crescente, membro da Executiva Nacional Provisória da UP, declarou que a adesão dos companheiros e das companheiras do Movimento Luta de Classes e demais sindicalistas é fundamental para implementar o projeto histórico da classe trabalhadora.

“A UP ela existe porque ela tem um projeto claro para a sociedade, ela existe para defender a bandeira do socialismo. Não se defende a bandeira do socialismo sem ter uma forte base na classe trabalhadora. Sem os trabalhadores não vai haver a construção desse projeto e nem da UP”, disse Esteban, que é servidor da UFRJ.

Esteban Crescente, membro da Executiva Nacional Provisória da UP

A mesa foi composta por representantes de sindicatos classistas e de luta, como o dos Professores do Rio Grande do Sul (CPERS), o dos Urbanitários da Paraíba (STIUP), o dos trabalhadores da construção civil de Caruaru, o dos jornalistas da Paraíba, o dos trabalhadores em telecomunicação do Rio de Janeiro (Sinttel) e o dos trabalhadores em informática e processamento de dados de MG (Sindados-MG), entre outros.

Para Wilton Maia, presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba, “a UP vem para ocupar o espaço dos que abandonaram as lutas populares, abriram espaço para fazer concessões profundas para o capital e para a corrupção. A UP deve ser construída por todos aqueles que discordam de tudo isso que está aí, unindo vários militantes sérios que estão desiludidos, e pela maioria da classe trabalhadora e popular desse país. Nós temos um partido para avançar a luta dos que mais sofrem”.

Wilton Maia, presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba

A crítica ao atual governo e à direita não passaram em branco na atividade. Camila Áurea, representante da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações e Pesquisa – FITRATELP, afirmou que a classe trabalhadora já não mais se engana com a falácia do governo e que sente na pele as medidas desse ajuste fiscal, mas que é preciso construir uma saída de esquerda para a crise.

“Não podemos permitir que essa crise do governo caia na mão da direita e aprofunde ainda mais as condições de vida do povo brasileiro, avançando a terceirização do trabalho e reduzindo direitos. O país precisa enfrentar os ricos e monopólios que são os responsáveis pela exploração do povo”, denunciou Camila.

Indira Xavier, do Movimento de Mulheres Olga Benário, também aderiu à UP

O representante da Executiva da UP fez um chamado para todos se dedicarem à luta pela construção da nova organização. “Aqueles que estão vendo nossa mensagem sintam-se à vontade para aderir a uma opção que não abandonou o projeto da classe trabalhadora, construído na história da luta de classe. Não interessa às elites que tenhamos o nosso partido. Por isso, temos que seguir o exemplo da classe trabalhadora e trabalhar duro para coletar assinaturas em cada manifestação, em cada ato e nos bairros populares, porque é aí que queremos construir a nossa organização”, concluiu Esteban.

Ésio Melo, do Jornal A Verdade

Alckmin e o PSDB estão destruindo a Sabesp! Readmissão de todos os demitidos!


Marzeni Pereira, uma das lideranças da oposição sindical na Sabesp
Desde o mês de novembro do ano passado, um verdadeiro clima de terror se instalou em todas as áreas da Companhia Paulista de Saneamento, a Sabesp. Até o momento, mais de 400 trabalhadores e trabalhadoras foram demitidos afetando a sobrevivência de centenas de pessoas e atacando a qualidade dos serviços de fornecimento de água e tratamento de esgoto no Estado de São Paulo.

Entre os demitidos está Marzeni Pereira, funcionário da empresa há 22 anos e uma das lideranças da oposição à atual diretoria do Sindicato. A demissão de Marzeni às vésperas da greve da categoria convocada para a próxima quinta-feira, 19 de Março, é uma prova das perseguições políticas que Alckmin e o PSDB estão promovendo na empresa.

O Movimento Luta de Classes (MLC) se solidariza com o companheiro Marzeni e com todos os outros demitidos e se soma à luta pela readmissão imediata. As demissões na Sabesp, assim como as demissões no Metrô de São Paulo, são políticas e serão revertidas na luta conjunta dos trabalhadores.

No caso da Sabesp, as demissões têm ainda o objetivo de enxugar os custos da empresa para garantir os lucros dos capitalistas donos de ações na bolsa de Nova Iorque. Mais uma vez, Alckmin e o PSDB priorizam o lucro dos capitalistas ao invés de garantir um serviço de fornecimento de água adequado para a população.

Com tantos demitidos, o número de vazamentos de água crescerá e a manutenção da rede de água e esgoto será seriamente prejudicada. O número de empresas terceirizadas também tende a crescer, aumentando dessa maneira os casos de corrupção na empresa, já que os gerentes e superintendentes da Sabesp utilizam esses contratos com terceiros para receber comissões e enriquecer ilicitamente.

A atitude radical de destruição da empresa por parte de Alckmin e do PSDB acontece no momento em que o Estado vive uma grave crise de abastecimento, momento em que é necessário mais investimento, funcionários experientes no trabalho e estatização completa da empresa para que ela cuide do suprimento de água de maneira estratégica e não objetivando o lucro. Não resta à categoria outra atitude se não a mobilização e a greve para barrar esses ataques do governo.

Solidariedade aos trabalhadores da Sabesp!

Readmissão de todos os demitidos!

Por uma Sabesp 100% pública!

Não à privatização da água!


Coordenação Nacional do Movimento Luta de Classes – MLC 

terça-feira, 10 de março de 2015

Condição feminina no mercado de trabalho está longe da igualdade com homens, diz OIT




As mulheres já somam 58, 5% da mão de obra no Brasil (619,8 mil pessoas)

O último estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho revela que, mesmo com avanços obtidos nos últimos anos, a condição feminina no mercado de trabalho “está longe” da igualdade em relação aos homens.
O relatório O Desafio do Equilíbrio entre Trabalho, Família e Vida Pessoal mostra que a maior participação feminina no mercado de trabalho gera o desafio de se criar condições para que as mulheres possam concorrer de forma mais justa com os homens pelos postos de trabalho.
Elaborado em parceria com a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, o documento aponta que, dentre os fatores que contribuem para o quadro de desigualdade, está a maior dificuldade para as mulheres de conciliar trabalho e família.
Isso porque, conforme observa o estudo, há uma mudança em ritmo muito lento da divisão sexual do trabalho doméstico. “O modelo homem-provedor e mulher-cuidadora ainda vigente permite que a mulher continue arcando em forma unilateral, quando não exclusiva, com as atividades de cuidado e assistência aos membros da família e seu engajamento no mercado de trabalho permanece marcado por esse papel”, diz trecho da conclusão do estudo.
Para a OIT, essa característica “se evidencia tanto através do exame das carreiras que são tipicamente femininas, quanto pelas dificuldades de conciliar maternidade e profissão”. Para mudança desse quadro, a OIT sugere, por exemplo, a ampliação de políticas públicas voltadas para as mulheres, como a construção de creches públicas e pré-escolas.
“Os serviços públicos de cuidado com crianças, como é o caso de creches e pré-escolas, são fundamentais neste aspecto, dada sua possibilidade de também atuar como mecanismos de diminuição do peso e da quantidade de atividades de cuidado realizadas pela família”, diz o relatório.
“Como são as mulheres as protagonistas principais dessas atividades, a existência e a ampliação desses serviços também para os homens podem ajudar a reorganizar o modelo homem-provedor e mulher-cuidadora, na medida em que ampliam o tempo que as mulheres podem dedicar ao trabalho remunerado e/ou à sua vida pessoal.”
O relatório sugere ainda que as políticas de equilíbrio entre trabalho, família e vida pessoal devem compatibilizar os trabalhos não remunerados com os remunerados, por meio de ações que tornem o exercício do trabalho mais compatível com as responsabilidades familiares, e reconhecer tanto o papel econômico e produtivo das mulheres, quanto o papel dos homens como cuidadores.
O estudo compreende as relações de trabalho na América Latina e no Caribe, onde há mais de 100 milhões de mulheres inseridas no mercado de trabalho.
Fonte: Observatório Brasil de Igualdade da Gênero

segunda-feira, 9 de março de 2015

Trabalhadores marcharão contra o ajuste que beneficia os ricos


Foi convocado para o dia 13 de março, sexta-feira, um dia nacional de mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras contra o ajuste econômico neoliberal que está sendo realizado pelo atual governo. É uma convocação realizada por vários sindicatos, movimentos sociais e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A principal bandeira da marcha é a revogação das Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que atacam direitos conquistados como o seguro-desemprego, o abono salarial e o auxílio-doença. Além disso, a marcha será marcada pela defesa da Petrobras, empresa que representa 13% do Produto Interno Bruto do país e está sendo ameaçada pela ação de corruptos e pela vontade privatista de atores políticos de dentro e de fora do governo.

Como a marcha do dia 13 acontece a apenas dois dias das mobilizações convocadas pela extrema-direita para exigir o impeachment de Dilma (15 de março) é de se esperar certa polarização das posições pró e contra o governo federal. Essa situação, no entanto, apenas fortalece a necessidade da presença massiva na marcha, pressionando para barrar, sem nenhuma espécie de negociação, as medidas antipopulares propostas pelo governo.

Em São Paulo, a manifestação acontece em frente ao prédio da Petrobras, às 15h, mas outros atos vão acontecer nas principais cidades do país.

A marcha também defenderá a retirada da PEC 352/13, de autoria do ex-deputado petista Candido Vacarezza. Se aprovada, essa PEC significaria uma contrarreforma política que legalizaria a corrupção institucional da doação de empresas privadas aos partidos.

O Brasil vive um momento de múltiplas manifestações de rua que pressionam pela realização de transformações no país. Programas muito diferentes se confrontam nessas manifestações e interesses distintos estão em jogo. Esta realidade obriga a esquerda a ocupar as ruas no país todo, defendendo o programa da classe trabalhadora.

terça-feira, 3 de março de 2015

PL\4330 volta a pauta no Congresso Nacional




Foi desengavetado a toque de caixa o Projeto de Lei (PL) 4330/2004, que ameaça os direitos dos trabalhadores regulamentando a amplação sem limites da terceirização da mão de obra nos setores público e privado.De autoria do ex-deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), o projeto foi desarquivado no último dia 10 de fevereiro, e agora depende da iniciativa do novo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O PL 4330 aumenta ao grau máximo a terceirização em todos os setores de trabalho com o objetivo de baratear os custos com a mão de obra, favorecendo a classe dos patrões. O resultado disso é um aumento dos lucros e a destruição das leis trabalhistas.

Papo e patrão
Trabalhador acidentado da CEMIG
O patronato tem vários argumentos para tentar convencer os trabalhadores que este famigerado PL deva ser aprovado. Um deles é que ele "gera emprego". Mas a verdade é que o que mais geraria emprego em nosso país seria a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, o que ampliaria, e muito, o número de vagas na ocupação. Dizem ainda que não retirará direitos dos trabalhadores. Mas a verdade é que a precarização do trabalho é evidente na terceirização. Como se não bastasse os baixos salários e as piores condições de trabalho, é assustador o número de acidentes fatais que ocorrem com os terceirizados. Na Petrobrás a cada vinte dias morre um trabalhador terceirizado. Já na Companhia de Enegia Elétrica de Minas Gerais (Cemig), a cada 45 dias morre um. Assim, a luta contra a terceirização se torna uma luta pela vida dos trabalhadores.

O movimento sindical deve colocar a luta contra o PL 4330 como uma batalha de vida ou morte para a classe trabalhadora. Neste período de crise, o conservador congresso nacional pode aprovar esse projeto como saída para crise e aumentar a taxa de lucro dos patrões. Mas nós, trabalhadores, devemos dizer que não! O que o governo deve fazer é taxar as grandes fortunas como alternativa para aumentar o orçamento do país. 

Vamos às ruas contra o PL 4330!

Renato Campos, coordenação do MLC