sábado, 11 de julho de 2015

Mais uma do ajuste fiscal: Governo autoriza redução de salário e de jornada


Como parte do ajuste fiscal e com a suposta tentativa de evitar demissões, governo federal fez mais uma medida que retira direitos da classe trabalhadora. O chamado Programa de Proteção ao Emprego (PPE), autoriza aos patrões reduzirem a jornada de trabalho e os salários em no máximo 30%, o governo federal utilizará o recurso do FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, para arcar com metade deste corte, ou seja, se uma trabalhadora tiver 30% do seu salário cortado pelo patrão, o FAT cubrirá 15%, os outros 15% serão cortados no bolso da trabalhadora.

O fato é que esta medida é para salvar as empresas, como está colocado nas palavras de Miguel Rossetto, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, “ O programa é destinado a proteger empresas de setores atingidos por uma crise de produção e de vendas”. E não os trabalhadores, que veram seu poder de compra cair ainda mais.

O resultado prático desta medida é dar autoridade de lei as já ruins propostas que o patronato está fazendo nos acordos coletivos deste ano. A USIMINAS, por exemplo, propôs ao sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, Minas Gerais, reduzir a jornada e reduzir os salários, para manter os empregos, esta proposta já é feita por várias outras empresas da indústria metalúrgica. Em Ipatinga e em todo país,os trabalhadores tem se organizado e resistido para não perder direitos já conquistados. A Vallourec, antiga Mannesmam, demitiu 160 trabalhadores da noite para o dia, antes de iniciar a campanha salarial dos metalúrgicos da grande Belo Horizonte, já tentando colocar os trabalhadores na defensiva antes da abertura das negociações. Em São Paulo, os trabalhadores da Mercedes entraram em greve para garantir direitos, como fizeram os trabalhadores da GM no início do ano, greve para manter os empregos. A mesma crise ocorre da indústria da construção, onde vários operários estão sendo demitidos e não há oferta de emprego. Com isso, nas negociações coletivas ocorrerão demissões e jogarão os sindicatos na defensiva lutando para que a empresa reduza os salários. Não podemos deixar que isso aconteça!

Estas demissões no setor de transformação são para garantir os lucros dos diretores e acionistas das empresas, que já tiveram um longo auxílio da redução do IPI  (Imposto de Produto Industrializado) onde houve um aumento significativo no consumo de automóveis, aumentando os lucros. Agora estas demissões fazem os trabalhadores e trabalhadoras a pagarem pela crise.


Não tem conciliação!

    No entanto, o real problema é a produção anárquica, sem controle, que os capitalistas fazem para gerar lucros, e geram também crises de superprodução. Os pátios das montadoras estão abarrotados pois a classe trabalhadora, maioria esmagadora da população, não tem dinheiro para consumir. Então, não há conciliação que funcione, não é possível fazer uma política que seja “bom para todo mundo”. Só é possível haver uma opção, ou se defende a classe trabalhadora ou se defende os capitalistas. Como é sabido, se pudessem, os patrões não pagariam um centavo para os funcionários,extraindo de nós apenas a geração de seus lucros. Por isso, o Movimento Luta de Classes luta por uma sociedade sem a exploração de nossa classe por um bando de magnatas, uma sociedade sem patrões, uma sociedade socialista.

Renato Amaral
Coordenação Nacional do MLC

0 comentários:

Postar um comentário