Greve de trabalhadores deixa França paralisada

As greves na França contra o projeto de Reforma Trabalhista do governo de Hollande se estenderam a vários setores

Déficit da previdência social é farsa!

Com argumentos incontestáveis, Denise Gentil destroça os mitos oficiais que encobrem a realidade da Previdência Social no Brasil

Sindicalistas de todo o país aderem à Unidade Popular

Em um ato público realizado em Maceió, Alagoas, sindicalistas de vários estados aderiram ao Partido Unidade Popular pelo Socialismo

PL\4330 volta à pauta no Congresso Nacional

O movimento sindical deve colocar a luta contra o PL 4330 como uma batalha de vida ou morte para a classe trabalhadora.

Apesar de comum, assédio sexual no trabalho é pouco denunciado no Brasil

Vergonha, medo e dificuldade de provar a agressão levam as vítimas a preferir o silêncio.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Corte de empregos no setor bancário aumentou 97,6% em 2015, apesar de recorde de lucros


O balanço de 2015 dos bancos que atuam no Brasil ainda não foi fechado, mas até o 3º trimestre desse ano os cinco maiores bancos, Itaú, Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander lucraram cerca de R$ 55 bilhões, o maior valor já registrado na história do Brasil. Vale a pena lembrar que esse foi um período de recessão para todos os ramos da economia. A indústria recuou mais de 6% no primeiro semestre de 2015 e o comércio registrou a maior queda nas vendas desde 2003.
Na contramão do crescimento dos lucros os bancos demitem como nunca, ano após ano os banqueiros vêm fechando postos de trabalho. No dia 22 de janeiro de 2016 foi divulgada pela CONTRAF-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) em parceria com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB). Em 2015, os bancos que operam no Brasil fecharam 9.886 postos de trabalho. O número quase dobrou em relação a 2014, quando foram fechados 5.004 empregos no setor bancário, representando um avanço de 97,6%.
O estudo é feito mensalmente, usa como base os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e também revela que nos últimos três anos o setor permaneceu extinguindo empregos. Na comparação com o ano 2013, quando houve o corte de 4.329 postos de trabalho, os números de 2015 representam um aumento ainda maior, de 128,4%. Lucro e contratação de mão de obra são medidas inversamente proporcionais para os banqueiros, quanto mais lucram menos contratam.
Em outro estudo elaborado pelo Dieese em 2015 constatou que o bancário paga seu salário com apenas 6 horas de trabalho. No resto do mês, o trabalho do bancário é destinado apenas a obter lucro aos banqueiros. Tomando como exemplo o mês de março de 2015, cada bancário do Itaú produziu lucro líquido de R$ 67,7 mil para o banco. No entanto, o salário do bancário da instituição gira em torno de R$ 3 mil, ou seja, R$ 25 por hora trabalhada. Assim, em uma hora, o trabalhador lucra R$ 565 para o banco.
A PEB também demonstrou outros dados que comprovam a perversidade do Sistema Bancário no Brasil. Vejamos alguns:

Rotatividade e salário
De acordo com a pesquisa, além do corte de vagas, a rotatividade continuou alta. Os bancos contrataram 29.889 funcionários e desligaram 39.775, em 2015. A pesquisa também demonstra que o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.550,19, contra R$ 6.308,10 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 43,7% menor que a remuneração dos dispensados. Assim percebemos que a rotatividade é uma ferramenta que os banqueiros utilizam para diminuírem a massa salarial dos bancários. Demitem funcionários mais consolidados e que ganham mais e contratam trabalhadores (as) para ganharem o piso da categoria.

Desigualdade entre homens e mulheres

A pesquisa reforça também que as mulheres, mesmo representando metade da categoria e tendo maior escolaridade, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração. As 14.291 mulheres admitidas nos bancos, em 2015, receberam, em média, R$ 3.158,29. Valor 19,2% inferior à remuneração média dos homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 3.909,25. A diferença de remuneração entre homens e mulheres é ainda maior na demissão. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos entre janeiro e dezembro de 2015 recebiam R$ 5.439,40, que representa 23,4% a menos que o salário dos homens desligados dos bancos, de R$ 7.104,83. Os Bancos continuam reforçando o preconceito e a discriminação entre gêneros presente em nossa sociedade.
É urgente mais intervenção do Estado Brasileiro sobre as Instituições Financeiras Privadas que compõem o Sistema Financeiro Nacional, os bancos privados não cumprem nenhum papel social relevante, só se preocupam em elevar seus lucros ano após anos. Podemos perceber isso, por exemplo, com relação ao tipo de atividades que esses bancos preferem desenvolver, suas atenções estão voltadas para os investimentos que geram mais lucro e atacam diretamente os trabalhadores cobrando taxas abusivas, saqueando quem mais necessita. Só ofertam crédito quando garantem superexploração como o cartão de crédito, o empréstimo pessoal, o empréstimo consignado, entre outros.
As politicas que geram de fato desenvolvimento para o país estão na mão dos Bancos Públicos, tais como o Crédito Agrícola, o financiamento habitacional, financiamento para infraestrutura e saneamento, etc.
Mas maior parte dos lucros das Instituições Financeiras vem do famigerado pagamento de juros da dívida pública brasileira. A dívida pública é, de longe, o maior gasto do governo, consumindo quase R$ 1 trilhão por ano do orçamento público, sendo metade apenas para pagamento de juros. A dívida pública representa quase 50% do orçamento federal, enquanto educação e saúde recebem menos de 4% cada. O pior é que até hoje não se sabe exatamente de onde essa dívida surgiu, quais são seus contratos, porque pagamos esses valores e para quem são pagos.
Desde a promulgação da Constituição em 1988 está previsto a Auditória dessa dívida, mas até hoje nada foi feito nesse sentido, o lobby dos magnatas no sistema financeiro é muito pesado tanto no Executivo quanto no Legislativo, o que impede a realização dessa auditoria. Outro ponto que merece ser destacado é que maior parte das doações para as campanhas eleitorais vem dos Bancos.
Em 2009/2010, a CPI da Dívida realizada na Câmara dos Deputados encontrou diversos indícios de ilegalidade na dívida brasileira, apesar de diversos documentos terem sido negados à CPI pelo Banco Central e Ministério da Fazenda. Devido a muitas manobras dos representantes dos banqueiros no Congresso Nacional essa CPI não alcançou resultados que poderiam mudar de fato essa realidade de exploração do povo brasileiro.
Para piorar a situação, o Governo Dilma (PT) mostrou mais uma vez sua total subserviência aos abutres do Sistema Financeiro e mais uma vez traiu os trabalhadores (as) brasileiros. Depois de 28 anos, o Congresso Nacional aprovou a Auditoria da Dívida com participação da sociedade civil, mas Dilma vetou. É urgente a mobilização da sociedade para pressionar o Congresso para a derrubada do veto presidencial. A associação AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA iniciou uma campanha pela internet no Brasil inteiro para mobilizar e denunciar esse absurdo que acomete silenciosamente os brasileiros com total submissão do poder público.
É nosso dever participar e divulgar, precisamos ser ativos para combater os parasitas que exploram o Povo Brasileiro!

Warley Ávila Costa
Diretor do Sindicato dos Bancários de BH e Região

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

PLS 555/2015 UMA AMEAÇA AS EMPRESAS PÚBLICAS BRASILEIRAS



         O chamado Estatuto das Estatais é um substitutivo ao PL 167 de 2015, do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), e uma referência ao PLS 343, também deste ano, do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Sob pretexto da “transparência” na condução das estatais, o projeto traz em suas normas gerais a resolução de que empresa pública e sociedade de economia mista serão organizadas sob a forma de sociedade anônima. O projeto representa uma grave ameaça a Caixa, Correios, BNDES, Petrobras, empresas do setor elétrico, entre outras, e adota como premissa o modelo de Estado Mínimo, intensificando o processo de privatizações que começou no Brasil na década de 90 e continua até os dias atuais, sabemos o quanto isso é danoso para o país e para os (as) trabalhadores (as).
               De acordo com o projeto, empresas como Caixa Econômica Federal, Correios, BNDES e outras 100% públicas teriam de se transformar em sociedades anônimas, com ações negociadas na bolsa. Fazendo um paralelo, seria o que ocorre hoje, por exemplo, com a CEMIG, que teve seu papel público de atender a população prejudicado pela necessidade de dar lucro a investidores. A superficialidade da abordagem no projeto do tema da função social das empresas públicas, e as condições impostas para a sua atuação como instrumentos de implementação de políticas públicas, colocam em risco o estratégico papel dessas empresas no desenvolvimento nacional.
No caso da Caixa, além de passar a atender necessidades do mercado, o papel social estaria comprometido, pois o dispositivo retira da instituição a obrigatoriedade de disponibilizar programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.
      O Projeto vai na contramão do que defendemos para as Empresas Públicas, que precisam ser fortalecidas para ajudar no desenvolvimento do país e não serem colocadas para atenderem aos interesses do grande capital. Por isso não podemos permitir que o PLS 555 seja aprovado no Senado.
          As Estatais que já são de economia mista também sofrerão um impacto negativo. Um dos prejuízos seria em relação às suas gestões. De acordo com estudo elaborado pela Fenae (Federação Nacional das Associações de Empregados da Caixa Econômica Federal), para se adequar às novas regras previstas pelo PLS 555 e alterar o formato de distribuição de suas ações, a Petrobras gastaria cerca de R$ 51 bilhões e a Eletrobrás R$ 132 bilhões.
     As regras sobre a composição de Diretorias e Conselhos de Administração contidas no projeto criminalizam a atividade sindical e política ao impedir a participação de servidores sindicalizados, dirigentes sindicais, filiados a partidos políticos e ocupantes de cargos em comissão do Poder Executivo. Impedir que um sindicalista, por exemplo, seja eleito, é inaceitável.  A participação de representantes eleitos pelos trabalhadores nos Conselhos de Administração das Empresas Públicas é uma conquista histórica. Todas essas mudanças visam uma única coisa, diminuir ainda mais o controle social dessas instituições para favorecer o mercado e facilitar privatizações.
          Desde que passou a ser discutido, representantes de varias categorias passaram a pressionar para que o projeto fosse barrado, foi constituído o Comitê em Defesa das Estatais, formado pelas centrais sindicais CUT, CTB, CSP-Conlutas e Intersindical, além de outras entidades representativas.
       O Projeto está em caráter de urgência e pode entrar em votação a qualquer momento. Por isso é importante que os trabalhadores (as) e a sociedade brasileira intensifiquem a luta contra mais esse ataque aos seus direitos.


Warley Ávila Costa
Diretor do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região