sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Corte de empregos no setor bancário aumentou 97,6% em 2015, apesar de recorde de lucros


O balanço de 2015 dos bancos que atuam no Brasil ainda não foi fechado, mas até o 3º trimestre desse ano os cinco maiores bancos, Itaú, Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander lucraram cerca de R$ 55 bilhões, o maior valor já registrado na história do Brasil. Vale a pena lembrar que esse foi um período de recessão para todos os ramos da economia. A indústria recuou mais de 6% no primeiro semestre de 2015 e o comércio registrou a maior queda nas vendas desde 2003.
Na contramão do crescimento dos lucros os bancos demitem como nunca, ano após ano os banqueiros vêm fechando postos de trabalho. No dia 22 de janeiro de 2016 foi divulgada pela CONTRAF-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) em parceria com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB). Em 2015, os bancos que operam no Brasil fecharam 9.886 postos de trabalho. O número quase dobrou em relação a 2014, quando foram fechados 5.004 empregos no setor bancário, representando um avanço de 97,6%.
O estudo é feito mensalmente, usa como base os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e também revela que nos últimos três anos o setor permaneceu extinguindo empregos. Na comparação com o ano 2013, quando houve o corte de 4.329 postos de trabalho, os números de 2015 representam um aumento ainda maior, de 128,4%. Lucro e contratação de mão de obra são medidas inversamente proporcionais para os banqueiros, quanto mais lucram menos contratam.
Em outro estudo elaborado pelo Dieese em 2015 constatou que o bancário paga seu salário com apenas 6 horas de trabalho. No resto do mês, o trabalho do bancário é destinado apenas a obter lucro aos banqueiros. Tomando como exemplo o mês de março de 2015, cada bancário do Itaú produziu lucro líquido de R$ 67,7 mil para o banco. No entanto, o salário do bancário da instituição gira em torno de R$ 3 mil, ou seja, R$ 25 por hora trabalhada. Assim, em uma hora, o trabalhador lucra R$ 565 para o banco.
A PEB também demonstrou outros dados que comprovam a perversidade do Sistema Bancário no Brasil. Vejamos alguns:

Rotatividade e salário
De acordo com a pesquisa, além do corte de vagas, a rotatividade continuou alta. Os bancos contrataram 29.889 funcionários e desligaram 39.775, em 2015. A pesquisa também demonstra que o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.550,19, contra R$ 6.308,10 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 43,7% menor que a remuneração dos dispensados. Assim percebemos que a rotatividade é uma ferramenta que os banqueiros utilizam para diminuírem a massa salarial dos bancários. Demitem funcionários mais consolidados e que ganham mais e contratam trabalhadores (as) para ganharem o piso da categoria.

Desigualdade entre homens e mulheres

A pesquisa reforça também que as mulheres, mesmo representando metade da categoria e tendo maior escolaridade, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração. As 14.291 mulheres admitidas nos bancos, em 2015, receberam, em média, R$ 3.158,29. Valor 19,2% inferior à remuneração média dos homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 3.909,25. A diferença de remuneração entre homens e mulheres é ainda maior na demissão. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos entre janeiro e dezembro de 2015 recebiam R$ 5.439,40, que representa 23,4% a menos que o salário dos homens desligados dos bancos, de R$ 7.104,83. Os Bancos continuam reforçando o preconceito e a discriminação entre gêneros presente em nossa sociedade.
É urgente mais intervenção do Estado Brasileiro sobre as Instituições Financeiras Privadas que compõem o Sistema Financeiro Nacional, os bancos privados não cumprem nenhum papel social relevante, só se preocupam em elevar seus lucros ano após anos. Podemos perceber isso, por exemplo, com relação ao tipo de atividades que esses bancos preferem desenvolver, suas atenções estão voltadas para os investimentos que geram mais lucro e atacam diretamente os trabalhadores cobrando taxas abusivas, saqueando quem mais necessita. Só ofertam crédito quando garantem superexploração como o cartão de crédito, o empréstimo pessoal, o empréstimo consignado, entre outros.
As politicas que geram de fato desenvolvimento para o país estão na mão dos Bancos Públicos, tais como o Crédito Agrícola, o financiamento habitacional, financiamento para infraestrutura e saneamento, etc.
Mas maior parte dos lucros das Instituições Financeiras vem do famigerado pagamento de juros da dívida pública brasileira. A dívida pública é, de longe, o maior gasto do governo, consumindo quase R$ 1 trilhão por ano do orçamento público, sendo metade apenas para pagamento de juros. A dívida pública representa quase 50% do orçamento federal, enquanto educação e saúde recebem menos de 4% cada. O pior é que até hoje não se sabe exatamente de onde essa dívida surgiu, quais são seus contratos, porque pagamos esses valores e para quem são pagos.
Desde a promulgação da Constituição em 1988 está previsto a Auditória dessa dívida, mas até hoje nada foi feito nesse sentido, o lobby dos magnatas no sistema financeiro é muito pesado tanto no Executivo quanto no Legislativo, o que impede a realização dessa auditoria. Outro ponto que merece ser destacado é que maior parte das doações para as campanhas eleitorais vem dos Bancos.
Em 2009/2010, a CPI da Dívida realizada na Câmara dos Deputados encontrou diversos indícios de ilegalidade na dívida brasileira, apesar de diversos documentos terem sido negados à CPI pelo Banco Central e Ministério da Fazenda. Devido a muitas manobras dos representantes dos banqueiros no Congresso Nacional essa CPI não alcançou resultados que poderiam mudar de fato essa realidade de exploração do povo brasileiro.
Para piorar a situação, o Governo Dilma (PT) mostrou mais uma vez sua total subserviência aos abutres do Sistema Financeiro e mais uma vez traiu os trabalhadores (as) brasileiros. Depois de 28 anos, o Congresso Nacional aprovou a Auditoria da Dívida com participação da sociedade civil, mas Dilma vetou. É urgente a mobilização da sociedade para pressionar o Congresso para a derrubada do veto presidencial. A associação AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA iniciou uma campanha pela internet no Brasil inteiro para mobilizar e denunciar esse absurdo que acomete silenciosamente os brasileiros com total submissão do poder público.
É nosso dever participar e divulgar, precisamos ser ativos para combater os parasitas que exploram o Povo Brasileiro!

Warley Ávila Costa
Diretor do Sindicato dos Bancários de BH e Região

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