segunda-feira, 30 de maio de 2016

Greve de trabalhadores chega a setor nuclear e deixa França paralisada


As greves na França contra o projeto de Reforma Trabalhista do governo de Hollande se estenderam, nesta quinta-feira (26), às centrais nucleares, atingindo diretamente o abastecimento de gasolina e os transportes.

No oitavo dia de mobilização, a polícia francesa reprimiu os grevistas durante um grande protesto contra a reforma trabalhista em Paris. Os militantes sindicais bloquearam várias pontes, enquanto condutores de trens e controladores aéreos aderiram ao movimento. As manifestações crescentes no país ocorrem a duas semanas  da abertura do Eurocopa, em 10 de junho, dia no qual os sindicatos convocaram a greve dos funcionários do metrô.

Embora alguns bloqueios em depósitos de combustível e em refinarias no norte do país tenham sido anulados, as filas nos postos de gasolina eram grandes.

O nono dia de mobilização geral, uma concentração única em Paris, será realizada em 14 de junho, quatro dias depois do início do torneio.

O primeiro-ministro Manuel Valls admitiu, nesta quinta-feira, a possibilidade de "mudanças" ou "melhorias" no projeto de lei, e anunciou que receberia no sábado representantes "do setor petrolífero". No entanto, o chefe de governo voltou a descartar a retirada do texto controverso.

Segundo o governo, a lei vai dar mais flexibilidade às empresas para combater o desemprego. Já os trabalhadores consideram que irá aumentar a insegurança no trabalho e criticam nomeadamente o artigo 2, que dá primazia aos acordos particulares sobre as negociações de sindicatos profissionais. Pois esse projeto enfraquece os trabalhadores, o individualizando nas negociações do contrato de trabalho.

Valls afirmou que este artigo "não será modificado" e o presidente François Hollande apoiou sua determinação em declarações desde o Japão, onde participa da cúpula do G7. 


Refinarias e centrais nucleares bloqueadas


O bloqueio de refinarias e depósitos de petróleo forçou o governo a utilizar suas reservas estratégicas de combustível. O Estado havia utilizado na quarta-feira três dos 115 dias de reservas disponíveis.

"Vamos fazer tudo o necessário para garantir o abastecimento dos franceses e da economia", disse o presidente François Hollande.

Cinco dos oito depósitos de combustível permaneciam bloqueados ou operando bem abaixo de sua capacidade, depois que as forças de segurança dispersaram pela manhã os ativistas que bloqueavam um deles.

Longas filas se formam há vários dias nos postos de gasolina, que em muitos casos racionam a distribuição. Os depósitos de quase um terço dos postos de combustível estão secos ou quase vazios, enquanto um popular aplicativo para telefones celulares indica onde ainda há combustível disponível.

O protesto subiu o tom nesta quinta-feira, com o voto a favor da greve nas 19 usinas nucleares, que asseguram 75% do fornecimento elétrico do país.

O organismo gestor da rede nacional de eletricidade, RTE, afirmou por sua parte que "a oferta de produção disponível (...) alcança para cobrir as necessidades elétricas do país".

O movimento de protesto também tem provocado interrupções nos transportes.

A companhia ferroviária SNCF informou na quarta-feira sua quinta greve desde março.

A Direção-Geral da Aviação Civil (DGAC) recomendou que as empresas reduzam em 15% os seus voos de quinta-feira para o aeroporto Paris-Orly.

Lembranças de 68

Viviane, uma aposentada de 66 anos que esperava para abastecer seu carro em Allier (centro), compara a atual turbulência com as duas semanas de greves e manifestações maciças de 1968.

"Lembro-me de Maio de 68 e posso dizer que a escassez não é brincadeira e eu estou tomando precauções", disse a motorista.

Pierre Jara, um técnico de televisão a cabo, de 40 anos, aguardava sua vez em um posto de gasolina próximo à capital."Estou com os sindicatos".

E a greve continua!

Fonte: G1

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