terça-feira, 14 de junho de 2016

Metroferroviários entram em greve no Distrito Federal


 Metroferroviários do Distrito Federal iniciaram nesta terça-feira (14) uma greve por tempo indeterminado para cobrar a convocação dos aprovados em concurso em 2014 e reposição da inflação anual na data-base (pouco mais de 9%). O serviço vai funcionar apenas nos horários de pico – das 6h às 9h e das 17h às 20h30 – e com 30% da força de trabalho. Só metade das estações ficará aberta para embarque e desembarque. Nas demais, será possível apenas desembarcar.

Segundo o sindicato, há um déficit de cerca de 800 funcionários. O quadro atualmente tem 1,2 mil servidores.Por causa da defasagem de funcionários, é comum que catracas sejam liberadas para a entrada de passageiros. Segundo o sindicato, há 900 aprovados em concurso aguardando convocação. "A gente tem falta de empregados em todas as áreas, operacionais e técnicas", disse o presidente do Sindicato dos Metroviários, Ronaldo Amorim.

Em nota, o Metrô afirmou não ter como fazer novas contratações por causa das limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. “O governo tem dificuldades para aumentar as despesas com pessoal por conta dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Também não contrata os aprovados no concurso por conta dos impedimentos na LRF", diz trecho da nota. o que evidencia o objetivo desta lei, que nunca foi exigir responsabilidade aos governantes, mas garantir o dinheiro para fazer Superávit Primário e repassar aos banqueiros praticantes da agiotagem.

A empresa diz que as contratações de terceirizados por licitação não são vedadas pela LRF, por serem enquadradas como custeio. "No entanto, o Metrô trabalha para promover a substituição dos terceirizados por concursados assim que possível. Por isso, reduziu de 296 para 204 o número de vigilantes na última licitação, justamente para poder convocar mais aprovados da área de segurança”, disse o governo. Já que a pratica da terceirização no metrô tem sido realizada ilegalmente.

Apesar disso, o sindicato diz que espara uma proposta da empresa para negociar. "Se tiver algum documento do Metrô, alguma proposta, a gente pretende fazer uma assembleia para discutir os rumos da greve", afirmou o presidente do sindicato, Ronaldo Amorim.

Tempo de espera


Nesta manhã, passageiros afirmaram que aguardaram 25 minutos pela chegada de trens em estações de Ceilândia. A autarquia disse, porém, que o tempo médio era de sete minutos e que havia 16 veículos circulando, contra os 24 habituais – 60% do total, apesar da previsão de que só 30% estariam rodando. Em dias normais, a espera costuma ser de três minutos.

O serviço atende diariamente 170 mil pessoas, entre 6h e 23h30 de segunda a sábado e 7h às 19h aos domingos e feriados. O Metrô circula nas regiões mais populosas do DF – Ceilândia, Taguatinga e Samambaia. Ele também passa por Águas Claras, Guará e Plano Piloto. O sistema tem 42,3 quilômetros de extensão. A estação com maior fluxo é a da Rodoviária do Plano Piloto, por onde passam 20 mil pessoas por dia.

De acordo com o Departamento de Estadas de Rodagem (DER), as faixas exclusivas da EPTG e EPNB estarão liberadas para outros veículos enquanto durar a paralisação. A medida não inclui os corredores do BRT Sul, conhecido como Expresso DF. O Detran também liberou o tráfego nas faixas do Setor Militar Urbano e das W3 Sul e Norte.

Precarização do setor

Os metroferroviários de Belo Horizonte também realizaram greve no mês de maio deste ano, com o objetivo de pressionar a CBTU - Companhia Brasileira de Trens Urbanos, a pagar o aumento salarial no nível da inflação do período. A verdade é que o setor de transporte sobre trilhos têm sofrido inúmeros ataques por parte dos governos. O objetivo é justificar a privatização , e por conta disso, é recorrente a precarização do setor. NO entanto, quando o setor já é privado, como no Rio de Janeiro por exemplo, fica evidente a prioridade dos lucros acima da qualidade para os usuários. Assim a greve tem sido importante instrumento de luta para os trabalhadores na perspectiva de valorizar o transporte metroferroviário.


Fonte: Sítio do G1

Renato Amaral

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