quarta-feira, 15 de junho de 2016

Michel Temer indica economista do mercado para presidência do IBGE


Paulo Rabello de Castro o homem do capital que Temer escolheu para presidir o IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acabou de completar 80 anos e recebeu um presente de grego do governo interino. Para substituir Wasmália Bivar, Michel Temer indicou o economista Paulo Rabello de Castro para presidir o IBGE. Se antes o cenário já era de sucateamento e precarização, os problemas podem se multiplicar com Paulo Rabello à frente do instituto.

O currículo de Paulo Rabello, por si, já indica a que veio. É doutor em Economia pela Universidade de Chicago (EUA), de onde saiu o plano econômico da ditadura de Pinochet, no Chile, e outros tantos documentos oriundos do mais puro receituário neoliberal. Paulo Rabello é diretor-presidente da SR Rating, primeira empresa brasileira de classificação de riscos de crédito, e fundou a RC Consultores, empresa de previsão econômica e análise de mercado, que utiliza, inclusive, dados do IBGE para tal. A atuação em nome do mercado não para por aí. Castro faz parte do Lide - Grupo de Líderes Empresariais, presidindo o Lide Economia. É também presidente do Instituto Atlântico, câmara institucional do Instituto Millenium, organização de direita, fincada na visão ortodoxa da economia de mercado, que prevê como valores e princípios o direito de propriedade, a livre iniciativa, a afirmação do individualismo e a meritocracia. Castro fomenta também o Movimento Brasil Eficiente (MBE), que prima pela rigorosa aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, a mesma que coloca o pagamento de juros a banqueiros no patamar das sagradas prioridades dos governos. Convém dizer que Paulo Rabello não é funcionário da casa e nem sequer servidor público. Sua posição no IBGE irá configurar, no mínimo, um conflito de interesses. Afinal, um indivíduo da iniciativa privada, que lucra com previsões e análises de mercado, terá acesso privilegiado aos dados do IBGE.

Os trabalhadores e as trabalhadoras do IBGE já vêm enfrentando dificuldades com frequentes cortes no orçamento (o que causou até suspensão de pesquisas), com o crescente número de servidores temporários, cujo vínculo é firmado por contratos precarizados, e com a gestão antidemocrática e antissindical de Wasmália Bivar, que demitiu quase 200 temporários grevistas em 2014 e proibiu a realização de atividades sindicais nas instalações do IBGE. A indicação de Paulo Rabello reforça a desvalorização do governo ao instituto e adiciona a lógica da “eficiência de mercado” dentro do serviço público. Essa eficiência buscará diminuir recursos (reduzindo direitos dos trabalhadores e intensificando a precarização das condições de trabalho), exigindo cada vez menos do Estado e dando brechas para captar recursos de outras esferas, abrindo caminho para terceirização e até para privatização.

O IBGE tem a importante missão de retratar o Brasil, de maneira autônoma e independente, e socializar o conhecimento sobre nosso país a toda sua população. O instituto precisa valorizar seus servidores, suprir suas necessidades para melhor desempenho no trabalho e fortalecer sua credibilidade. A eficiência pregada por economistas do mercado como Paulo Rabello só servem aos que lucram com o Estado mínimo para as demandas sociais e máximo para favorecer e salvar os ricos das frequentes crises que eles mesmos causam. Para um IBGE público, autônomo e forte, que seus servidores e a sociedade possam decidir sobre seus rumos.

Carol Matos
Núcleo Estadual da Associação dos Trabalhadores do IBGE
Movimento Luta de Classes

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