quarta-feira, 8 de março de 2017

Alckmin impõe vigilância ao sindicato dos professores na véspera da greve


Imagem do site Naufrago da Utopia

Na reunião de representantes de escola da APEOESP, no dia 06 de março, pela primeira vez, o governo do estado de São Paulo exigiu lista de presença com nome, assinatura, RG e a escola dos participantes da reunião. Só após o envio dessa lista, a liberação do ponto dos representantes no dia da reunião seria confirmada no Diário Oficial.
Devemos lembrar que os representantes são democraticamente eleitos nas escolas, no início do ano letivo, com ata devidamente assinada pelos demais professores onde constam todas as informações necessárias. E o abono do ponto para que os representantes possam participar da reunião sem sofrerem descontos no salário, essencial para a livre organização sindical, sempre foi acordado e confirmado previamente entre APEOESP e Secretaria de Educação.
A decisão às vésperas de uma iminente greve não é surpresa. Há 3 anos os professores da rede estadual de São Paulo estão sem aumento, as reformas da previdência e do ensino médio atacam profundamente a categoria, que no dia 08 de março vota pela primeira greve depois da derrota para o governo em 2015, mesmo depois de realizarem a maior greve da história naquele ano.
A decisão publicada em Diário Oficial e assinada pelo Gabinete do Secretário da Educação (que por sinal é um juiz e não um educador) exigia também a ata da reunião em claro ataque à liberdade sindical.

Ao todo, a rede estadual conta com mais de 5000 escolas. Pelas regras do sindicato, todas elas têm direito a pelo menos um representante. Logo, vigiar todas as 92 subsedes regionais seria um trabalho e tanto para a repressão. Por isso, a exigência da lista além de uma forma de repressão e intimidação, também é uma tentativa de mapear e medir a capilaridade do sindicato e quais as escolas sob maior influência, geralmente associadas a uma maior combatividade e atuação de vanguarda nas lutas pela educação.
A categoria, que não conseguiu articular a greve para 2016, chega em 2017 com novo fôlego após os ataques da Reforma do Ensino Médio que pretende eliminar várias disciplinas e a Reforma da Previdência que acaba com a aposentadoria especial para professores. Também pesam para a decisão pela greve o fechamento de mais de 900 salas somente este ano e os três anos sem reajuste salarial com perdas de mais de 20% para a inflação do período.

Lucas Marcelinho
Professor da Rede Estadual de São Paulo

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