Greve de trabalhadores deixa França paralisada

As greves na França contra o projeto de Reforma Trabalhista do governo de Hollande se estenderam a vários setores

Déficit da previdência social é farsa!

Com argumentos incontestáveis, Denise Gentil destroça os mitos oficiais que encobrem a realidade da Previdência Social no Brasil

Sindicalistas de todo o país aderem à Unidade Popular

Em um ato público realizado em Maceió, Alagoas, sindicalistas de vários estados aderiram ao Partido Unidade Popular pelo Socialismo

PL\4330 volta à pauta no Congresso Nacional

O movimento sindical deve colocar a luta contra o PL 4330 como uma batalha de vida ou morte para a classe trabalhadora.

Apesar de comum, assédio sexual no trabalho é pouco denunciado no Brasil

Vergonha, medo e dificuldade de provar a agressão levam as vítimas a preferir o silêncio.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

'Só temos a comemorar', diz ministro Blairo Maggi sobre regras para fiscalizar trabalho escravo


Temer e Blairo sorriem, às custas de trabalho escravo
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta terça-feira (17) em entrevista à GloboNews que não considera um "retrocesso" as novas regras para fiscalização de trabalho escravo e afirmou que só tem a "comemorar" a portaria.

Mais cedo, nesta terça, Blairo Maggi já havia dito que "ninguém" quer ou deve ser favorável ao trabalho escravo, mas "não é justo" alguém ser penalizado por "questões ideológicas ou porque o fiscal está de mau humor."

"Para mim não é um retrocesso. Para mim é uma afirmação de como as coisas devem acontecer daqui para frente. [...] Eu nunca defendi e jamais defenderei trabalho escravo. Todos aqueles que cometerem ilícitos, que cometerem coisas fora do normal e que criam uma condição de trabalho escravo devem ser responsabilizados no mais da lei. Mas também não podemos viver na incerteza que nós vivíamos. É uma reclamação muito grande, muito antiga do setor produtivo e que o presidente, mais o ministro Ronaldo, resolveram esse assunto. Portanto, por parte da agricultura, não vemos retrocesso  pelo contrário, é uma tranquilidade para que todos possam trabalhar e que a lei seja efetivamente cumprida", disse o ministro.

A decisão de publicar a portaria com as novas regras foi tomada pelo presidente Michel Temer, que atendeu a um pleito da bancada ruralista do Congresso.

A portaria recebeu duras críticas por, por exemplo, condicionar a divulgação da "lista suja" a uma decisão do ministro do Trabalho e por exigir a presença policial nas fiscalizações, já que o processo contra quem usa mão de obra análoga à escravidão só terá validade se for acompanhado por um boletim de ocorrência policial.

Questionado sobre se avalia que a decisão de Temer – tomada em meio à análise da segunda denúncia – configura um "toma lá, dá cá" em busca de votos, Blairo Maggi respondeu:

"Neste momento, há um momento político diferente, e o presidente resolveu atender a esse pleito antigo da classe produtora e, obviamente, nós estamos trabalhando num momento de política muito diferente. Temos um momento confuso e, aí, a classe produtora resolveu levar essa reivindicação ao presidente. Ele atendeu, e nós só temos a comemorar".

Blairo disse, ainda, que deu "apoio pessoal" ao presidente e ao ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira: "Entendo como disse, o setor agrícola e agropecuário que tem carregado o Brasil nas costas nos últimos anos precisava dessa tranquilidade pra poder trabalhar".

Isso mostra, mais uma vez, o caráter retrógado e escravagista da elite que, através de um golpe,se apossou do poder central do Brasil. Os interesses das grandes elites financeiras, que possuem seus representantes diretos no governo, nas pessoas de Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn, são defendidos às custas da perda dos direitos da classe trabalhadora. Não é diferente com o setor do Agronegócio. A bancada do "Boi", uma das maiores do país, também possui seus representantes como o próprio ministro Blairo Maggi e o senador Ronaldo Caiado, notório mandante de assassinatos de trabalhadores rurais no estado de Goiás.

Cabe à classe trabalhadora, do campo e da cidade, se organizar mais para enfrentar esses ataques das elites econômicas de nosso país. Apenas a unidade dos trabalhadores em luta, com greves, paralisações e manifestações poderão derrotar este golpe contra os mais pobres.

Fonte G1
Renato Campos
Movimento Luta de Classes

STF reafirma jurisprudência sobre critérios para aposentadoria especial de professor


Palácio Sede do Supremo Tribunal Federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou sua jurisprudência dominante no sentido de que o tempo de serviço prestado por professor fora da sala de aula, em funções relacionadas ao magistério, deve ser computado para a concessão da aposentadoria especial (artigo 40, parágrafo 5º, da Constituição Federal). O tema foi abordado no Recurso Extraordinário (RE) 1039644, de relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que teve repercussão geral reconhecida e julgamento de mérito no Plenário Virtual, com reafirmação de jurisprudência. 

No caso dos autos, uma professora da rede pública de ensino do Estado de Santa Catarina pediu aposentadoria especial após ter exercido, entre 1985 e 2012, as funções de professora regente de classe, auxiliar de direção, responsável por secretaria de escola, assessora de direção e responsável por turno. O requerimento foi indeferido pela administração pública ao argumento de que nem todas as atividades se enquadravam no rol previsto em ato normativo da Procuradoria-Geral do Estado, definindo quais são as funções de magistério passíveis de serem utilizadas em cálculo para fins de aposentadoria especial.

Decisão de primeira instância da Justiça estadual, contudo, determinou a concessão da aposentadoria a partir de janeiro de 2013. Ao julgar recurso de apelação do estado, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (TJ-SC) excluiu do cômputo da aposentadoria especial o período em que a professora trabalhou como responsável por secretaria de escola. 

No recurso ao STF, ela buscou a reforma do acórdão do TJ-SC sob o argumento de que a Lei 11.301/2006, ao modificar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), dispõe como funções de magistério, para fins de aposentadoria especial, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico.
Sustentou que não apenas a regência de classe, mas todas as demais atividades-fim nas unidades escolares, vinculadas ao atendimento pedagógico, estariam abrangidas como de magistério. Argumentou também que a decisão do STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3772 autoriza o cômputo, como tempo especial, de todas as atividades que desempenhou ao longo de sua carreira. 

Manifestação


Ao se manifestar no Plenário Virtual, o relator observou que, em diversos precedentes, o STF entende que atividades meramente administrativas não podem ser consideradas como magistério, sob pena de ofensa à autoridade da decisão proferida na ADI 3772. Na ocasião, foi dada interpretação conforme a Constituição a dispositivo da LDB para assentar que, além da docência, atividades de direção de unidade escolar, coordenação e assessoramento pedagógico, desde que exercidas por professores em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis, contam para efeito de aposentadoria especial.

Nesse sentido, o relator julgou acertado o acórdão do TJ-SC ao não considerar, para fins da aposentadoria especial, o tempo de exercício na função de responsável por secretaria de escola. Segundo destacou o ministro, o ato da Procuradoria-Geral do Estado que baliza a administração sobre a matéria elencou, em seu Anexo I, as atividades que se abrigam no conceito de magistério.

A manifestação do relator quanto ao reconhecimento da repercussão geral foi seguida por unanimidade. No mérito, seu entendimento pela reafirmação da jurisprudência e pelo desprovimento do RE foi seguido por maioria, vencido neste ponto o ministro Marco Aurélio. 

Foi fixada a seguinte tese de repercussão geral: “Para a concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo 5º, da Constituição, conta-se o tempo de efetivo exercício, pelo professor, da docência e das atividades de direção de unidade escolar e de coordenação e assessoramento pedagógico, desde que em estabelecimentos de educação infantil ou de ensino fundamental e médio”.

Site do STF

TST condena unidade do McDonald’s no RJ por obrigar atendente a ficar nua diante de colegas




Uma unidade da Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda., franqueadora da rede de lanchonetes McDonald’s na América Latina, foi condenada a indenizar em R$ 30 mil uma atendente que foi acusada de furto e obrigada pela gerente a se despir na presença de duas colegas. A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em julgamento de recurso, restabeleceu o valor fixado no juízo de primeiro grau por considerar o tratamento vexatório, humilhante e desrespeitoso aos princípios da dignidade da pessoa humana, da inviolabilidade psíquica e do bem-estar individual do ser humano.

A atendente, que à época era menor de idade, contou na reclamação trabalhista e em depoimento pessoal que foi acusada, juntamente com duas colegas, de furtar dois celulares e R$ 80 de outras empregadas. Segundo seu relato, depois de uma revista na bolsa de todos os empregados do estabelecimento, as três foram chamadas pela gerente, que as obrigou a se despirem no banheiro.

Durante a revista, um dos celulares foi encontrado escondido no sutiã de uma das colegas. Com a atendente, foram encontrados R$ 150, que ela havia sacado para efetuar um pagamento. Cópia do extrato bancário juntado ao processo comprovou o saque. Depois do procedimento, as duas foram dispensadas.

A empresa, em sua defesa, alegou que não havia prova da revista íntima determinada pela gerência.

O juízo da 20º Vara do Trabalho do Rio de Janeiro considerou que o McDonald’s extrapolou o seu poder de gestão, destacando que a gerente, ao obrigar a trabalhadora a se despir, feriu sua integridade física e sua honra. Segundo a sentença, o empregador não poderia sequer alegar que estava protegendo seu patrimônio, porque os objetos furtados não eram de sua propriedade, e deveria sim “tomar providências, mas não as que tomou”.

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), ao analisar recurso da Arcos Dourados, reformou a sentença. Considerando as peculiaridades do caso, especialmente a imediata identificação da autoria e da comprovação da posse do objeto furtado por uma das envolvidas, o Regional entendeu que “a imediata revista íntima e pessoal sem contato físico, em local reservado e realizado por pessoa do mesmo sexo”, e “acompanhada pela gerência”, foi uma exceção, e excluiu a condenação.

O relator do recurso da atendente ao TST, ministro Mauricio Godinho Delgado, destacou que a situação descrita atentou contra a dignidade, a integridade psíquica e o bem-estar pessoal da empregada, patrimônios morais protegidos pela Constituição Federal, impondo-se, portanto, a condenação ao pagamento de danos morais nos termos do artigo 5º da Constituição Federal e 186 e 927, caput, do Código Civil.

Em relação ao valor arbitrado, observou que, na ausência de lei a respeito, a indenização deve observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, para evitar tanto a impunidade quanto evitar o enriquecimento ilícito da vítima, e ainda para servir de desestímulo a práticas inadequadas aos parâmetros da lei. Levando em conta essas diretrizes e os fatos escritos no processo, o ministro considerou razoável e adequado o valor fixado na sentença, votando pelo seu restabelecimento.

A decisão foi unânime.

Processo: RR-11109-45.2013.5.01.0020

Fonte: TST

sábado, 14 de outubro de 2017

ATAQUE À ARTE: FASCISMO E CORTINA DE FUMAÇA



(Uma Autocrítica)

Tudo o que a direita quer atualmente é retirar o foco do debate político, extrair do campo econômico e levar para o campo moral. Nas últimas eleições tentaram isso, colocando o aborto à frente de tudo, se apresentaram como "defensores da vida", tentando emplacar a pecha de abortistas nos políticos de esquerda e assim ganharem espaço com esse tema em que o povo brasileiro é extremamente hipócrita e conservador. 

A corrupção também foi a tônica dos debates na última eleição presidencial (e das outras eleições também, o filme não muda muito). Foi memorável a resposta de Aécio Neves a uma eleitora no último debate antes da votação em segundo turno, quando disse "vamos tirar o PT do governo" para acabar com a corrupção. Todo mundo está vendo como essa turma acabou com a corrupção... O maior atributo da direita é enxergar nos outros os próprios vícios e atacar os seus adversários sem nenhum pudor no campo moral, onde eles são frágeis, mas não tão frágeis quanto no campo econômico, onde são ladrões sem escrúpulos. 

Agora o papo é pedofilia. Encontraram umas obras de arte em alguns museus por aí e estão fazendo o maior show em cima disso, mesmo essas obras não representando nada daquilo que difamam. Não discutem e nem nunca discutiram pedofilia nas igrejas deles, por exemplo, mas agora o tema ficou interessante porque tem eleições no ano que vem e eles precisam jogar cortina de fumaça na reforma trabalhista, na reforma da previdência e em todas as retiradas de direitos que estão fazendo agora. Além disso, há as denúncias contra Temer e sua quadrilha circulando no congresso e à medida em que a população se preocupa com quadros e exposições, os criminosos mais perigosos do país continuam a assaltar os recursos públicos pela porta dos fundos. E tem muita gente caindo nessa armadilha. 

A arte é um mecanismo de transgressão cultural, um espaço de registro histórico e também de choque de realidades, de abordagem de temas que mexem com o âmago dos valores da sociedade em um determinado período histórico. Não é a toa que os grandes artistas estão à frente do seu tempo. Eles enxergam como ninguém as fraquezas de um povo e as expõem, algumas vezes de forma sutil, outras vezes de maneira escandalizadora,  escancarada. Ironizam a hipocrisia. Em tempos de fascismo os artistas são atacados pelos conservadores do seu tempo. O conservador não quer mudar a realidade que lhe garante conforto e status, por isso condena qualquer coisa que afete seu bolso e fere a moral que lhe sustenta e ninguém melhor que um bom artista pra balançar a moral de um burguês safado! 

As pessoas podem não gostar de determinados estilos e/ou de algumas peças de exposição artística. As pessoas podem até mesmo não gostar da arte de jeito nenhum, pois até a ignorância às vezes é uma escolha. Esse é um princípio importante, que é a liberdade. Porém, ainda que o sujeito não goste de arte, deve respeitar os artistas, respeitar quem gosta de qualquer estilo e defender o direito de manifestação artística em qualquer campo, seja na música, no teatro, na poesia, nas esculturas e imagens. Atacar a liberdade com argumentos chulos e preconceituosos é censura! E esse é um caminho perigoso que nos leva a ditaduras terríveis que não permitem sequer a liberdade de pensamento. 

O poder central do Brasil foi golpeado e a democracia encontra-se em profundo abalo. Discursos reacionários e violentos têm dominado o cotidiano das pessoas levando o povo a enxergar nos demagogos e moralistas a salvação para os problemas que afligem a população. O povo está com medo? Sente-se inseguro? Vamos matar os bandidos e vender armas pra todo mundo, dizem os moralistas patrocinados pela indústria de armas. O povo não aguenta mais a corrupção? Vem com a gente que somos "defensores da família" (deles) e contra os corruptos, dizem eles. E esses moralistas são os mesmos que estão agora roubando a nação de maneira escandalosa e encontraram uma forma de enganar a população desviando o foco do assalto que estão fazendo. 

Cabe aos cidadãos democráticos resistirem a mais esse ataque e mostrarem ao povo o real problema, que é o roubo executado pela quadrilha que se instalou no poder, que escoa bilhões de reais em malas de dinheiro por aí enquanto falta comida na mesa de milhões de pessoas. Isso sim é crime!


* Este texto é também uma autocrítica. Há dias escrevi um pequeno texto em que fiz uma crítica superficial à exposição que aconteceu no Museu de Arte Moderna onde um artista se apresentou nu e havia presença de crianças. Ainda penso que determinadas exposições artísticas podem dar palanque aos demagogos e moralistas de plantão, porém, recuar diante desses ataques agora é aceitar a crítica dos ladrões,  fazer o mundo artístico recuar diante da cortina de fumaça e potencializar o poder reacionário que nos leva ao obscurantismo. É hora de unir força para contra atacar! Se está difícil lutar no campo econômico e organizar os trabalhadores pra resistir a tantas retiradas de direitos, temos que encontrar forças pra lutar também no campo artístico. Nosso desafio é grande.


Jobert Jobão
Militante do Movimento Luta de Classes
Psicólogo, músico e compositor

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Gilmar Mendes autoriza Sartori a demitir servidores


Sartori conversa com Gilmar Mendes antes da decisão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar a pedido do governador do Estado do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, para suspender todos os processos em curso e os efeitos de decisões judiciais da Justiça do Trabalho da 4ª Região (RS) que condicionem a extinção de entidades da Administração Pública do estado à conclusão de negociações coletivas. A decisão, que será submetida a referendo do Plenário, se deu na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 486.

Na ação, o governador argumenta que o Rio Grande do Sul se encontra “em meio à mais severa crise das finanças públicas de sua história”. Narra que a fim de cumprir requisitos para aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) dos estados e modernizar suas estruturas, foi instituído o Plano de Modernização do Estado, que, entre outras medidas, extinguiu seis fundações públicas (Fundação Zoobotânica, Fundação de Ciência e Tecnologia, Fundação de Economia e Estatística Emanuel Heuser, Fundação Piratini, Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos e Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano), a Companhia Riograndense de Artes Gráficas (CORAG) e a Superintendência de Portos e Hidrovias. As Leis Estaduais 14.979/2017, 14.982/2017 e 14.983/2017 extinguem também os quadros de pessoal dessas entidades, com a manutenção apenas dos empregados estáveis vinculados ao estado.

As dispensas resultaram em diversas reclamações trabalhistas nas quais têm sido proferidas decisões que declaram a obrigatoriedade de conclusão das negociações coletivas antes das rescisões contratuais, tomando como base um precedente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) relativo à Embraer. 

Segundo o governador, “as decisões não somente proíbem que o estado cumpra com o quanto determina a legislação sem a prévia autorização dos sindicatos das categorias profissionais envolvidas, como lhe impõe – e, assim, a toda a sociedade gaúcha –, que se desperdice a verba empregada na continuidade de atividades que serão – em breve e por força de lei – descontinuadas”. O argumento é o de que tais decisões violam princípios como o da legalidade e da separação dos Poderes, por desconsiderar as regras constitucionais sobre o direito potestativo do empregador público de rescindir os contratos de seus empregados.

Decisão

Ao deferir a liminar, o ministro Gilmar mendes observou que as decisões da Justiça do Trabalho, ao impor condição adicional para a extinção das entidades públicas, impedem a adoção de medidas concretas de gestão que visam a contornar a crise financeira do estado. 

Segundo os documentos trazidos pelo governo estadual, elas também impõem multas que variam de R$ 10 mil a R$ 50 mil, a serem cobradas diretamente do estado. “Considerando o plano de desvinculação de 803 empregados públicos não estáveis, apenas a multa por suas demissões poderia ultrapassar o patamar de R$ 8 milhões por dia de descumprimento das decisões”, observou o relator. “Esse valor ainda poderia crescer exponencialmente se o estado adotasse atos que esvaziassem as atividades das entidades em questão, uma vez que as decisões arbitram multa de R$ 50 mil por cada fato”.

Em análise preliminar, o ministro entendeu que esses julgados acabam por instaurar conflito entre os Poderes, na medida em que interferem na gestão estadual e impedem a execução de decisões políticas tomadas pelo Poder Executivo e acolhidas pelo Poder Legislativo estadual. “De mais a mais, o Estado do Rio Grande do Sul apresenta documentos por meio dos quais comprova sua adesão a regime de recuperação fiscal, justamente com o escopo de restabelecer a sustentabilidade econômico-financeira do ente federativo, que, como se sabe, está inserido em contexto de grave crise”, afirmou.

Fonte: http://www.stf.ju
s.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=358805

sábado, 7 de outubro de 2017

O trabalho e a lógica do capital


O mundo do trabalho passa permanentemente por várias transformações. O uso da tecnologia no processo produtivo faz ampliar os lucros dos patrões e, ao mesmo tempo, joga na rua da amargura milhares de trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo. No entanto, o verdadeiro problema não é o avanço tecnológico nem a maior facilidade para se produzir o mesmo produto. O verdadeiro inimigo é a burguesia.
Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com todo o avanço da técnica e da produtividade no trabalho, a jornada de trabalho poderia ser de três dias por semana e de quatro horas nestes dias. Além desta jornada ser o tempo necessário para a produção, a implementação deste regime de trabalho geraria milhares de empregos, acabando com o sofrimento do desemprego de milhões de brasileiros que hoje já somam 24 milhões de pessoas.
Para que esta pesquisa se torne realidade, é necessário enfrentarmos alguns desafios impostos à classe trabalhadora. Em primeiro lugar, é preciso combater as mentiras da burguesia de que a classe trabalhadora está reduzida e que, por isso, não irá dirigir nenhuma transformação social. A verdade é que a classe trabalhadora cresce dia após dia e passa ainda por uma intensa proletarização. Um exemplo são as profissões de médicos, advogados, engenheiros, que perderam o “brilho”, e o destino certo de que “cresceriam na vida”. O que vemos hoje é uma massa de advogados trabalhando em grandes escritórios, servindo a um patrão, ganhando porcentagens míseras por ações judiciais. Vemos uma massa de médicos tentando criar seus consultórios e enfrentando laboratórios que os obrigam a indicar determinados remédios e cumprindo o que os planos de saúde ordenam. Há pontuais exceções, mas que confirmam esta regra. Nas profissões “liberais” se implanta a “pjotização”, quando um trabalhador se torna Pessoa Jurídica (PJ), e, como empresa, presta serviço ao patrão. Enquanto isso, os direitos trabalhistas vão para o espaço. Este modo de exploração foi regulamentado pela reforma trabalhista aprovada no mês de julho pelo Senado e sancionada por Temer sob os aplausos de magnatas e banqueiros.
Eis a prova de que o trabalho permanece sendo o centro da contradição social, pois ainda há ricos que precisam se tornar mais ricos e se apropriam das riquezas produzidas a fim de concentrar mais seu poder financeiro e, por consequência, poder político.
No entanto, é um fato que o processo produtivo foi remodelado. As fábricas, por exemplo, modificaram sua forma de organizar os trabalhadores na produção. Nestes locais, houve uma redução do número de funcionários diretos e se abusa da terceirização e da divisão destes trabalhadores, que, por vezes, fazem o mesmo serviço. Também há ofertas de serviços nestes locais, com lojas e vendas de produtos. O que houve foi uma redivisão do trabalho. No setor automobilístico, por exemplo, as grandes montadoras deixaram de construir as peças, e passaram a comprar de fábricas menores, que pagam salários baixíssimos a seus empregados e fecham contratos exclusivos com montadoras específicas. Assim, a linha de produção, retratada por Charles Chaplin no clássico Tempos Modernos, é ampliada para várias fabricas pequenas que alimentam a “montadora-mãe”.
Esta divisão do trabalho passa a falsa ideia de diferenciação entre a classe trabalhadora, aumenta a propaganda do individualismo, espalha os trabalhadores antes centralizados, divide a representação sindical, tudo isso para concentrar as riquezas nas mesmas mãos de sempre.
Neste novo mundo da produção, onde o capital suga o trabalho junto aos direitos antes conquistados, é necessário contribuir para a evolução da consciência para que este regime de salários seja questionado e posto abaixo.
Assim, é fundamental a atuação entre os trabalhadores terceirizados, enorme massa de trabalhadores que surge da fome insaciável do lucro dos capitalistas. Esta atuação remonta à atuação fabril no início do século passado no Brasil. Isto ocorre pelas condições insalubres de trabalho, desrespeito às leis trabalhistas vigentes, superexploração e nenhuma segurança de se permanecer empregado. Aquilo que algumas categorias já conquistaram, os terceirizados ainda precisam conquistar. O mais importante é retomar a tradição de lutas que geraram conquistas e construir entidades que representem de fato suas categorias, ainda que driblando o autorizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
A organização dos trabalhadores fabris de empresas menores também é importante, pois numa greve pode paralisar toda a cadeia produtiva de uma região. A atuação sindical junto aos profissionais liberais também ganha importância, pois seu grau de proletarização é muito forte, e o sistema faz todo esse ofício se tornar parte de uma espécie de indústria. A atuação entre os trabalhadores rurais, que hoje dão a pincelada humana na produção alimentícia, é uma das cadeias fundamentais da economia brasileira. Há ainda inúmeras outras categorias que, de um ponto ou de outro, atingem o capital por exercer força no funcionamento do sistema.
Nesse sentido, é necessário ler as evidências sobre o funcionamento do capitalismo, em que a centralidade do mundo do trabalho e a contradição antagônica da sociedade continuam sendo as mesmas apontadas por Marx, mesmo com nuances e contornos diferentes, seja por época histórica seja por localidade. Assim, a atuação persistente e direcionada a partir da leitura correta da realidade nos apontará o avanço da luta pelo fim deste sistema.
Renato Amaral, Movimento Luta de Classes

terça-feira, 3 de outubro de 2017

MLC Apoia a Greve dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios



               O Movimento Luta de Classes - MLC, vem com muito entusiasmo saudar a combativa Greve dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios.
               A primeira greve a enfrentar a Reforma Trabalhista do governo ilegítimo de Temer e dos Banqueiros, acontece em um momento onde a privatização volta à tona em nosso país. A Empresa de Correios e Telégrafos está no olho deste furacão, pois a entrega deste patrimônio do povo brasileiro está em vias de acontecer. Sabemos que a privatização só será derrotada pela organização da classe trabalhadora, que passa por esta greve que desafia os desmandos do governo Temer. 
             Que esta greve acenda a chama da luta nas demais categorias em nosso país !.
             Todos apoio à Greve dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios!!!

             Coordenação Nacional Movimento Luta de Classes - MLC