quarta-feira, 18 de outubro de 2017

'Só temos a comemorar', diz ministro Blairo Maggi sobre regras para fiscalizar trabalho escravo


Temer e Blairo sorriem, às custas de trabalho escravo
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta terça-feira (17) em entrevista à GloboNews que não considera um "retrocesso" as novas regras para fiscalização de trabalho escravo e afirmou que só tem a "comemorar" a portaria.

Mais cedo, nesta terça, Blairo Maggi já havia dito que "ninguém" quer ou deve ser favorável ao trabalho escravo, mas "não é justo" alguém ser penalizado por "questões ideológicas ou porque o fiscal está de mau humor."

"Para mim não é um retrocesso. Para mim é uma afirmação de como as coisas devem acontecer daqui para frente. [...] Eu nunca defendi e jamais defenderei trabalho escravo. Todos aqueles que cometerem ilícitos, que cometerem coisas fora do normal e que criam uma condição de trabalho escravo devem ser responsabilizados no mais da lei. Mas também não podemos viver na incerteza que nós vivíamos. É uma reclamação muito grande, muito antiga do setor produtivo e que o presidente, mais o ministro Ronaldo, resolveram esse assunto. Portanto, por parte da agricultura, não vemos retrocesso  pelo contrário, é uma tranquilidade para que todos possam trabalhar e que a lei seja efetivamente cumprida", disse o ministro.

A decisão de publicar a portaria com as novas regras foi tomada pelo presidente Michel Temer, que atendeu a um pleito da bancada ruralista do Congresso.

A portaria recebeu duras críticas por, por exemplo, condicionar a divulgação da "lista suja" a uma decisão do ministro do Trabalho e por exigir a presença policial nas fiscalizações, já que o processo contra quem usa mão de obra análoga à escravidão só terá validade se for acompanhado por um boletim de ocorrência policial.

Questionado sobre se avalia que a decisão de Temer – tomada em meio à análise da segunda denúncia – configura um "toma lá, dá cá" em busca de votos, Blairo Maggi respondeu:

"Neste momento, há um momento político diferente, e o presidente resolveu atender a esse pleito antigo da classe produtora e, obviamente, nós estamos trabalhando num momento de política muito diferente. Temos um momento confuso e, aí, a classe produtora resolveu levar essa reivindicação ao presidente. Ele atendeu, e nós só temos a comemorar".

Blairo disse, ainda, que deu "apoio pessoal" ao presidente e ao ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira: "Entendo como disse, o setor agrícola e agropecuário que tem carregado o Brasil nas costas nos últimos anos precisava dessa tranquilidade pra poder trabalhar".

Isso mostra, mais uma vez, o caráter retrógado e escravagista da elite que, através de um golpe,se apossou do poder central do Brasil. Os interesses das grandes elites financeiras, que possuem seus representantes diretos no governo, nas pessoas de Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn, são defendidos às custas da perda dos direitos da classe trabalhadora. Não é diferente com o setor do Agronegócio. A bancada do "Boi", uma das maiores do país, também possui seus representantes como o próprio ministro Blairo Maggi e o senador Ronaldo Caiado, notório mandante de assassinatos de trabalhadores rurais no estado de Goiás.

Cabe à classe trabalhadora, do campo e da cidade, se organizar mais para enfrentar esses ataques das elites econômicas de nosso país. Apenas a unidade dos trabalhadores em luta, com greves, paralisações e manifestações poderão derrotar este golpe contra os mais pobres.

Fonte G1
Renato Campos
Movimento Luta de Classes

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