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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

“Pobre não sabe fazer nada”, diz milionário Bolsonaro


Bolsonaro e família cresceu seu patrimônio em 432% ao entrar na politica
Quem é Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo Partido Social Liberal (PSL)? Em sua propaganda, ele se apresenta como um homem honesto, que defende o melhor para os brasileiros e para o Brasil. Será isso verdade?

Ao registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro declarou ter um patrimônio de R$ 2,3 milhões. Na declaração, ele afirma que é dono de cinco imóveis, três veículos e possui ações, aplicações bancárias e poupança. Mas, como um capitão do Exército reformado conseguiu essa fortuna? Bolsonaro se tornou um milionário após ingressar na política burguesa. De fato, em 1988, Bolsonaro possuía apenas um Fiat Panorama, uma moto e dois pequenos lotes em Resende, interior do Rio de Janeiro. De lá para cá, tornou-se rico. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o patrimônio de Bolsonaro é muito maior do que o declarado por ele ao TSE. A avaliação real de seus cinco imóveis é de R$ 8 milhões. Duas dessas casas ficam num dos locais mais valorizados no Rio de Janeiro: a Barra da Tijuca. Uma delas vale R$ 1,06 milhão e a outra R$ 2,23 milhões, conforme a cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

Vendo que a política burguesa trouxe tantos benefícios pessoais, Bolsonaro patrocinou o ingresso de três filhos nesta carreira: Eduardo Bolsonaro é deputado federal por São Paulo; Carlos Bolsonaro é vereador no Rio; e Flávio Bolsonaro, deputado estadual também no Rio. Juntos, ainda segundo a Folha, Bolsonaro e filhos têm mais imóveis que muitas imobiliárias: um total de 13 imóveis avaliados em R$ 16,5 milhões, a maioria deles em áreas supervalorizadas como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca. No período em que o candidato conseguiu essa fortuna, o povo brasileiro não teve a mesma sorte: 52 milhões de brasileiros vivem na pobreza e falta trabalho para 27 milhões de trabalhadores.

Sobra dinheiro e faltam escrúpulos ao Sr. Bolsonaro. Apesar de ser dono de um imóvel em Brasília, ele e seu filho Eduardo recebem dos cofres públicos, cada um, R$ 6.167,00 de auxílio-moradia, ou seja, mais de R$ 12 mil no total. Quer dizer, recebem auxílio para morar em Brasília, mesmo tendo casa própria na Capital. Somente de auxílio-moradia Bolsonaro e seu filho já embolsaram um total de R$ 730 mil. Enquanto isso, o Brasil tem, pelo menos, sete milhões de famílias sem casa para morar, conforme censo de 2010, número que só cresceu em quase uma década.

Mas não ficam aí as maracutaias do deputado. Reportagem da Folha de São Paulo divulgou que o candidato do PSL tem, pelo menos, uma funcionária fantasma em seu gabinete. Trata-se de Walderice Santos da Conceição, que, embora seja vendedora de açaí na praia de Angra dos Reis, onde o parlamentar tem uma imensa casa, recebia salário da Câmara dos Deputados. Após a denúncia do jornal, a servidora fantasma Wal foi demitida.

Defensor do estupro e da tortura

Além de ter construído junto com seus filhos um patrimônio milionário com a política, Bolsonaro também é conhecido como homofóbico e defensor do estupro. Em 9 de dezembro de 2014, no plenário da Câmara dos Deputados, declarou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia. No mesmo dia, postou em sua página oficial no YouTube um vídeo intitulado “Bolsonaro escova Maria do Rosário”. No dia seguinte, concedeu entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, em que reafirmou o que havia dito na Câmara. “Ela não merece ser estuprada porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”.

Por essa ofensa a todas as mulheres brasileiras e ao nosso povo, Bolsonaro foi condenado três vezes pela Justiça: a primeira, em 2015, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), para pagar indenização de R$ 10 mil à deputada por danos morais; a segunda, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e finalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Por dia, ocorrem 135 estupros de mulheres no Brasil, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Se um homem com esse tipo de mentalidade chegar à Presidência da República, o que irá acontecer?

Apoiador do golpe que fez Michel Temer se tornar presidente, Bolsonaro também é conhecido por defender a tortura e os torturadores. Em vídeo de 1999, disse: “Sou a favor da tortura”. Em abril de 2016, defendeu e homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Departamento de Operações de Informação (DOI-Codi), órgão responsável pelas torturas em São Paulo durante a ditadura militar (1964-1985). O coronel Ustra foi, inclusive, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por torturar a família Teles. Amelinha Teles, uma das torturadas pelo coronel, relatou o que aconteceu com ela, seu marido, Cesar Teles, e seus filhos: “Eu fui espancada pelo coronel Ustra ainda no pátio do Doi-Codi. Ele me deu um safanão com as costas da mão, me jogando no chão, e gritando ‘sua terrorista’. Depois, ele levou meus filhos para uma sala, onde eu me encontrava na cadeira do dragão, nua, vomitada, urinada! Levar meus filhos para dentro da sala? O que é isso? Para mim, foi a pior tortura que eu passei. Meus filhos tinham cinco e quatro anos”, relatou Amelinha. A cadeira do dragão era um instrumento de tortura utilizado na ditadura, em que a pessoa era colocada sentada e tinha os pulsos amarrados aos braços da cadeira. Com fios elétricos atados em diversas partes do corpo, a pessoa era submetida a sessões de choques. Amelinha também contou que viu seu marido sendo torturado na unidade do DOI-Codi pelos agentes da ditadura na frente do coronel Ustra, que ordenou que a agarrassem e a arrastassem para uma sala de tortura”.

Basta de racismo e de ricos no poder!

Não bastasse, no ano passado, em palestra no clube Hebraica do Rio de Janeiro, o candidato Bolsonaro expressou seu pensamento sobre os negros. Disse ele na ocasião: “Eu fui em um (ato) quilombola em Eldorado Paulista. O afrodescendente mais leve pesava sete arrobas”. Em abril, a procuradora geral da República, Raquel Dodge, denunciou Bolsonaro por racismo: “Esta manifestação, inaceitável, alinha-se ao regime da escravidão, em que negros eram tratados como mera mercadoria, e à ideia de desigualdade entre seres humanos, o que é absolutamente refutado pela Constituição brasileira e por todos os tratados e convenções internacionais de que o Brasil é signatário”. Para a procuradora, o político se referiu a essas pessoas como se fossem animais, ao utilizar a palavra arroba.

Além disso, Bolsonaro não tem nenhuma preocupação com os trabalhadores nem com os pobres.  Além de apoiar o Governo Temer, ele e os demais deputados representantes da burguesia aprovaram um dos maiores crimes cometidos pelo Congresso Nacional contra os trabalhadores: a reforma trabalhista, que estabeleceu a jornada intermitente, o parcelamento das férias, eliminou dezenas de direitos dos trabalhadores e permitiu que os patrões paguem salários mais baixos e imponham mais horas de trabalho, enfim, aumente a exploração dos capitalistas sobre a classe operária unicamente para crescer os lucros da burguesia.

Antes, o deputado já tinha votado duas vezes contra as trabalhadoras domésticas terem direito à carteira assinada, além de ter aprovado a PEC 241, que corta verbas da saúde, da educação e congela o salário dos funcionários públicos. Porém, embora considere que os trabalhadores devam receber baixos salários, o mesmo ele não pensa para si: todo mês, Bolsonaro ganha dois salários: R$ 33.700,00, como parlamentar, e mais R$ 5.600,00, do Exército.

O candidato do PSL também é contrário a aumentar as verbas para a educação pública. Sua proposta é cortar as verbas das universidades públicas, como afirmou em entrevista à Rede Globo: “Vamos tirar mais recursos do ensino superior e jogar mais no fundamental”. Na mesma entrevista, incentivou a violência como proposta para a segurança pública: “O policial resolve o problema se matar 10, 15 ou 20 com 10 ou 30 tiros cada um; ele tem que ser condecorado, e não processado”.

Quando era vereador do Rio de Janeiro, Bolsonaro fez um discurso na Câmara Municipal dizendo que “pobre não sabe fazer nada” e que os maus políticos vão desparecer quando “se acabarem os pobres e os miseráveis”.

Pois, nós, Sr. Bolsonaro, pensamos exatamente o contrário: os pobres e miseráveis vão acabar quando varrerem os políticos milionários como o sr. e assumirem o poder em nosso país!

 Lula Falcão é membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário e diretor de A Verdade.

Extraído do Sítio http://averdade.org.br