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Karl Marx - Sindicatos: Seu Passado, Presente e Futuro

É necessário que a classe trabalhadora se arme com a teoria para avançarmos na luta pelos nossos direitos e por uma nova sociedade.


sexta-feira, 26 de julho de 2019

Karl Marx - Sindicatos: Seu Passado, Presente e Futuro


              

             Neste momento de intenso ataque aos direitos da classe trabalhadora brasileira por parte do governo Bolsonaro. O Movimento Luta de Classes publica um texto de Karl Marx onde o fundador do Socialismo Científico debate as tarefas dos sindicatos para a superação do sistema capitalista.
          É necessário que a classe trabalhadora se arme com a teoria para avançarmos na luta pelos nossos direitos e por uma nova sociedade.


Sindicatos: Seu Passado, Presente e Futuro
 
A) SEU PASSADO

Capital é poder social concentrado, ao passo que o trabalhador dispõe apenas de sua força de trabalho individual.

Por isso, o contrato firmado entre capital e trabalho não pode jamais se assentar sobre condições justas, justas nem mesmo no sentido de uma sociedade que opõe a propriedade sobre os meios materiais de vida e do trabalho à força produtiva viva.

O único poder social dos trabalhores é o seu poder numérico.

Entretanto, esse poder numérico é anulado pela desunião.

A desunião dos trabalhadores surge e mantem-se através da inevitável concorrência que sustentam entre si.

Os sindicatos vieram ao mundo, originariamente, por meio das tentativas espontâneas dos trabalhadores de suprimirem ou, ao menos, limitarem essa concorrência, com o objetivo de imporem condições contratuais que os elevassem, no mínimo, acima da posição de meros escravos.

Sendo assim, o objetivo imediato dos sindicatos limitou-se às exigências do momento, enquanto meio de defesa contra os permanentes assaltos perpetrados pelo capital, em uma palavra : limitou-se às questões relacionadas com salário e jornada de trabalho.    

Essa atividade dos sindicatos não é tão somente justificável, senão ainda necessária.

Não é possível desaconselhá-la, enquanto persista existindo o atual modo de produção.

Pelo contrário, essa atividade deve vir a ser generalizada através da fundação e centralização de sindicatos em todos os países.

Por outro lado, os sindicatos, sem que se tornassem conscientes desse fato, tornaram-se centros de organização da classe trabalhadora, tal como o foram as municipalidades e comunidades medievais para a burguesia.

Se os sindicatos já são indispensáveis para guerra de guerrilha travada entre capital e trabalho, são eles tanto mais importantes enquanto força organizada para a eliminação do próprio sistema de trabalho assalariado.

B) SEU PRESENTE


Os sindicatos ocuparam-se, até o presente momento, exclusivamente com a luta local e imediata contra o capital e ainda não compreenderam inteiramente que forças representam na luta contra o próprio sistema de escravidão assalariada. Por isso, mantiveram-se muito distantes dos movimentos políticos e gerais.

Nos últimos tempos, parecem, entretanto, estar despertando para sua grande missão histórica, tal como se pode concluir a partir de sua participação no mais recente movimento político da Inglaterra, a partir da mais elevada concepção de suas funções nos EUA e da seguinte Resolução da Grande Conferência de Delegados Sindicais, ocorrida há poucos dias em Sheffield:

«Essa conferência elogia plenamente os esforços da Associação Internacional no sentido de unificar os trabalhadores de todos os países no quadro de uma liga fraternal comum e recomenda, de maneira pertinaz, às diversas organizações aqui representadas que ingressem nessa Associação, acreditando ser essa última necessária para o progresso e a prosperidade de todos os trabalhadores.»[2]  

C) SEU FUTURO


Apesar de seus objetivos iniciais, os sindicatos devem aprender agora a agir como centros de organização da classe trabalhadora, atuando no grande interesse de sua completa emancipação.

Devem apoiar todo e qualquer movimento social e político que se projete nessa direção.

Se os sindicatos conceberem a si mesmos como vanguardas e representantes de toda a classe trabalhadora, atuando de acordo com essa concepção, haverão de conseguir arrastar os excluídos para o interior das suas fileiras.

Devem ocupar-se cuidadosamente com os interesses das profissões mais mal pagas, p.ex. os trabalhadores rurais que se demonstram como impotentes, por força de circunstâncias particularmente desfavoráveis.

Devem convencer todo o mundo de que suas aspirações encontram-se muito distantes de serem limitadas e egoístas, estando direcionadas, pelo contrário, para a emancipação dos milhões de oprimidos.

Karl Marx - 
Gewerksgenossenschaften. Ihre Vergangenheit, Gegenwart und Zukunft (Associações Sindicais: Seu Passado, Presente e Futuro), in: Marx und Engels – Werke (Marx e Engels – Obras Completas), Vol. 16, 1962, pp. 196 e s.